Comércio bate recorde no país, mas Mato Grosso do Sul registra queda nas vendas
Estado teve queda de 1,2% no varejo ampliado e ficou entre os piores desempenhos do país em março

Enquanto o comércio varejista brasileiro renovou em março o maior patamar da série histórica iniciada em 2000, Mato Grosso do Sul apareceu entre os estados com retração nas vendas, sinalizando um freio no consumo em meio ao cenário de juros altos e orçamento mais apertado das famílias.
RESUMO
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Dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE, mostram que o varejo nacional cresceu 0,5% em março na comparação com fevereiro, acumulando o terceiro avanço consecutivo e consolidando uma sequência de expansão iniciada ainda no fim de 2025.
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No recorte regional, porém, o desempenho sul-mato-grossense destoou do cenário nacional. No chamado varejo ampliado — que inclui segmentos como veículos e materiais de construção — Mato Grosso do Sul registrou queda de 1,2% no período, ficando entre os estados que mais puxaram o índice para baixo no país.
O resultado coloca o Estado ao lado de unidades da federação como Pernambuco (-2,1%) e Bahia (-1,0%), enquanto outras regiões avançaram com força, caso do Amazonas (8,4%), Roraima (5,6%) e Paraná (4,0%).
No Brasil, o principal motor do crescimento continua sendo o consumo ligado à tecnologia, combustíveis e itens de uso pessoal. O destaque absoluto ficou com o segmento de equipamentos de informática, comunicação e escritório, que disparou 5,7% no mês e impressionantes 22,5% na comparação com março do ano passado.
Segundo o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, o setor vem sendo favorecido pela valorização do real frente ao dólar nos últimos meses, reduzindo custos de produtos importados, especialmente celulares, computadores e televisores.
Outro grupo que ajudou a sustentar o varejo nacional foi o de combustíveis e lubrificantes, com alta de 2,9%, além das lojas de departamentos, óticas, artigos esportivos e brinquedos, reunidos na categoria “outros artigos de uso pessoal e doméstico”, também com crescimento de 2,9%.
Por outro lado, o consumidor começou a reduzir compras em áreas tradicionalmente ligadas ao orçamento doméstico. O setor de hiper e supermercados teve queda de 1,4% em março, pior resultado desde junho de 2024. Móveis e eletrodomésticos também recuaram 0,9%.
Mesmo com a desaceleração em alguns segmentos, o varejo brasileiro mantém trajetória positiva. Na comparação com março de 2025, todas as oito atividades pesquisadas pelo IBGE apresentaram crescimento.
O avanço nacional de 4% em relação ao ano passado foi puxado principalmente pelas vendas em lojas de departamentos, artigos pessoais e combustíveis, setores que juntos responderam por quase metade do resultado geral.
Para Mato Grosso do Sul, o desempenho negativo em março surge justamente num momento em que outros indicadores econômicos do Estado seguem aquecidos, como geração de empregos, exportações e crescimento do setor de serviços. O contraste reforça um cenário em que parte das famílias continua mais cautelosa no consumo do dia a dia, especialmente em compras de maior valor e nas despesas de supermercado.

