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Campo Grande, Terça-feira, 16 de Outubro de 2018

07/01/2014 17:51

União propõe pagar R$ 78 milhões por Buriti e desagrada produtores

Lidiane Kober
Produtores e índios se reunirem com representantes do Ministério da Justiça para ouvir proposta da União (Divulgação)Produtores e índios se reunirem com representantes do Ministério da Justiça para ouvir proposta da União (Divulgação)

Em reunião com produtores rurais e índios, a União propôs, nesta terça-feira (7), pagar R$ 78 milhões por 30 das 34 fazendas, localizadas na região do Buriti. A proposta equivale a pouco mais da metade do valor esperado pelos produtores (R$ 150 milhões), que já questionam a avaliação do Governo Federal.

“Pelos cálculos da União, as terras nuas, mais as benfeitorias valem R$ 78 milhões, mas resta concluir a avaliação de quatro fazendas para terminar o levantamento”, informou, em entrevista por telefone, Lindomar Terena, da Aldeia Cachoeirinha. Ele participou, hoje, de reunião, em Brasília, com o assessor especial do Ministério da Justiça, Marcelo Veiga.

O estudo, conforme Lindomar, será concluído na segunda quinzena de janeiro. Dia 30, será realizada nova reunião para apresentar a avaliação completa. Até lá, os produtores terão tempo para questionar os números do Governo Federal. “A União se comprometeu a ouvir a contraproposta dos produtores e a rever os valores, desde que se prove o contrário”, informou o índio.

Na reunião de hoje, alguns fazendeiros já questionaram os números da avaliação do governo. É o caso de Ricardo Bacha, dono de duas áreas na região, incluindo a Fazenda Buriti, praticamente destruída após invasão e confronto entre índios e produtores.

De acordo com o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Chico Maia, as benfeitorias da Fazenda Buriti foram avaliadas em R$ 531 mil. “Só a sede da fazenda, de 200 metros quadrados, e os galpões, destruídos durante a invasão, valem mais do que isso” comentou.

Em agosto do ano passado, produtores acreditavam que o governo iria pagar R$ 6,6 mil por hectare bruto, totalizando R$ 10 mil somando as benfeitorias. Na região do Buriti são 15 mil hectares, totalizando investimento de cerca de R$ 150 milhões.

Apesar de a proposta final ser inferior ao estimado inicialmente, Chico Maia frisou estar confiante no bom resultado das negociações. “Os produtores terão oportunidade de contestar os valores”, destacou. Os relatórios completos serão entregues até sexta-feira (10) aos fazendeiros. “Vamos conferir se a avaliação é justa e o espírito da negociação é bom”, emendou.

Questionados se a União informou como pagará pelas fazendas, tanto Lindomar quanto Chico afirmaram que a forma de pagamento não foi especificada. “Isso será detalhado na reunião do próximo dia 30”, disse o indígena.

Ainda na reunião de hoje, o governo reafirmou comprometimento em seguir cronograma de avaliação, definido em agosto. Depois da Butiri, as fazendas na região da Aldeia Ivikatu, em Japorã, serão avaliadas para a União efetivar compra. “Até a eleição, o plano é acabar com o impasse”, ressaltou Chico Maia.

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dr. ministro, é só verificar quanto foi declarado no no último IR o valor das terras e reembolsá-los, muito facinho de resolver, ou os " bacanas " declararam um valor a menor para escapar
dos impostos? ai lascou seus aproveitadores.
 
oziel sortica em 08/01/2014 10:59:29
R$6.6 mil por hectare??? ta mais barato que terra no pará!
 
jorge mendes em 08/01/2014 10:05:45
Tem que pagar valor declarado no Imposto de Renda 2013. Acima disto, é corrupção ativa.
 
JOSÉ NASCIMENTO em 08/01/2014 09:10:24
E quanto a parte que me toca que são 50 hectares....tenho sérias dúvidas sobre venda nestas condições...talvez, realmente prefiro apenas o pagamento pelas benfeitorias...Ninguém esta autorizado a negociar em meu nome.
SB
 
Sonia Bacha em 07/01/2014 23:40:07
O governo poderia ser tão generoso quanto o é para Cuba e países africanos, onde perdoa dívidas e dá verbas secretas. Mas a questão nem é essa, é promover a insegurança jurídica e fragilizar o direito da propriedade privada, além de dar mais peso à uma invasão do que à legitimidade da propriedade.
 
Valfrido M. Chaves em 07/01/2014 22:17:16
essas terras não custaram nada as primeiros proprietários, foram invadidas, requeridas ao incra, costume usual e correto para o início do século passado, cultivaram-na por décadas, muitos empréstimos subsidiados e ainda querem por ela um valor absurdo, deve ser a tal bolsa família dos com terra.
 
marcos barbosa em 07/01/2014 20:44:20
estamos em ano político, este assunto é um grande circo para o governo, a população assiste, o governo dá o show de que resolveu o problema, (como nunca antes na História deste País...), e os produtores a pagam a conta do espetáculo ....
Lamentável, mas alguém espera algo diferente deste governo ????
 
Eduardo Almeida em 07/01/2014 19:50:05
Esses ladroes roubaram as terras dos indios e agora temos que pagar para devolve-las,os sem-terras e que tem razao
 
adonias narciso dos santos em 07/01/2014 19:12:17
Essas terras eram da União e foram vendidas, de maneira irregular, pelo Governo aos fazendeiros, compadres dos governantes e militares há época, com um preço "simbólico", para não dizer ridículo. Para desapropriação basta pegar o valor do ITR (que é um valor baixo, para pagarem pouco imposto) mais o valor das benfeitorias, processo semelhante ao que aconteceu na desapropriação da área da atual rodoviária de Campo Grande. 200 metros de áreas construída, com material de primeira, por volta R$ 400,00 o metro, totaliza R$ 80.000,00. Mais galpão, cerca, etc. O valor é condizente. Se os fazendeiros merecem ser justamente indenizados, o que dizer dos indígenas que tiveram suas terras, reconhecidas e legítimas, tomadas há quase um século ? Não é uma barganha é busca pela solução de um problema.
 
Carlos Ferreira em 07/01/2014 18:33:13
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