Governo estoca milho, prepara cestas e brigadas por impactos do El Niño em MS
Estado já recebeu 18 mil cestas básicas, e Conab mantém 14 mil toneladas de milho para períodos de seca

Com a perspectiva de impactos do El Niño em 2026 e 2027, o governo federal afirma ter antecipado medidas para reduzir os efeitos de secas, queimadas, calor intenso e alterações no regime de chuvas em Mato Grosso do Sul. Entre as ações estão a distribuição de 18 mil cestas básicas no Estado, das quais 6 mil já foram destinadas a aldeias indígenas, e a manutenção de 14 mil toneladas de milho nos estoques da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
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O governo federal anunciou medidas preventivas para reduzir os impactos do El Niño em Mato Grosso do Sul entre 2026 e 2027, incluindo a distribuição de 18 mil cestas básicas, sendo 6 mil para aldeias indígenas, e a manutenção de 14 mil toneladas de milho nos estoques da Conab para pequenos criadores. As ações foram apresentadas no Diálogo Regional El Niño, realizado na UFMS, em Campo Grande, com a participação do ministro Wellington Dias e de representantes da sociedade civil.
O milho armazenado deverá ser destinado a pequenos criadores de animais para ajudar a manter a alimentação dos rebanhos em períodos de seca. O estoque poderá atender produtores de Mato Grosso do Sul e de outras regiões do País.
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As medidas foram apresentadas nesta terça-feira (1º), em Campo Grande, durante o Diálogo Regional El Niño 2026/2027, realizado na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). O encontro reúne representantes do governo federal, organizações da sociedade civil e movimentos sociais para discutir ações de preparação e resposta aos efeitos do fenômeno climático.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou que a estratégia é agir antes que os eventos extremos atinjam a população e comprometam a produção e o abastecimento.
“Queremos integrar todos os esforços, queremos ter esse diálogo com a sociedade, integrando vários ministérios [...] e garantindo que a gente possa estar com Mato Grosso do Sul mais preparado”, afirmou.
O representante do governo federal disse ter visitado nesta terça-feira uma unidade da Conab e destacou a formação preventiva dos estoques. “Vem El Niño, atinge, a gente já está preparado para poder garantir a condição de atendimento”, declarou.
Segundo o ministro, Mato Grosso do Sul tem 1,4 milhão de pessoas atendidas por programas sociais do governo federal e deverá receber R$ 3,6 bilhões neste ano por meio dessas políticas.
Produção de alimentos - A preocupação também se estende aos efeitos que eventos climáticos extremos podem provocar sobre a produção e os preços dos alimentos. Dias destacou a importância de Mato Grosso do Sul na produção agropecuária nacional e lembrou que problemas climáticos em uma região podem repercutir no abastecimento de todo o País.
Como exemplo, citou os impactos de períodos de seca e enchentes sobre a produção de arroz no Rio Grande do Sul e a consequente pressão sobre os preços. Segundo o ministro, desde 2023 o governo passou a estimular uma produção mais descentralizada do cereal, incluindo Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.
“De um lado, proteger o pequeno, do outro lado, proteger o consumidor, para não ter elevação no preço”, afirmou.
Seca e excesso de chuva - Ao tratar dos riscos associados ao El Niño, Wellington Dias chamou atenção para diferentes tipos de eventos extremos. Segundo ele, enquanto determinadas regiões podem enfrentar chuvas intensas e enchentes, outras podem sofrer com irregularidade das precipitações, estiagem, temperaturas elevadas e baixa umidade.
Os impactos, ressaltou, não ficam restritos à agropecuária. Períodos de calor e baixa umidade também aumentam a preocupação com a saúde, enquanto enchentes trazem outros riscos à população.
Efeitos do El Niño - Mato Grosso do Sul pode sentir nos próximos meses os efeitos do El Niño, principalmente com temperaturas acima da média e possíveis impactos sobre o regime de chuvas e os níveis dos rios. A situação exige atenção especial ao Pantanal, onde períodos de estiagem podem afetar comunidades, transporte e abastecimento. O governo federal acompanha a evolução do fenômeno por meio de órgãos como Inmet, ANA e Cemaden, que monitoram as condições do Oceano Pacífico e os possíveis reflexos no território brasileiro.
Entre os principais riscos estão a redução do nível dos rios, dificuldades de navegação e acesso a comunidades isoladas, além de possíveis problemas no abastecimento de água e na segurança alimentar. Populações ribeirinhas, indígenas e quilombolas estão entre as mais vulneráveis. A eventual dificuldade de transporte também pode afetar a logística e o fornecimento de combustíveis, levando o governo a avaliar a formação antecipada de estoques em áreas estratégicas.
Na saúde, o cenário também preocupa devido à possibilidade de aumento de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya, além dos impactos provocados por eventos climáticos extremos e pelo calor intenso. A intensidade e a duração desses efeitos ainda dependem da evolução do aquecimento do Pacífico, que continuará sendo monitorado para orientar medidas preventivas e respostas específicas em Mato Grosso do Sul e nas demais áreas de risco.

Aldeias e brigadas - O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que a preparação para os impactos climáticos nas comunidades indígenas ocorre em três frentes: segurança alimentar, elaboração de planos de adaptação e resposta a situações de emergência.
A distribuição das 6 mil cestas básicas para aldeias de Mato Grosso do Sul integra essa estratégia. Segundo Eloy, a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) atua em parceria com a Conab na assistência alimentar às comunidades.
Os planos de adaptação climática também abrangem outros grupos vulneráveis. De acordo com o ministro, os ministérios dos Povos Indígenas, das Mulheres e da Igualdade Racial trabalham na preparação de comunidades indígenas, quilombolas e populações periféricas para enfrentar eventos extremos.
No Pantanal, outra preocupação são as secas e queimadas. Eloy informou que existem atualmente 67 brigadas indígenas no Brasil, duas delas em Mato Grosso do Sul, estruturadas em parceria com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
As equipes estão na Aldeia Ipegue e na terra terra Indígena Kadiwéu. Segundo Eloy, as duas áreas estavam entre as terras indígenas com maior ocorrência de queimadas antes da estruturação das brigadas.
A partir de 2023, integrantes das próprias comunidades passaram por treinamento e receberam EPIs (equipamentos de proteção individual) e outros equipamentos para atuar na prevenção e no enfrentamento dos incêndios.
“Os índices científicos apontam para isso e a gente não pode esperar o impacto atingir as comunidades”, afirmou Eloy.
O encontro em Campo Grande é o quinto de uma série de sete reuniões regionais promovidas pela Secretaria-Geral da Presidência da República. As discussões já passaram por Rio de Janeiro, Manaus, Fortaleza e Santarém. Depois de Mato Grosso do Sul, estão previstos encontros em Petrolina (PE), no dia 3 de setembro, e Porto Alegre (RS), no dia 9.


