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Interior

Acusados por assassinato de jovem em loja vão para a “Federalzinha”

Justiça aceitou denúncia e tornou réus os 2 pistoleiros e o empresário apontado como mandante do crime

Por Helio de Freitas, de Dourados | 18/09/2026 16:34
Acusados por assassinato de jovem em loja vão para a “Federalzinha”
Claudio de Arruda (à esq.), Denis Barbosa de Melo (centro) e Alexsander Borges (Foto: Reprodução)

Os 3 presos pelo assassinato do jovem Vitor Orsini, de 19 anos, ocorrido na loja de revenda de veículos do pai dele, em 7 de agosto de 2026, em Dourados, estão na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II, conhecida como “Federalzinha”, em Campo Grande.

RESUMO

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Os três presos pelo assassinato de Vitor Orsini, de 19 anos, ocorrido em Dourados em agosto de 2026, foram transferidos para a Penitenciária Gameleira II, em Campo Grande. O empresário Claudio de Arruda, apontado como mandante, e os pistoleiros Denis Barbosa e Alexsander Borges foram denunciados por homicídio qualificado. A vítima foi morta por engano; o alvo real era um credor de R$ 240 mil do empresário.

A transferência ocorreu há uma semana e, segundo o sistema penitenciário, foi por “motivo operacional”.

O empresário Claudio Henrique de Arruda, de 43 anos, apontado como mandante do crime, e os pistoleiros Denis Barbosa de Melo, de 22 anos, e Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, estavam na PED (Penitenciária Estadual de Dourados) e agora vão aguardar o julgamento no presídio da Capital.

Com 110 celas e capacidade para 603 internos em regime fechado, a Gameleira 2 ganhou o apelido de “Federalzinha” por adotar rigor estrutural e de segurança semelhante ao padrão de presídios federais.

Claudio de Arruda é dono de uma academia de musculação em Ponta Porã. Ele foi apontado pela Polícia Civil como mandante do assassinato, mas o alvo era outro, um morador de Dourados identificado como Adriano, de 39 anos. O empresário tinha uma dívida de R$ 240 mil com Adriano, supostamente relativa a um empréstimo.

Denis Barbosa de Melo, que disparou os 3 tiros de pistola na cabeça de Vitor, é oriundo de Brasília (DF) e apontado como integrante da facção criminosa TCP (Terceiro Comando Puro). Já Alexsander morava em Ponta Porã e pilotou a moto usada no crime.

Réus

Nesta semana, o juiz Rodrigo Barbosa Sanches, da Vara das Garantias, Tribunal do Júri e Execução Penal, aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou os 3 acusados réus por homicídio qualificado, associação criminosa, posse ilegal de armas e corrupção de menores, já que o grupo contratou um adolescente de 17 anos para furtar a moto usada pelos pistoleiros.

Também passam a ser réus os 2 envolvidos que seguem foragidos: Jeferson Lopes, de 31 anos, o “Boy”, e Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23 anos, o “Marquinhos”, moradores em Ponta Porã. Eles contrataram os pistoleiros e forneceram a arma do crime.

O juiz também determinou novos procedimentos policiais, como conclusão do laudo pericial nos celulares apreendidos, depoimentos de motoristas de aplicativo contratados pelos envolvidos e identificação do responsável pela transferência de dinheiro via Pix para o adolescente implicado no assassinato. O pagamento saiu da conta de uma empresa não revelada.

Morto por engano

Segundo a investigação da polícia, Adriano havia emprestado R$ 240 mil para Claudio de Arruda, dono da academia de musculação no Bairro da Granja, em Ponta Porã. Os dois possuem antecedentes por tráfico de drogas e foram presos juntos, em 2013. A dívida deveria ser paga em 3 meses.

Com a correção de juros, o valor já estava em R$ 300 mil. Para não pagar a conta, Cláudio teria tramado a morte de Adriano junto com Jeferson Lopes e Marcos Antonio.

O SIG (Setor de Investigações Gerais) apontou Jeferson e Marcos como os contratantes dos pistoleiros. Denis foi recrutado por R$ 20 mil para executar o alvo. Alexsander recebeu R$ 5 mil para pilotar a moto. Já o adolescente que furtou a moto ganhou R$ 1.500.

Cláudio de Arruda é acusado de armar a emboscada para Adriano. Por meio de aplicativo de conversa, ele pediu para o antigo parceiro ir até a loja de revenda de veículos na Avenida Hayel Bon Faker para negociar a compra de uma Toyota Hilux SW4 por volta das 14h do dia 7 de agosto.

Cláudio também entrou em contato com a loja e conversou com Vitor Orsini para informar que um emissário seu iria ao local negociar o veículo. O jovem trabalhava como vendedor no estabelecimento do pai. A polícia encontrou as mensagens no celular de Vitor.

Em uma BMW X1 branca ano 2015, Jeferson e Marcos trouxeram os dois pistoleiros até Dourados. Depois que a dupla pegou a moto com o adolescente, os dois homens se posicionaram nos arredores da loja, para se certificarem de que o plano seria colocado em prática. A BMW estava registrada em nome de um supermercado de Ponta Porã e até agora não foi encontrada.

Denis e Alexsander foram informados sobre o alvo – um homem com mancha no rosto e que estaria na loja naquele horário. Só que Adriano não chegou na hora marcada. Em depoimento, ele disse que se atrasou porque estava comprando materiais de construção com a esposa.

Na versão contada à Polícia Civil, Denis revelou que, ao ver Vitor junto com o pai circulando pela loja, achou que o jovem era o homem a ser morto. Após passar pelos dois no corredor, ele foi até o banheiro do estabelecimento e saiu de lá já com a pistola destravada.

Pelas costas, disparou um tiro na cabeça de Vitor. Quando o jovem caiu no chão, foi alvejado com mais 2 tiros: um no lado esquerdo do peito e outro no ombro direito. Esse terceiro projétil atravessou o pescoço da vítima e transfixou perto da orelha esquerda. Vitor chegou a ser socorrido, mas morreu a caminho do hospital.

Após abandonarem a moto usada no crime no Jardim Canaã VI, Denis e Alexsander receberam novamente a ajuda do adolescente para comprar outras roupas. Depois, seguiram para Ponta Porã em carro de aplicativo, contratado por Jeferson e Marcos Antonio. Quando voltaram à fronteira, foram informados que tinham matado a pessoa errada e teriam de “fazer o serviço certo”.

Denis Barbosa de Melo contou em depoimento que passou alguns dias na casa de integrantes da facção da qual faz parte em Ponta Porã, mas temendo pela própria segurança, foi para o distrito de Nova Itamarati e se hospedou em um hotel, onde foi preso no dia 11 de agosto. Segundo a polícia, Denis recebeu proposta para matar Alexsander.

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