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Em Pauta

O ano em que a ciência se tornou pop. A mulher da vacina

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 29/12/2020 06:21
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

Nada é mais pop que a ciência. Nunca a ciência conquistou tanto espaço e interesse como em 2020. É verdade que a ciência se tornou tão complexa que muitos sentiram que era pouco relevante para suas vidas. Mas o vírus mudou de um só golpe essa falsa percepção. Mas ainda resta saber, manterá esse essencial reconhecimento e apoio no futuro?


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O Prêmio Nobel da Vida vai para Katalin.

Na corrida pela vacina, até o momento, quem venceu foram as feitas com RNA : Pfizer associada com a BioNTech e a da Moderna. Quem criou essas vacinas foi Katalin Karikó, uma húngara, que fugiu do comunismo e foi parar nos Estados Unidos. Queria mesmo era viver na Espanha, mas a ditadura húngara não lhe permitiu. Ela desejava usar o RNA para curar o câncer, mas não conseguia financiamento para suas pesquisas. "Todas as noites pensava: subvenção, subvenção, subvenção. As respostas sempre eram: não, não, não". Filha de um açougueiro, desde cedo observava os cortes das carnes e daí, acredita, resultou seu interesse pela ciência. O mundo científico está debatendo qual Nobel terá de lhe ser dado.... talvez o Nobel da Vida.


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A moda era fazer pesquisas com DNA e não com RNA.

Depois de cursar bioquímica na Hungria, foi para os Estados Unidos e nunca mais retornou. Mas ninguém apoiava sua ideia de trabalhar com o RNA. Chegou a ser demitida da Universidade da Pensilvânia. Mesmo assim, não desistiu. Com o passar dos anos, muitos morreram com as pesquisas para curar câncer feitas com DNA. Desistiram.


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Até que um cientista da equipe de Anthony Fauci....

De 1985 ao ano 2.000, nada mudou na vida de Katalin Karikó. Uma vida repleta de negativas. Até que um dia ela foi à fotocopiadora da universidade e encontrou Drew Weissman, um cientista da equipe de Anthony Fauci, uma eminência em HIV. Weissman queria uma vacina contra a Aids e acolheu Karkó em seu laboratório para que tentasse com RNA. As primeiras pesquisas mostraram que a vacina de RNA produzia uma inflamação importante. Mas logo a seguir, Katalin conseguiu mudar apenas uma letrinha do RNA e não produzir a inflamação. Mas seu trabalho foi para a estante do esquecimento.


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Depois do sequenciamento do genoma do vírus....

Katalin e Weissman patentearam a pesquisa. Mas a universidade da Pensilvânia queria faturar rapidamente e venderam a patente por US$ 300.000 para uma empresa desconhecida. Em seguida, a revenderam por US$ 420 milhões. Assim que os chineses sequenciaram o genoma do vírus, usaram essa pesquisa para fazer as duas vacinas que melhores resultados tem demonstrado. Katalin diz que continua vivendo na mesma pequena casa, usando o mesmo carro velho, não usa joias e, com seus 65 anos de idade, afirma que está muito velha para mudar de vida. A vitória e a fama não lhe subiram à cabeça.

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