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Em Pauta

O poder brando das flores nas negociações de paz

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 28/04/2026 07:00
O poder brando das flores nas negociações de paz

Nas conferências de paz ou em visitas oficiais, as flores são escolhidas para marcar a importância da situação. É o poder brando - o “soft power” - nas relações internacionais. Delicadas e poderosas ao mesmo tempo, as flores tem sido a ferramenta espiritual e de comunicação desde o Antigo Egito, onde o lótus não só era a flor do país, mas a marca indelével de que desejavam a paz com outros povos. Se um faraó aparecia com um ramo de lótus, era sinal de que teriam paz.


O poder brando das flores nas negociações de paz

O ramo de oliva romano.

Na Roma Antiga, um ramo de oliva marcava o ambiente de paz. Era a planta dos deuses. Todas as decisões do Senado que indicavam a paz com algum povo tinham um ramo dessa planta. Sem a oliva, uma conferência romana com outros povos era uma declaração de guerra ou de falta de preparação e cuidados para algo importante.


O poder brando das flores nas negociações de paz

Lirio católico e rosa protestante.

Nos anos noventa, as conversações de paz na Irlanda do Norte foram tensas desde o principio. De um lado, os católicos da Irlanda do Norte exigiam que o ambiente estivesse cheio de lírios, a flor católica por excelência. Mas os irlandeses do sul, protestantes, não admitiam enfeitar o salão com lírios, queriam sua rosas. As saída for encher o local com outras flores. Não podia ter conotação politica floral. Uma rara querela de flores.


O poder brando das flores nas negociações de paz

Os campos de paz floridos na I Guerra Mundial.

Há simbolismos florais que atravessam os tempos. Estão acima dos fracassos humanos, aqueles que se rendem aos desejosos de guerra. Tentando evitar essa guerra, milhares de fazendeiros da Bélgica e do norte da França, destinaram uma pequena porção de seus campos ao plantio de flores, ao invés de grãos e verduras.


O poder brando das flores nas negociações de paz

Contra as taxas de Trump, 150.000 tulipas.

Os chefes de Estado xingaram, se ajoelharam ou se calaram quando Trump impôs ao mundo suas famigeradas taxas. Os holandeses tomaram uma atitude muito mais inteligente. Presentearam a Casa Branca com 150.000 tulipas. Encheram a Esplanada Nacional de Washington - National Mall - com essas lindas flores e as dispuseram de maneira que o povo pudesse levá-las gratuitamente. Uma curiosidade: ainda que muitos imaginem que as tulipas são originárias da Holanda, elas são, em verdade, asiáticas. É estranho, mas é a margarida, e não a tulipa, a flor oficial holandesa.

 

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