Pobres ou ricas, as concubinas no passado do Mato Grosso do Sul
Mulheres tornavam-se concubinas buscando proteção, moradia e sustento. Por volta de 1.800, diferente de nossos tempos, o concubinato era uma união reconhecida. Ainda que inferior ao casamento, era um status que servia para produzir herdeiros ou como alternativa à pobreza ou prostituição. Existem parcos documentos sobre concubinas no passado do Mato Grosso do Sul, mas há vários relatos em testamentos, lista de prisioneiros e inventários.
Sem padre e sem cartório.
Padre? A regra era morrer sem ver um só homem de batina. Eram raríssimos. Pior ainda eram os juízes e cartórios. Quase inexistentes. Em uma população onde a quase totalidade era constituída por católicos, a religião era preservada única e exclusivamente pela vontade popular. Esses os fatores fundamentais para muitos casais no “oitocento” não terem formalizados suas uniões conjugais.
Elite e pobres.
Em alguns raros documentos que a história vem analisando, percebemos que o concubinato, tão condenado pela igreja, aparece como corriqueiro e era praticado, tanto pelas pessoas das elites quanto pela população pobre. Também surge um documento singular, talvez único, em que uma senhora denominada Leonora Pedrosa Lopez entrou na justiça com um pedido de “divórcio litigioso”. Há outro, de 1.878, que nos chama a atenção. Benedito Dias da Cruz Cordeiro recorre a justiça, solicitando herança, afirmando ser filho de Francisco Dias da Cruz Cordeiro que vivia uma “situação amorosa” com uma indígena quiniquinao.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.




