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Campo Grande, Sábado, 17 de Agosto de 2019

12/08/2019 07:14

Onze dias após retirar índios, Polícia Militar permanece em fazenda

Lideranças indígenas na região reclamam de revistas e dizem que não há porque manter o contingente policial

Marta Ferreira
Policial militar aborda veículo em estrada de acesso à fazenda de onde índios foram retirados no dia primeiro. (Fotos: Direito das Ruas)Policial militar aborda veículo em estrada de acesso à fazenda de onde índios foram retirados no dia primeiro. (Fotos: Direito das Ruas)

 

 

Há 11 dias, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul mantém equipes dentro e no entorno da fazenda em Aquidauana, a 135 km de Campo Grande, de onde foi retirado, no dia 1º de agosto, grupo de 200 índios, entre eles representantes da etnia Kinikinau, que vivem espalhados entre outros povos indígenas, por não ter terra demarcada. Segundo a investigação feita pelo Campo Grande News, são policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais), do Batalhão de Choque, do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) e Polícia Militar Rodoviária e também de unidades da região, como a Cavalaria de Nioaque.

A tropa, constantemente renovada, é de pelo menos 30 homens. Parte deles ficam na sede da Fazenda Paraíso, vizinha à Água Branca, onde houve a invasão e despejo, onde também há efetivo militar. Nas estradas de acesso, revistam quem passa, principalmente se forem indígenas, conforme informações repassadas pelo escritório da Funai (Fundação Nacional do Índio) na região e por lideranças dos terena, etnia que está dando apoio ao movimento dos kinikinau. Ninguém quer se identificar por medo de represália.

Uma das lideranças informou que sete caciques da região estão se mobilizando para acionar o MPF (Ministério Público Federal) contra a presença policial. Quando ocorreu a retirada dos índios, o MPF anunciou que investigaria a forma como tudo aconteceu, por não ter havido ordem judicial e por envolver índios reivindicando terras, situação na qual, pela Constituição de 1988, é a Polícia Federal quem deve atuar.

A PF, por sua vez, afirmou no dia seguinte ter acompanhado, com uma equipe de inteligência, e validou a ação da corporação estadual. A alegação foi de que, como não se trata de terra reconhecida como indígena nem existe litígio sobre a área, tratava-se de atuação contra “invasão em um imóvel privado, com danos ao patrimônio”.

Imagem enviada ao Campo Grande News mostra equipe policial na estrada da propriedade rural
(Foto: Direto das Ruas)Imagem enviada ao Campo Grande News mostra equipe policial na estrada da propriedade rural (Foto: Direto das Ruas)

A Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública) afirmou que a Polícia Militar agiu para combater crimes de ameaça, furto qualificado, danos e crimes ambientais.

Como os índios saíram da terra, e voltaram a se distribuir por aldeias da região, as lideranças questionam justamente a necessidade de manter tropa na fazenda e no entorno. “Não faz mais sentido”, diz um deles. Ele afirma que até ônibus levando estudantes para aulas em universidades foram parados.

Uma das suspeitas é de que a presença policial tenha a ver com a investigação sobre ônibus incendiados na época da invasão e retirada dos índios. Mas, ninguém na Polícia Militar fala a respeito.

"Para evitar conflitos" - A apuração do Campo Grande News indentificou descontentamento e questionamento com a operação na região inclusive entre policiais. A reportagem procurou contato com oficiais responsáveis pela tropa na região e também a assessoria de imprensa da corporação. A informação dada é de que só a Sejusp se manifestaria sobre o assunto.

Procurado, o secretário Antônio Carlos Videira, não respondeu às mensagens. A assessoria de imprensa dele, quando consultada, forneceu apenas a informação de que “o contingente policial está na região de Aquidauana desde o fato ocorrido na Fazenda Água Branca”. Outra informação fornecida é de que não poderia ser tornado público o número de policiais deslocados.

Indagado sobre o assunto pela reportagem, o secretário de Governo e Gestão Estratégica, Eduardo Riedel, atribuiu a presença da força policial em Aquidauana a uma necessidade de “sobreaviso”. De acordo com ele, existe uma preocupação tanto com os indígenas quanto com os trabalhadores e proprietários rurais na localidade.

O problema - Sem terra reconhecida, os kinikinau chegaram a ser declarados como extintos, em 1977. Eles vivem misturados a outras etnias. Uma delas é a Terena, que tem aldeias em Aquidauana.

Já houve estudo antropológico para identificar a presença ancestral deles na área, mas os resultados ainda não são conhecidos. O MPF foi consultado sobre o andamento da situação, mas não se manifestou.

Índios na entrada da fazenda no dia da ocupação (Foto: Direto das Ruas)Índios na entrada da fazenda no dia da ocupação (Foto: Direto das Ruas)


É só os grileiros devolverem as terras a seus verdadeiros donos, que são os índios, que a situação voltará ao normal.
 
Critico em 12/08/2019 22:41:08
O Estado do MS tem 140 propriedades particulares legalmente tituladas e que estão invadidas por "indigenas". Se houvesse pronta ação das forças oficiais quando esse movimento criminoso começou, há 20, 10, 6, 3 anos atras, não teria chegado ao ponto que chegou.
O criminoso quando não é contido, continua sua pratica. O crime quando não é combatido, repelido, punido, só tende a se alastrar.
É o que vemos hoje, cidadãos cometendo crimes sem se importar com a lei, ou os policiais.
Omissão e leniência, tem seu preço.
 
monica em 12/08/2019 13:33:45
O governo de MS alega não ter recursos para renovar contratos de empresas de limpeza mas, tem recursos para manter força policial para cuidar de fazenda que pertence a particular.
É uma total desfaçatez.
 
Critico em 12/08/2019 08:05:29
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