MP aponta falta de cotas raciais em concurso da Guarda Civil e pede anulação
Promotor diz que edital feriu lei municipal; prefeitura fala em “grave prejuízo” com eventual cancelamento
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) abriu inquérito civil para investigar a ausência de cotas raciais no concurso público para a Guarda Civil Municipal de Costa Rica, realizado em outubro de 2025. A apuração teve início após denúncia encaminhada à Ouvidoria do órgão, que apontou que o edital não reservou 20% das vagas para candidatos negros, como determina a lei municipal.
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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul abriu inquérito para investigar a ausência de cotas raciais no concurso da Guarda Civil Municipal de Costa Rica, realizado em outubro de 2025. O promotor responsável recomendou a anulação do certame, alegando ilegalidade por descumprir lei municipal que reserva 20% das vagas a candidatos negros. A prefeitura contestou, citando prejuízos financeiros e insegurança jurídica, mas o MP mantém que a irregularidade compromete o edital desde sua origem.
À frente do caso, o promotor Guilherme Pereira Diniz Penna entendeu que a ausência da política de cotas fere a legislação local e pode comprometer todo o concurso. Em recomendação publicada no dia 29 de abril, ele orientou que a prefeitura anule integralmente o certame. No documento, o promotor afirma que a falta de previsão de cotas no edital está “em frontal desconformidade com a legislação municipal vigente” e que a situação configura “ilegalidade insanável”.
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A recomendação dá prazo de cinco dias para que o município se manifeste sobre o cumprimento das medidas. Entre as orientações, estão a suspensão da homologação do resultado final e a não realização de nomeações ou posses até a definição do caso. O MP também recomenda que, em eventual novo concurso, o edital seja adequado à lei, com a reserva de vagas para candidatos negros.
O inquérito teve origem em manifestação de um candidato, que relatou ter sido prejudicado pela ausência das cotas. Segundo a denúncia, a lista final de aprovados já estaria pronta para homologação e o curso de formação teria início previsto, o que poderia consolidar os efeitos do edital sem a política de inclusão prevista em lei.
Em resposta ao MPMS, a prefeitura de Costa Rica, sob a gestão do prefeito Cleverson Alves dos Santos, o Delegado Cleverson (PP), afirmou que o edital previa prazos e mecanismos para contestação e que “os interessados não apresentaram questionamentos no momento oportuno”. A gestão também destacou que, ao se inscrever, o candidato declara ciência e concordância com as regras do concurso.
O município argumentou ainda que uma eventual anulação poderia trazer prejuízos. Segundo a prefeitura, a medida causaria “grave prejuízo ao interesse público”, especialmente pelos gastos já realizados e pela necessidade de recompor o efetivo da Guarda Civil. A administração também ressaltou que o concurso está em fase avançada e que alterações neste momento “não são juridicamente viáveis”, sob risco de violar princípios como segurança jurídica e isonomia.
Apesar das justificativas, o Ministério Público sustenta que o descumprimento da lei de cotas compromete a validade do edital desde a origem. O órgão também lembra que políticas de ação afirmativa já foram reconhecidas como constitucionais pelo STF (Supremo Tribunal Federal), por promoverem igualdade de oportunidades.
A reportagem tentou contato com o prefeito e com a gestão municipal para saber se a prefeitura pretende acatar a recomendação do MP. No entanto, não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
Possível prejuízo — Mesmo com o processo em andamento, candidatos do concurso já temem serem lesados com a possível anulação do certame, que está na etapa de formação dos aprovados.
Um dos candidatos, de 27 anos, que optou por não se identificar, e participou do concurso, disse ao Campo Grande News que se sente prejudicado com a situação. “Sou de Campo Grande e, assim como outros candidatos, estou indignado. Há pessoas que vieram de outros estados, como Goiás e Mato Grosso, e todos tivemos gastos ao longo do processo”, afirmou.
Segundo ele, a preparação exigiu meses de dedicação, incluindo TAF (Teste de Aptidão Física), avaliação psicológica, além de despesas com viagens, exames e inscrições. “Agora, já na fase de formação da Guarda Municipal, somos surpreendidos com a possibilidade de anulação por um erro básico no edital. É difícil aceitar que todo esse esforço seja perdido por uma falha administrativa. Muitos já se viam próximos da nomeação, com expectativa de iniciar a carreira”, disse.
O candidato também destacou o impacto financeiro e emocional. “Além dos gastos, há um desgaste grande. Todo o processo foi realizado no município e gerou custos, e até agora não temos respostas. Esperamos uma solução que não prejudique quem fez a sua parte”, completou.
[**] Matéria editada às 11h50 de 6 de maio de 2026 para acréscimo de relato de candidato.
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