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Em Pauta

Milhares de anos antes dos índios: a descoberta do fogo no Pantanal

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 15/05/2026 07:00
Milhares de anos antes dos índios: a descoberta do fogo no Pantanal

Quando soprava mais forte o vento, costumávamos empilhar as reservas de lenha e árvores derrubadas na frente da caverna (onde hoje é Aquidauana). Acendíamos uma fogueira monumental e imaginávamos que estávamos protegidos do frio. Quase sempre encontrávamos dificuldades em suprir de madeira uma fogueira daquele tamanho. Mamutes (o ancestral do elefante) nos mantinham quentes, graças ao hábito que tinham de destroçar árvores para testar seus dentes e a força de seus trancos. Era seu esporte predileto. Eles só arrancavam árvores se estavam furiosos ou queriam exibir seus dotes às fêmeas. Na época do acasalamento bastava seguir as manadas para recolher lenha. Ao longe, avistávamos preguiças-gigantes, tatus-canastras, tigres-dente-de-sabre e o toxodon (um animal com aparência intermediária entre um hipopótamo e um rinoceronte). Tínhamos medo.


Milhares de anos antes dos índios: a descoberta do fogo no Pantanal

O primeiro debate sobre o fogo.

Meu tio dizia a meu pai que era liberal, pois aceitava o uso da pedra para fazer lanças. Mas fogo? Isso mudava tudo. Poderia levar a qualquer lugar. Afetava a todos. Você pode queimar a mata inteira com ele. E aí, como viveremos? Meu pai rebatia que não tinha perigo se fosse controlado. E como controlar essa coisa? Voltava a questionar meu tio. Bem, dá para controlar mais ou menos, argumentava meu pai. Como assim, mais ou menos? Ou consegue controlar ou não consegue. Não minta. Sabe apagá-lo? Meu tio continuava a debater. Se não for alimentado, o fogo se extinguirá por si mesmo, meu pai ficava na defensiva.


Milhares de anos antes dos índios: a descoberta do fogo no Pantanal

Descobri há poucos meses.

Ora, descobri o fogo há poucos meses, explicava meu pai. E sabe de uma coisa? Trata-se de um material fascinante. Apresenta possibilidades estupendas. Podemos fazer de tudo com o fogo, além do mero aquecimento. Pense na fumaça. Acredite se quiser, ela espanta as moscas e afugenta os mosquitos. Claro, o fogo é ardiloso, difícil de transportar. Possui um apetite voraz, come como um mastodonte. Costuma cuspir, machuca quando toca na gente, exige muito cuidado. Mas como toda grande novidade, abre novos horizontes positivos. De repente, meu tio saiu pulando pois tinha um dos pés em cima de uma brasa. Nem percebera, estava entusiasmado com a discussão. A brasa foi abrindo caminho no couro grosso da sola de seu pé.


Milhares de anos antes dos índios: a descoberta do fogo no Pantanal

Homens e árvores do  Pantanal pré-histórico.

Milhares de anos antes dos atuais indígenas, existiram povos pré-históricos no Pantanal. As maiores árvores da região eram o ipê-roxo, a aroeira, o angico, as gigantescas e belíssimas araucárias a o manduvi, a grande árvore onde as araras fazem morada.

 

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