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Em Pauta

As plantas recrutam inimigos de seus inimigos para matar pragas

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 05/12/2023 08:15
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

Atualmente há formas relativamente eficazes de controlar pragas nas lavouras mediante o uso de pesticidas e plantas modificadas geneticamente, que produzem toxinas que matam larvas comedoras de milho, soja e outras plantas. Todavia, não existe cientista que não saiba que as pragas adquirirão resistência a essas armas. Logo mais, serão obsoletas, além de caras. Mas há alternativa que dê lucro? A Universidade de Nêuchatel, na Suíça, diz que sim, há como abandonar pesticidas continuando com o mesmo lucro ou obtendo lucro ainda maior. É relativamente simples: basta descobrir as flores que mais atraem vespas inimigas de pragas. Já há muitas fazendas na Suíça empregando essa estratégia: plantando um pouco de flores.


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Como uma pobre planta se defende?

É verdade que as plantas não tem garras, dentes ou rabos para afugentar pragas que as devoram. Mas elas têm potentes substâncias químicas repelentes de insetos vermes mordiscadores e chupadores de seiva. De fato, muitos cultivos que adotamos, desde o tabaco até o café, nos atraem devido aos compostos que produzem para afugentar insetos e vermes. Essa é a defesa das plantas: produzir compostos que as defendam.


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Enviando sinais cheirosos......

Muitas plantas adotaram uma estratégia de sobrevivência bastante avançada. Ao invés de irem diretamente à guerra com seus inimigos, enviam sinais cheirosos a insetos que as defendem de outros insetos ou de vermes. É a conhecida estratégia de recrutar os inimigos de seus inimigos. Tudo começou na Universidade da Flórida. Foi lá que começaram os estudos para descobrir os melhores insetos que poderiam matar vermes que comem folhas de milho. Mas não foram adiante. Quem levou esses estudos à frente foram as Universidades de Berna e de Nêuchatel.


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Treinadores de vespas.

Descobriram que as plantas de milho emitem sinais com odores que são muito atrativos para vespas diminutas que põem seus ovos em outros insetos. De cada ovo, sairá uma larva que come o inseto devorador de planta de milho. As plantas de milho também emitem sinais de odor para atrair outro tipo de vespa que come vermes devoradores de folhas de milho. A maioria das vespas são generalistas, podem atacar muitas espécies diferentes de vermes. Esse não é o combate ideal. Demonstraram que as vespas tem de aprender a associar os diferentes odores emitidos pelas plantas com o cocô dos vermes ou insetos que atacam o milharal.


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Odores de defesa passam para plantas vizinhas.

Aprenderam ainda mais. Descobriram que não só as vespas de defesa captam os odores emitidos pelas plantas de milho. As plantas das matas vizinhas também captam esses odores e entram na guerra. Também há outras que apenas ficam "ouvindo" esses sinais sem entrar na batalha dos odores. As plantas que guardam alguma familiaridade com as do milho são as primeiras a entrar na batalha. Estudam as demais para entender o comportamento de cada uma delas. Mas cresce o número de fazendas adotando a técnica de plantar diferentes flores no entorno dos milharais.

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