Terceiro dia de pente-fino chega à Supermáxima e reforça cerco a facções
Ação concentra revistas e fiscalização em presídio de alta segurança nesta quinta-feira, em Campo Grande

A Operação Nêmesis chegou ao terceiro dia nesta quinta-feira (3) com um pente-fino na Penitenciária Masculina de Regime Fechado da Gameleira 1, em Campo Grande, conhecida como “Supermáxima”. A unidade concentra presos de alta periculosidade, incluindo custodiados que integram ou possuem ligação com a cúpula de organizações criminosas.
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A Operação Nêmesis chegou ao terceiro dia nesta quinta-feira (3) com inspeções na Penitenciária Masculina de Regime Fechado da Gameleira 1, em Campo Grande (MS), que abriga presos de alta periculosidade ligados ao crime organizado. A operação foi deflagrada após vídeos mostrarem detentos comemorando os 33 anos do PCC dentro da Máxima, com uso de cocaína. Desde 25 de agosto, foram apreendidos dois drones, 14 celulares e drogas nas unidades prisionais do estado.
A ação é conduzida pela Polícia Penal de Mato Grosso do Sul, com participação de agentes da própria Gameleira 1, do COPE (Comando de Operações Penitenciárias), da GISP (Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário) e da FPN (Força Penal Nacional), coordenada pela Polícia Penal Federal.
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Nesta quinta-feira, as equipes realizam revistas gerais, procedimentos de segurança e fiscalização voltados a impedir irregularidades e articulações do crime organizado dentro da unidade. O objetivo é ampliar o controle do presídio e evitar que o ambiente prisional seja utilizado para manter atividades ilícitas.
A Operação Nêmesis começou na terça-feira, no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, a Máxima de Campo Grande, após vídeos mostrarem presos comemorando os 33 anos do PCC (Primeiro Comando da Capital) dentro da unidade.
Nas imagens, internos aparecem aglomerados e fazendo uso de cocaína durante a celebração. Um dos presos que grava o vídeo cita expressamente o aniversário da facção e afirma que a Máxima seria a “maior sede do PCC” em Mato Grosso do Sul.
A manifestação coletiva de apoio ou alusão a organização criminosa pode configurar falta disciplinar grave, conforme a Lei de Execução Penal. Os internos identificados estão sendo submetidos a PADIC (Procedimento Administrativo Disciplinar do Interno), com análise individual das condutas.
As apurações também levaram à determinação de transferências de presos envolvidos nas irregularidades para unidades de maior segurança. Por questões operacionais, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) não informou o número de custodiados transferidos, os nomes nem os destinos.
Na quarta-feira, segundo dia da operação, o pente-fino foi mantido na Máxima, com identificação dos presos envolvidos na comemoração, revistas e cumprimento das transferências determinadas após as apurações.
A investigação também apontou que materiais ilícitos encontrados no sistema prisional têm entrado, em parte, por meio de drones. Desde 25 de agosto, a Polícia Penal de Mato Grosso do Sul e a Força Penal Nacional reforçaram o monitoramento em unidades de Campo Grande e Dourados.
Nesse período, a atuação conjunta resultou na apreensão de dois drones, 14 celulares, cinco carregadores, um rolo de linha reforçada usado para acoplar cargas, cerca de 1,7 quilo de substância semelhante à maconha e aproximadamente 250 gramas de substância com características de cocaína.
Somente entre os dias 25 e 29 de agosto, 13 tentativas de entregas por drones foram interceptadas na Máxima de Campo Grande.
De acordo com a Agepen, 56 revistas foram realizadas em estabelecimentos penais de Mato Grosso do Sul apenas nos seis primeiros meses deste ano, além dos procedimentos de segurança de rotina acompanhados pela área de inteligência.
O diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, afirmou que a Operação Nêmesis integra uma atuação permanente de enfrentamento ao crime organizado e à entrada de ilícitos nos presídios.
“A Operação Nêmesis faz parte do trabalho permanente da Polícia Penal de Mato Grosso do Sul no enfrentamento ao crime organizado e no combate à entrada de ilícitos nas unidades prisionais. É uma atuação contínua e incansável para garantir a ordem, a disciplina e a segurança no sistema prisional e, consequentemente, contribuir para a segurança de toda a sociedade”, afirmou.
O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, destacou a importância da integração entre as forças estaduais e federais.
“O enfrentamento ao crime organizado exige presença operacional, inteligência e integração. A atuação conjunta da Polícia Penal Federal, por meio da Força Penal Nacional, com a Polícia Penal de Mato Grosso do Sul fortalece a capacidade de prevenção e resposta e demonstra a importância da cooperação entre União e estados para impedir que organizações criminosas utilizem o ambiente prisional para manter atividades ilícitas”, declarou.
O nome Nêmesis faz referência à tradição grega e simboliza a resposta à transgressão da ordem, associada ao restabelecimento da autoridade e à aplicação das consequências previstas em lei e nos procedimentos disciplinares.
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