ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JUNHO, SÁBADO  20    CAMPO GRANDE 19º

Interior

MP aponta falta de cotas raciais em concurso da Guarda Civil e pede anulação

Promotor diz que edital feriu lei municipal; prefeitura fala em “grave prejuízo” com eventual cancelamento

Por Mylena Fraiha e Viviane Oliveira | 06/05/2026 10:49
MP aponta falta de cotas raciais em concurso da Guarda Civil e pede anulação
Prédio que abriga a prefeitura de Costa Rica (Foto: Divulgação)

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) abriu inquérito civil para investigar a ausência de cotas raciais no concurso público para a Guarda Civil Municipal de Costa Rica, realizado em outubro de 2025. A apuração teve início após denúncia encaminhada à Ouvidoria do órgão, que apontou que o edital não reservou 20% das vagas para candidatos negros, como determina a lei municipal.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul abriu inquérito para investigar a ausência de cotas raciais no concurso da Guarda Civil Municipal de Costa Rica, realizado em outubro de 2025. O promotor responsável recomendou a anulação do certame, alegando ilegalidade por descumprir lei municipal que reserva 20% das vagas a candidatos negros. A prefeitura contestou, citando prejuízos financeiros e insegurança jurídica, mas o MP mantém que a irregularidade compromete o edital desde sua origem.

À frente do caso, o promotor Guilherme Pereira Diniz Penna entendeu que a ausência da política de cotas fere a legislação local e pode comprometer todo o concurso. Em recomendação publicada no dia 29 de abril, ele orientou que a prefeitura anule integralmente o certame. No documento, o promotor afirma que a falta de previsão de cotas no edital está “em frontal desconformidade com a legislação municipal vigente” e que a situação configura “ilegalidade insanável”.

A recomendação dá prazo de cinco dias para que o município se manifeste sobre o cumprimento das medidas. Entre as orientações, estão a suspensão da homologação do resultado final e a não realização de nomeações ou posses até a definição do caso. O MP  também recomenda que, em eventual novo concurso, o edital seja adequado à lei, com a reserva de vagas para candidatos negros.

O inquérito teve origem em manifestação de um candidato, que relatou ter sido prejudicado pela ausência das cotas. Segundo a denúncia, a lista final de aprovados já estaria pronta para homologação e o curso de formação teria início previsto, o que poderia consolidar os efeitos do edital sem a política de inclusão prevista em lei.

Em resposta ao MPMS, a prefeitura de Costa Rica, sob a gestão do prefeito Cleverson Alves dos Santos, o Delegado Cleverson (PP),  afirmou que o edital previa prazos e mecanismos para contestação e que “os interessados não apresentaram questionamentos no momento oportuno”. A gestão também destacou que, ao se inscrever, o candidato declara ciência e concordância com as regras do concurso.

O município argumentou ainda que uma eventual anulação poderia trazer prejuízos. Segundo a prefeitura, a medida causaria “grave prejuízo ao interesse público”, especialmente pelos gastos já realizados e pela necessidade de recompor o efetivo da Guarda Civil. A administração também ressaltou que o concurso está em fase avançada e que alterações neste momento “não são juridicamente viáveis”, sob risco de violar princípios como segurança jurídica e isonomia.

Apesar das justificativas, o Ministério Público sustenta que o descumprimento da lei de cotas compromete a validade do edital desde a origem. O órgão também lembra que políticas de ação afirmativa já foram reconhecidas como constitucionais pelo STF (Supremo Tribunal Federal), por promoverem igualdade de oportunidades.

A reportagem tentou contato com o prefeito e com a gestão municipal para saber se a prefeitura pretende acatar a recomendação do MP. No entanto, não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.

Possível prejuízo — Mesmo com o processo em andamento, candidatos do concurso já temem serem lesados com a possível anulação do certame, que está na etapa de formação dos aprovados.

Um dos candidatos, de 27 anos, que optou por não se identificar, e participou do concurso, disse ao Campo Grande News que se sente prejudicado com a situação. “Sou de Campo Grande e, assim como outros candidatos, estou indignado. Há pessoas que vieram de outros estados, como Goiás e Mato Grosso, e todos tivemos gastos ao longo do processo”, afirmou.

Segundo ele, a preparação exigiu meses de dedicação, incluindo TAF (Teste de Aptidão Física), avaliação psicológica, além de despesas com viagens, exames e inscrições. “Agora, já na fase de formação da Guarda Municipal, somos surpreendidos com a possibilidade de anulação por um erro básico no edital. É difícil aceitar que todo esse esforço seja perdido por uma falha administrativa. Muitos já se viam próximos da nomeação, com expectativa de iniciar a carreira”, disse.

O candidato também destacou o impacto financeiro e emocional. “Além dos gastos, há um desgaste grande. Todo o processo foi realizado no município e gerou custos, e até agora não temos respostas. Esperamos uma solução que não prejudique quem fez a sua parte”, completou.

[**] Matéria editada às 11h50 de 6 de maio de 2026 para acréscimo de relato de candidato.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.