Faminto por diversão. O homem que inventou a dieta
Imagine que voltamos no tempo até a Veneza de 1.400 d.C. A Itália ainda nem existe como país. Já Veneza é uma cidade-estado independente e muito rica. A mais rica do mundo ocidental. Veneza produz de tudo, de seda a algodão e vidro… luxuosos. Distribui mercadorias exóticas por toda a Europa. Entre seus inúmeros canais, encontramos um homem chamado Luigi Cornaro.
Ficou rico drenando pântanos.
Cornaro começou a vida adulta com parcos recursos. Poderíamos afirmar que era de classe média baixa. Criou uma imensa fortuna ao inventar métodos de drenagem de áreas alagadas. Uma ocupação e tanto na região extremamente pantanosa de Veneza. Era como nosso Pantanal, apenas bem menor.
Aos 40 anos, sentiu-se mal.
Cornaro, como bom italiano, usou sua fortuna para desfrutar de uma vida de comida e bebida abundantes. Mas, aos quarenta anos, essa vida de excessos começou a cobrar seu preço. Ele se sentia pesado, preguiçoso e velho. Sempre inovador, Cornaro começou uma busca fanática por um estilo de vida mais saudável.
Criou uma dieta.
Depois de consultar alguns médicos, Cornaro criou uma dieta seguindo um conjunto de regras rígidas. Ele não comia mais do que 350 gramas de alimentos por dia. Exclusivamente ovos, carne, sopa de legumes e uma fatia de pão. E - naturalmente - um pouco de vinho. Mas no máximo meia garrafa por dia. Para ele, era uma diversão. Acostumou-se rapidamente e ria muito. Há quem diga que Cornaro trocou o excesso de comida pelo excesso de alegria.
Saúde excelente.
Essa nova dieta restritiva fez maravilhas pela saúde de Cornaro. Ele ficou tão impressionado com seu progresso que decidiu escrever um livro sobre a dieta. O livro foi apropriadamente intitulado “Discorsi della vita sobria”- Discurso sobre a vida moderada. O livro foi um grande sucesso, ganhando rapidamente traduções em diversas línguas. Quanto ao próprio Cornaro, ele nunca mais se afastou dessa dieta. Não sabemos exatamente a idade que tinha quando morreu. Lúcido e com boa saúde, tinha entre 98 anos e 102 anos. É meu livro de cabeceira. Uma vida moderada para bem viver. Sem extremismo de qualquer tipo.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.






