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Campo Grande, Quinta-feira, 25 de Abril de 2019

22/02/2019 11:43

Sem material para operar, hospitais tentam transferir cirurgias à Santa Casa

Falta de insumos afeta Hospital Universitário e Hospital Regional, que tentam empurrar responsabilidade para a Santa Casa.

Izabela Sanchez
Santa Casa em Campo Grande (Foto: Arquivo/Campo Grande News)Santa Casa em Campo Grande (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Hospitais que realizam procedimentos cirúrgicos em Campo Grande estão sem material para realizar as operações. A informação é confirmada pela Central de Regulação de Vagas, registrada em 2 grandes unidades de Campo Grande. Coordenador geral de urgência da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Yama Higa diz que a situação ocorre no HR (Hospital Regional) e HU (Hospital Universitário), que tentam transferir os pacientes pacientes para Santa Casa.

O problema afeta as cirurgias eletivas, procedimentos não urgentes, que podem ser programados. Mas normativa da Sesau publicada em dezembro proíbe a transferência, entre os hospitais, de pacientes que precisam dessas cirurgias. A exceção é quando há risco de vida.

Segundo o Plano Municipal de Saúde (2018-2021), em Campo Grande, Santa Casa, HR, HU, Maternidade Cândido Mariano, Hospital São Julião e Hospital do Câncer são habilitados para realizarem cirurgias eletivas.

O coordenador de urgência afirma que a proibição de transferência ocorreu porque, na contratualização, os hospitais elencam serviços que são oferecidos, ou seja, assumem a responsabilidade pela execução dos procedimentos em saúde.

“Agora estão com problemas de insumos [HR e HU], aí há necessidade de transferência, mas só é permitido as urgências, que tem risco de vida. Aquele paciente que está internado ou não internado e não consegue fazer a cirurgia, está sendo protelado até que consiga fazer. O problema é que a gente tem uma contratualização que além do repasse, prevê a execução do serviço, os hospitais tem obrigação”, conta.

Yama afirma que se há risco de vida para o paciente, é feita uma avaliação para encaminhá-lo a outro hospital. “A partir de novembro isso ficou bastante recorrente, dá um problema eles colocam o paciente no sistema [de regulação] e tentam transferir pra outro hospital”, diz.

Alvo dos pedidos de transferência, a Santa Casa informou, por meio da assessoria de imprensa, que o hospital realizou 1668 cirurgias eletivas no mês de janeiro. A Santa Casa é o maior hospital do estado e oferta 10 especialidades de cirurgia eletiva: plástica, urologia, cirurgia toráxica, cirurgia geral, cirurgia cardíaca, neurocirurgia, oncologia cirúrgica, cirurgia vascular, mastologia e ginecologia cirúrgica.

Plano Municipal de Saúde O documento afirma que a Capital sofre de insuficiência de oferta de cirurgias eletivas de diversas especialidades, a exemplo da ortopedia, oftalmologia, cirurgia geral, otorrinolaringologia, angiologia, urologia e ginecologia. Essa falta, diz o Plano, causa a “urgencialização” das cirurgias eletivas.

“Cabe salientar que no Sistema de Regulação Ambulatorial – SISREG há filas de espera para consultas cirúrgicas ambulatoriais nas diversas especialidades, as quais totalizaram 17.926 solicitações até o dia 31 de março de 2017”, cita o documento.

O HU afirma, por meio da assessoria de imprensa, que ocorreu apenas um cancelamento de cirurgia eletiva por falta de material. O caso, diz, ocorreu em dezembro de 2018, quando uma paciente ficou internada durante três semanas a espera de uma cirurgia ortopédica. O procedimento foi cancelado porque faltou uma placa específica, em falta no hospital.

A assessoria de imprensa do HU afirma que abriu licitação para compra, mas não conseguiu adquirir o produto porque nenhuma empresa fornecedora se interessou pelos valores pagos pela tabela do SUS (Sistema Único de Saúde).

Por outro lado, o hospital disse que ocorre com frequência o encaminhamento de pacientes, pela central, que necessitam de procedimentos não realizados no HU ou encaminhados quando o hospital não tem vagas.

O coordenador de urgência negou que esses encaminhamentos ocorram, disse existir “uma grade de referência, pactuada com a direção do HU e de outros hospitais e o contrato dá as habilitações”.

O HU afirma que não há cancelamento de cirurgias eletivas e falta de insumos. O Hospital Universitário oferece 9 especialidades de cirurgia eletiva: bariátricas, cardiovasculares, buco-maxilo, cabeça e pescoço, ortopédicas, pediátricas, gastro, urológicas, ginecológicas e obstétricas.

Hospital Regional – O HR é, constantemente, alvo de denúncias por falta materiais e medicamentos – e se “recupera” de uma investigação por fraude em licitações, que derrubou a última gestão do hospital. Em entrevista ao Campo Grande News, o diretor administrativo declarou que foram criados novos setores no hospital – controladoria, contratos e convênios e planejamento -, para tentar “sanar” os problemas.

O diretor afirma que o hospital realiza, em média, 731 cirurgias por mês. A reportagem pediu informações e posicionamento, por meio da assessoria de imprensa, sobre a falta de insumos e transferência de pacientes que precisam de cirurgias eletivas, mas até a conclusão da matéria não obteve resposta.

O site do HR informa que há, no hospital, 45 especialidades médicas e 7 linhas de cuidado: cardiovascular, clínica cirúrgica, clínica médica, materno-infantil, nefro-urológica, oncológica e pacientes críticos.

 



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