Milhares de anos antes dos indígenas: pescando armau no Pantanal
Baseávamos nossa dieta sobretudo em frutas, raízes e especialmente no arroz. Adorávamos o arroz que nascia livremente. Dávamos graças pelas lagartas e larvas gordas que reforçavam a dose de proteínas ingeridas. Tínhamos muitos alimentos energéticos no grande rio que estava logo abaixo de nossa caverna na serra (hoje, chamada de Amolar). Havia carne à vontade perto da caverna. Roedores menores, que se podiam acertar com uma pedra, depois tartarugas, cágados, lagartos e cobras. Só era possível comer um deles quando estudávamos seus hábitos atentamente.
Construindo uma canoa.
Meu pai e meu tio construíram uma canoa. Foi um momento inesquecível para todos da caverna. Eles tinham conseguido um enorme couro de um mastodonte (o antecessor do elefante). Com suas facas de pedra afiada ( sílex) cortaram o couro até ficar bem redondo. Após muita discussão, me colocaram para arrumar algumas varetas que colocariam em torno do couro. Foram muitas horas debatendo como pregá-las no couro. A primeira tentativa deu na água. Afundou. Mas os dois eram persistentes. Na quarta tentativa, conseguiram colocar a canoa redonda flutuando no grande rio (Paraguai).
Como fizemos anzóis e linhas.
Fazíamos anzóis com ossos de animais, chifres, conchas, madeira dura e espinhos. Era uma tarefa que eu e meus amigos iniciávamos. Mas meu pai e meu tio, terminavam. Eles tinham de ficar bem retos. Suas pontas tinham de ficar muito afiadas. Quando o peixe mordia a isca, o anzol ficava preso transversalmente na boca. Já as linhas, eu não gostava de fazer. Nunca gostei de costurar. Minha mãe fazia finas cordas de casca de árvores e de raízes. Também de tendões de animais, após secos e trançados. Eventualmente, usava tripas.
Os peixes do Pantanal antes dos índios.
Cuiú-cuiú era um peixe de couraça óssea. O armau, também de couraça óssea era provavelmente mais comum. Cascudos, que estavam por todos os lados, apresentavam placas ósseas e boca em posição inferior. Debate-se a existência do pirarucu no Pantanal, considerado um “fóssil vivo“, por manter características de seus ancestrais com respiração aérea.
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