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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

17/03/2016 16:07

PF vai investigar ameaça a antropólogo após falso estudo de demarcação

Ameaças começaram após nome de antropólogo ser falsamente vinculado a estudos demarcatórios de áreas indígenas em Dourados

Helio de Freitas, de Dourados

O MPF (Ministério Público Federal) em Mato Grosso do Sul requisitou à Polícia Federal abertura de inquérito para investigar supostas ameaças ao antropólogo e professor da Faind (Faculdade Intercultural Indígena), Levi Marques Pereira.

De acordo com a assessoria do MPF, as ameaças começaram depois que o nome do antropólogo foi falsamente vinculado a estudos antropológicos de áreas em Dourados, a 233 km de Campo Grande. O documento falso teria sido divulgado entre proprietários rurais e empresa de segurança contratada por fazendeiros.

Na segunda-feira (14), o professor compareceu ao MPF em Dourados e relatou que nos dias anteriores um “carro estranho” havia rondado sua casa. Ele contou que também tinha sido informado que “proprietários rurais estavam muito bravos porque supunham que ele havia feito os estudos antropológicos referentes à área recentemente ocupada por indígenas”, nos arredores da reserva de Dourados.

Levi Pereira declarou ainda não ter participado dos estudos antropológicos na região, no entanto, “pouco adiantaria procurar os interessados, especialmente no estado de exaltação” em que se encontravam, segundo o professor.

O MPF informou que outros dois servidores da instituição de ensino também prestaram declaração, confirmando o que foi dito pelo professor e acrescentando que tinham sido informados que os proprietários rurais “estavam se armando”.

Conflitos e mortes – De acordo com o MPF, Mato Grosso do Sul é o estado com os mais graves conflitos fundiários entre indígenas e proprietários rurais. Somente no ano passado, 25 mortes de indígenas foram atribuídas ao conflito.

Em 2013, após a morte do terena Oziel Gabriel durante reintegração de posse, o governo federal instituiu mesas de negociação entre proprietários, indígenas e instâncias governamentais. “As negociações, contudo, não avançaram, ao contrário do conflito, que recrudesce cada vez mais”, diz a assessoria do MPF.



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