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Interior

Delegado investigado pelo Gaeco acusa promotora de perseguição

Em documento à Justiça, Patrick Linares da Costa aponta problema pessoal com promotora de Ponta Porã

Por Helio de Freitas, de Dourados | 11/05/2022 17:01
O delegado Patrick Linares da Costa, que pediu revogação de medidas cautelares (Foto: Arquivo)
O delegado Patrick Linares da Costa, que pediu revogação de medidas cautelares (Foto: Arquivo)

Investigado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) âmbito da Operação Codicia (ganância, em espanhol), o delegado de polícia Patrick Linares da Costa acusa a promotora de Justiça Gisleine Dal Bó de perseguição devido a problemas pessoais e por episódio envolvendo o marido dela, policial militar.

Ele é acusado de receber propina supostamente cobrada por outros policiais para devolver veículos apreendidos pela Polícia Civil em Ponta Porã aos proprietários.

Ex-titular da 2ª Delegacia de Polícia de Ponta Porã, Patrick Linares da Costa foi um dos alvos da operação desencadeada no dia 25 de abril deste ano. O Gaeco pediu a prisão preventiva dele, mas o pedido foi negado pela Justiça. Entretanto, o Poder Judiciário determinou série de medidas cautelares contra o delegado, inclusive afastamento das funções e proibição de frequentar prédios da polícia.

Por causa dessas restrições, Patrick Linares da Costa não foi empossado como juiz substituto no dia 27 do mês passado no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). Ele foi aprovado em concurso público no ano passado.

Nesta semana, a defesa do delegado entrou com pedido na Justiça para a revogação das medidas cautelares. No documento de 32 páginas ao qual o Campo Grande News teve acesso, o advogado Diego Marcos Gonçalves rebate todas as acusações feitas pelo Gaeco e aponta suposta perseguição da promotora Gisleine Dal Bó, titular da 3ª Promotoria Criminal de Ponta Porã.

“O investigado [delegado] possui uma inimizade pessoal com a Dra. Gisleine Dal Bó, da 3º Promotoria de Ponta Porã, sendo que ambos no início do relacionamento profissional tinham um contato totalmente amigável e cordeiro, porém após alguns deslindes e posicionamentos não condizentes com a urbanidade, respeito e cordialidade da Dra. Gisleine, Dr. Patrick a respondeu, esclarecendo que a mesma estava desrespeitando a competência dele, sem ser desrespeitoso ou ameaçador, apenas se posicionou como autoridade que é”, afirma a defesa.

O advogado de Patrick ainda cita episódio em que a promotora teria se negado a responder ao cumprimento da mulher do delegado quando moravam no mesmo prédio em Ponta Porã.

A situação se agravou, segundo a defesa, após problema envolvendo o delegado e o marido da promotora, que é policial militar. Na época, Patrick Linares estava lotado na Delegacia de Antônio João.

“O Senhor R. [o PM] conduziu um indivíduo à delegacia e o mesmo ao chegar no DP se queixou de ter sido agredido pelos policiais responsáveis por sua abordagem, mostrando as lesões aparente que teriam sofrido. O Dr. Patrick elaborou relatório sobre a ocorrência em 06/10/2019, o que prejudicou ainda mais a relação de ambos. Após isso começou verdadeira ‘caça às bruxas’ com animus de vingança”, afirma a defesa.

Veículos – O documento protocolado pelo advogado de defesa cita outra acusação do Gaeco de que o delegado deixava de instaurar inquéritos em algumas ocorrência com apreensão de veículos, além liberar ilegalmente o uso de automóveis apreendidos para policiais civis. As informações teriam sido informes da 3ᵒ Promotoria de Ponta Porã.

Segundo relatório da operação, a 3ª Promotoria noticiou ao menos cinco situações distintas, entre 2017 e 2019, nas quais ocorreram irregularidades na condução de investigações policiais no âmbito da 2ª DP de Ponta Porã onde havia veículos apreendidos.

“O investigado possui inimizade pessoal com a promotora Gisleine Dal Bó, responsável pela 3ᵒ Promotoria de Ponta Porã, o que torna todos os informes dela e relatórios sobre o investigado suspeitos. De maneira ardil buscando denegrir a imagem do investigado, coloca o mesmo como sendo conivente e ciente das ilicitudes perpetradas”, afirma a defesa de Patrick Linares.

O documento da defesa continua: “fato é que junto à Comarca de Ponta Porã existem 5 promotores, sendo 3 promotores voltados à área criminal e nenhum deles relatou qualquer fato ilícito do Sr. Patrick, apenas a Dra. Gisleine em atinente ato de perseguição, querendo única e exclusivamente prejudicar o investigado”.

Para a defesa, o delegado só é investigado “dada a maneira como a Dra. Gisleine elaborou os informes e relatórios e os encaminhou ao Gaeco, colocando o Dr. Patrick como um criminoso e mentor e garantidor do grupo [investigado]. Análise subjetiva e pessoal”, afirma o documento.

Na petição encaminhada ao Poder Judiciário, o advogado Diego Gonçalves citou que Patick Linares da Costa sequer trabalhava em Ponta Porã quando teria ocorrido o crime que deu início à operação, em abril do ano passado. O caso envolveu a cobrança de propina de R$ 5 mil para a liberação de caminhão roubado no Rio de Janeiro e recuperado na fronteira. Naquele mês, Patrick Linares ainda estava na DP de Antônio João.

“A quebra de dados telefônico e telemática nada útil trouxe à investigação. A quebra de dados bancários também não, já que as movimentações colocadas como suspeitas foram rechaçadas e esclarecidas neste ato”, afirma a defesa. Segundo o advogado, os depósitos citados como suspeitos foram feitos pelo próprio delegado e pela mulher dele.

A defesa continua: “a busca e apreensão restaram infrutíferas, já que nada de irregular, ilícito, ou relevante à investigação foi encontrado. O Dr. Patrick se apresentou espontaneamente e entregou o seu celular totalmente desbloqueado”.

O requerimento foi protocolado na 2ª Vara Criminal de Campo Grande, mas o juiz Olivar Augusto Roberti Coneglian (que decretou as prisões e demais mandados cumpridos no dia 25) declinou competência para o Juízo de Ponta Porã, onde o pedido será analisado.

Gaeco – O Campo Grande News procurou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul para que se manifestasse sobre os argumentos da defesa. Em nota enviada pela assessoria, a Coordenação do Gaeco/MPMS informou que a “investigação foi conduzida pelos membros do Grupo lotados em Campo Grande, e não na Comarca de Ponta Porã.

“Na análise da formação do arcabouço probatório não foram levadas em consideração impressões pessoais de quaisquer colegas, apenas elementos materializados de vestígios físicos ou digitais concretos”, afirma o MP.

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