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Interior

Debaixo de chuva, voluntários levam alimentos a comunidades indígenas

Entrega de 10 toneladas de alimentos doados por Ong do Rio de Janeiro começou nesta terça-feira (25)

Por Izabela Sanchez | 25/02/2020 10:47
Indígena Guarani Kaiowá da comunidade Jayche Piru, em Dourados, assina documento ao receber cesta básica doada pela Ong Ação da Cidadania (Foto: Divulgação)
Indígena Guarani Kaiowá da comunidade Jayche Piru, em Dourados, assina documento ao receber cesta básica doada pela Ong Ação da Cidadania (Foto: Divulgação)

A entrega das 10 toneladas de alimentos – cestas básicas – doados pela Ong carioca “Ação da Cidadania” começou em pleno Carnaval na manhã desta terça-feira (25) em Dourados, a 233 km de Campo Grande. Debaixo de chuva voluntários de 22 instituições começaram a entrega que vai ajudar 10 comunidades indígenas que passam fome.

Cenário antigo em Mato Grosso do Sul, a fome entre comunidades indígenas, especialmente as povoadas pela etnia Guarani Kaiowá, atingiu novo capítulo em janeiro. A Funai (Fundação Nacional do Índio), que entregava os alimentos mensalmente em parceria com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), emitiu ordem, ofício de Brasília, proibindo a entrega.

Alegou que não era obrigação da Fundação atender comunidades em áreas de litígio. A ong do Rio de Janeiro – que tem como lema o slogan “que tem fome, tem pressa” – deixou a disputa de terras de lado e uniu voluntários para entregar os alimentos em áreas ocupadas, com acampamentos, reivindicadas como terras tradicionais indígenas, mas não demarcadas.

Chuva não atrapalhou trabalho de voluntários em Dourados nesta terça (Foto: Divulgação)
Chuva não atrapalhou trabalho de voluntários em Dourados nesta terça (Foto: Divulgação)

Nesta terça as 295 cestas chegam para comunidades em Dourados que foram palcos recentes para conflitos sangrentos, a exemplo de Nhu Verá, ocupação adjacente à Terra Indígena de Dourados, hoje monitorada pela Força Nacional.

No sábado (29), é a vez de comunidades de Antônio João e Coronel Sapucaia, que recebem as cestas que contém alimentos não perecíveis como arroz, feijão, macarrão, óleo e açúcar.

Crítica - Diretor executivo da Ação da Cidadania, Rodrigo Kiko Afonso contou que a ong, presente em 20 Estados do Brasil com ações humanitárias, chega pela primeira vez a Mato Grosso do Sul.

Em entrevista ao Campo Grande News no dia 20, ele contou que as notícias da fome entre os índios que ganharam as manchetes de jornais como o britânico BCC, após a suspensão do fornecimento de cestas básicas, chamou a atenção da organização.

“A gente sempre lutou pela questão da segurança alimentar, quem tem fome tem pressa. A ação criou maior mobilização social no Brasil no combate à fome, foi indutora de uma série de avanços”, diz. “A gente [Brasil] tem piorado drasticamente, agora a gente está com 13,5 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da miséria”.

Muitas mulheres e crianças, maioria nas comunidades, foram contempladas pela ação voluntária neste terça (Foto: Divulgação)
Muitas mulheres e crianças, maioria nas comunidades, foram contempladas pela ação voluntária neste terça (Foto: Divulgação)

Kiko chamou a decisão da Funai de “falha grave”, por “abandonar [indígenas] ao léu por dois meses sem receber esses alimentos”. “É abominável”, disse.

“A nossa atuação primeira é dizer que não dá para discutir política pública e ideologia e deixar gente morrer de fome enquanto se discute. Então assim, nosso lema sempre foi esse, independente da importância da discussão política dos direitos dos índios, a gente atua sempre com a questão de quem tem fome”, comentou.

Participam da ação:

UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Cimi (Conselho Indigenista Missionário), Juristas pela Democracia, DPU (Defensoria Pública da União), CDCDH (Centro de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos) Marçal de Souza, CUT/MS (Central Única dos Trabalhadores), MST (Movimento Sem Terra), CEDHU/MS (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), Renap/MS (Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares), Cebi/MS (Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos), MPF (Ministério Público Federal), Coletivo Terra Vermelha, UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), AGB/Dourados (Associação de Geógrafos Brasileiros), Apoms (Associação de Produtores Orgânicos de Mato Grosso do Sul), FPSAN (Frente Parlamentar Estadual em Defesa da Segurança Alimentar e Nutricional da Assembleia Legislativa), Comissão Regional de Justiça e Paz, Najup (Núcleo de Defesa e Assessoria Popular), CPT (Comissão Pastoral da Terra), Fetems (Federação dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul), Central de Comercialização Solidária de Mato Grosso do Sul e Simted/Dourados (Sindicato Municiapal de Trabalhadores em Educação).

 

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