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09/03/2012 08:46

Estudante desenvolve larvicida contra mosquito da dengue e pesquisa vai para feira nacional

Paula Maciulevicius

MS vai levar nove projetos de estudantes de escolas estaduais para Feira Brasileira de Ciências e Engenharia na USP

O estudante constatou que o chamado LCC, consegue matar a larva do mosquito da dengue. (Fotos: Marlon Ganassin)O estudante constatou que o chamado LCC, consegue matar a larva do mosquito da dengue. (Fotos: Marlon Ganassin)

Das mãos do estudante Gabriel Tiago Galdino, 16 anos, pode sair uma das maiores armas contra o mosquito da dengue, um larvicida à base do líquido extraído da castanha de caju. O projeto exigiu um ano de dedicação e vai levar o nome de Mato Grosso do Sul para a Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia), na USP, próxima terça-feira.

A feira é realizada desde 2003, este ano além do projeto de Gabriel, outros oito também serão apresentados, o maior número de pesquisas do Centro-Oeste é do nosso Estado e todo suporte vem do grupo de ensino de ciências Arandu, do Departamento de Química da UFMS. Os nove estudantes que desenvolveram os projetos são alunos da rede estadual de ensino e bolsistas em iniciação científica pela Fundect.

Gabriel tem ensaiado na ponta da língua toda a apresentação da pesquisa. Nas mãos, ele mostra o líquido ainda presente na castanha, o subproduto que até então não era aproveitado, entrou para o contexto preocupante, principalmente nesta época do ano, a dengue.

O estudante constatou que o chamado LCC, líquido da castanha de caju, viscoso e de cor bem escura, consegue matar a larva do mosquito da dengue. A substância é dividida em duas formas, a técnica, vinda a partir da queima da castanha e a natural, extraída em laboratório.

Os primeiros passos da pesquisa misturaram a concentração com óleo de mamona. O resultado foi uma espécie de sabão. Os experimentos revelaram que a concentração certeira para tornar o sabão mais eficaz, era 20% do LCC na forma natural.

Nos tubos de ensaio, larvas do mosquito foram adicionadas e a prova real saiu um dia depois. Ali foram acrescentados 0,2mg do sabão formulado em um litro de água. Em 24h de ação, o larvicida matou 97,5% das larvas.

“A maioria dos larvicidas são tóxicos e demoram até uma semana para agir sobre a larva. Este não. Ele vai atuar contra o mosquito ainda na larva, quando ele tem menos imunidade”, explicou Gabriel.

Para o uso domiciliar ainda não há previsão. O que se sabe é que ele vai poder ser aplicado em lugares onde a água se acumula e não se pode cobrir. “Vasos de plantas, em vez de por areia, se coloca o larvicida”, completa. O sabão não apresenta risco para o ser humano e o próximo passo da pesquisa é concluir se colocado em contato com a caixa d’água, por exemplo, pode tornar a água não potável.

A inovação de Gabriel pode levá-lo à Feira Internacional, realizada nos Estados Unidos. Da Febrace, saíram 18 projetos. “Estou bastante confiante, se tudo der certo, consigo ir para a feira nos Estados Unidos”, ressalta.

“Queria descobrir se acontecia ou não o perigo de ser transferido para a sala o vc, eh”, explica.“Queria descobrir se acontecia ou não o perigo de ser transferido para a sala o vc, eh”, explica.

Entre os demais projetos dois estão voltados para a área de humanas. Sarah Santos de Jesus, 14 anos, está há um ano no projeto de iniciação científica. Desenvolveu pesquisa estudando se o “internetês” prejudica no Português estudado em sala de aula. “Queria descobrir se acontecia ou não o perigo de ser transferido para a sala o vc, eh”, explica.

A metodologia usada realizar um ditado em três escolas na região do Imbirussú. Onde dados apontaram a pesquisadora que ali era o local onde os estudantes tinham maior acesso à internet.

Além do ditado, a aluna pesquisou também por da rede 70 alunos, se eles transferiam a linguagem do meio virtual para a escrita.

A conclusão veio das 160 atividades respondidas. Deste número, apenas dois apresentaram erros por conta do “internetês”.

“O restante eram erros aleatórios, de gramática, acentuação. Me mostrou o que eu já acreditava, que não prejudica”, fala.

O ponto que se destacou na pesquisa foi a resposta dos alunos da realidade em sala de aula. “Eles falaram que os professores não dão muita atenção a isso”, comenta.

A escolha da pesquisa surgiu da vontade de seguir a profissão de engenheiro civil.A escolha da pesquisa surgiu da vontade de seguir a profissão de engenheiro civil.

Matheus Bittencourt Duquini, 14 anos, também está entre os selecionados. A escolha do que pesquisar surgiu da vontade que o adolescente tem de seguir a profissão de engenheiro civil. Em conversa no CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), o estudante teve o direcionamento.

Partiu para delinear o comportamento de moradores em relação à documentação residencial. “Queria saber porque os moradores deixam a regularização de lado”, explica.

A região escolhida para aplicar o questionário foi no Anhanduizinho, nos bairros Aero Rancho, Piratininga e Jóquei Clube. De 96 casas, 18 não estavam regularizadas.

“A maioria conhece, sabe da documentação, mas não tem renda. O fator que mais influencia são as faltas de condições financeiras”, ressalta.

O futuro engenheiro está satisfeito só de já ter chegado até aqui. “Estou feliz em mostrar como nós nos sentimos, de querer informação, de buscar por isso para ajudar as pessoas a terem uma vida melhor”, finaliza.

Os pesquisadores viajam no domingo. A Feira será realizada entre os dias 13,14 e 15 de março. Ao todo foram 1,5 mil projetos inscritos. Os nove representantes do Estado foram selecionados entre 323.

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