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Direto das Ruas

Caminhoneiros criticam falta de pontos de parada e descanso em Campo Grande

Relatos incluem pernoite em meio ao mato, medo de assaltos e espera sem infraestrutura adequada

Por Anderson Viegas e Ketlen Gomes | 13/06/2026 13:05
Caminhoneiros criticam falta de pontos de parada e descanso em Campo Grande
Lei dos Caminhoneiros institui direito, mas não aponta quem deveria implantar e manter os PDDs (Foto: Osmar Veiga)

Em vigor há 11 anos, a Lei dos Caminhoneiros (Lei nº 13.103/2015) estabeleceu regras para a jornada de trabalho e previu a criação dos PPDs (Pontos de Parada e Descanso), locais com condições mínimas de segurança, higiene e conforto para que os profissionais possam, durante a jornada, aguardar o carregamento ou descarregamento de cargas, repousar e cumprir os períodos obrigatórios de descanso.

Caminhoneiros criticam falta de pontos de parada e descanso em Campo Grande
Região do Polo Industrial tem trânsito intenso de veículos de carga (Foto: Osmar Veiga)

RESUMO

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Em vigor há 11 anos, a Lei dos Caminhoneiros garante pontos de parada e descanso, mas não define quem deve implantá-los e mantê-los. Em Campo Grande, especialmente no Polo Industrial Oeste, motoristas denunciam falta de estrutura, segurança, iluminação e limpeza para aguardar cargas e descansar. A reportagem constatou áreas tomadas por mato e nenhuma resposta da prefeitura foi obtida.

 A legislação garantiu esse direito, mas deixou uma lacuna ao não definir claramente de quem seria a responsabilidade pela implantação e manutenção desses espaços, seja da União, dos estados, dos municípios ou da iniciativa privada.

 Caminhoneiros que passam frequentemente por Campo Grande criticam a falta de PPDs na cidade, especialmente na região do Polo Industrial Oeste. O Campo Grande News recebeu as reclamações pelo Direto das Ruas e foi até o local verificar a situação.

Caminhoneiros criticam falta de pontos de parada e descanso em Campo Grande
Vladimir Gonçalves, de 50 anos e há duas décadas na estrada (Foto: Osmar Veiga)

 “Nós motoristas queremos que o poder público, a prefeitura de Campo Grande, dê uma olhada aí no bairro, aí na base do setor industrial, aí em frente ao Tomazelli, a Seara, a Aurora, três empresas que tem aí, nós motoristas ficamos esperando pra descarregar o caminhão, né? E você pode ver lá na frente da Seara, aquele mato, aquela poeira lá, não tem nem condições de nós abrirmos a caixa de comida pra fazer um almoço, fazer uma janta, um café da manhã, devido ao mato que tá... agora ainda deram uma roçada lá, mas é muito ruim isso aí. Iluminação à noite também, que a gente dorme na frente da empresa lá, à noite também a iluminação é precária”, disse Celso, de 61 anos, caminhoneiro de Rondônia.

 Ele completou que as empresas oferecem banheiro e água, mas que faltam condições adequadas para a espera antes da descarga. “Gostaria que o poder público aí desse uma olhada aí e ajudasse nós motoristas aí vão ficar no meio do mato aí pode ter cobra, pode ter alguma aranha, alguma coisa pode ser picado aí então pedimos ao poder Público aí, Prefeitura Municipal, pra manter esse lugar ali, e a iluminação também, que é a noite, aí é um breu, aí é escuridão”.

 A reportagem do Campo Grande News esteve no local e constatou que, em frente às empresas, do outro lado da via, há apenas uma extensa área coberta por vegetação. No momento da visita, um caminhoneiro aguardava para descarregar e precisou estacionar na contramão porque o lado oposto era tomado pelo mato.

José Cláudio, de 47 anos, está há 27 anos na profissão e afirma que a falta de estrutura é um problema recorrente. “Tem que ter um espaço especial. A gente chega dos postos e não tem espaço, não tem lugar para encostar. Não tem mais nada. Você dorme na rua e, na rua, a gente fica sendo incomodado por usuários de drogas.”

Caminhoneiros criticam falta de pontos de parada e descanso em Campo Grande
José Cláudio, de 47 anos, está há 27 anos na profissão (Foto: Osmar Veiga)

Ele conta que já enfrentou situações de insegurança enquanto aguardava atendimento em Campo Grande. Segundo ele, algumas pessoas pediam comida, observavam o caminhão e, às vezes, voltavam mais tarde para levar um botijão de gás que ficava na própria cozinha.

Parado às margens da estrada, Cícero, conhecido como Tom, de 50 anos, morador de Bataguassu, afirma que o problema vai além da Capital.

 “É complicado, hoje aqui no Brasil, em canto nenhum você consegue encontrar ponto de apoio. Ninguém se preocupam em cuidar do transporte, vê o transporte como é que está, a situação que anda o transporte. Você não tem um local pra ficar seguro, pra ficar parado e pernoitar, fazer uma comida. Hoje, no jogo do Brasil, não tem lugar pra você ficar. Muitas vezes onde você chega, em um posto de gasolina que você chega, o cara fala ‘se não abastece, você não pode ficar aqui’. Então é complicado, hoje em dia o transporte, cada dia que passa está ficando pior, porque não tem ninguém. Muita gente fala, fala, vem político, mas ‘nego’ não vem ver a realidade, ‘nego’ não corre pra ver a realidade. Nós não temos uma pista com qualidade, nós não temos uma BR que você pode andar com confiança, que dê segurança. Pra todo mundo é difícil”.

Caminhoneiros criticam falta de pontos de parada e descanso em Campo Grande
Cícero, conhecido como Tom, de 50 anos, morador de Bataguassu (Foto: Osmar Veiga)

Já Vladimir Gonçalves, de 50 anos e caminhoneiro há 20 anos, avalia que a situação em Mato Grosso do Sul é melhor do que em outras regiões do país.

 “Até que aqui no Mato Grosso do Sul não é não (muito difícil local pra parar). Até que aqui tem bastante posto. Claro que depende do horário que tu chega está lotado, aí dificulta que tem que procurar outro, mas não é ruim não”, comentou.

 Joel Muzi, de 44 anos, também considera que o principal problema é a falta de espaço para veículos de grande porte. “Falta um pouquinho de estrutura, está bem apertado para encostar caminhão grande, tem pouco espaço físico pra gente poder encostar”.

 Segundo ele, essa dificuldade também é observada em outras regiões do país e tem se tornado cada vez mais comum.

O Campo Grande News questionou a prefeitura de Campo Grande sobre a situação, mas até a mais recente atualização da matéria não obteve retorno. O espaço segue aberto para a manifestação do município.