Estrada liga produção, turismo e Rota Bioceânica em novo corredor de crescimento
Com nova rota, MS amplia acesso ao Corredor Bioceânico e fortalece integração com Paraguai, Argentina e Chile

A pavimentação dos 53,9 quilômetros da rodovia MS-355, entre as cidades de Terenos e Dois Irmãos do Buriti, deve ampliar a integração logística na região sudoeste de Mato Grosso do Sul, reduzindo custos de transporte, melhorando o escoamento da produção agropecuária e fortalecendo a competitividade econômica dos municípios.
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A pavimentação dos 53,9 quilômetros da rodovia MS-355, entre Terenos e Dois Irmãos do Buriti, com investimento de R$ 230,4 milhões financiados pelo BNDES, promete impulsionar a logística e o turismo no sudoeste de Mato Grosso do Sul. A obra, iniciada em fevereiro com previsão de conclusão em agosto de 2028, criará nova rota de acesso a Bonito e reforçará a conexão com a Rota Bioceânica, beneficiando assentamentos rurais e atraindo novos investimentos à região.
A obra também cria uma nova alternativa de acesso terrestre a Bonito, um dos principais destinos turísticos do País, além de reforçar a conexão regional com os eixos da Rota Bioceânica. A megaestrada deve ampliar a integração comercial, cultural e turística entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, além de encurtar a distância para a exportação de produtos brasileiros ao mercado asiático.
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Segundo a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), a pavimentação da MS-355 começa ainda no trecho urbano dentro do município de Terenos, passa pela Colônia Cascavel e chega a Dois Irmãos do Buriti. Na cidade, há conexão com outra rodovia estadual, a MS-347, que possui um trecho já pavimentado e outro em obras de pavimentação, levando até a BR-419.
Nessa interseção, há duas alternativas conforme o destino do condutor, que pode seguir ao norte da rodovia federal rumo à MS-345 e, a partir dela, chegar a Bonito, ou ao sul, até a BR-060, chegando a Nioaque e depois passando por Guia Lopes da Laguna e acessando a MS-382 para alcançar Bonito.
Se o destino for outros municípios do sudoeste, como Jardim e Porto Murtinho, ou mesmo a Rota Bioceânica, o condutor pode seguir adiante pela BR-060 até a BR-267. Pela BR-267 há outro acesso a Bonito, via MS-178, que conduz também até Bodoquena.
Com a nova ligação rodoviária, Mato Grosso do Sul passa a contar com quatro principais alternativas de acesso terrestre entre Campo Grande, Bonito e os eixos da Rota Bioceânica:
- BR-060/BR-267/MS-382/MS-178;
- BR-262/MS-345/MS-178;
- BR-262/MS-339/MS-178;
- BR-262/MS-355/MS-347/BR-419/BR-060/MS-382/MS-178.
Detalhamento da obra
Segundo a Agesul, a pavimentação tem investimento previsto de R$ 230,4 milhões, provenientes do programa de investimentos do Governo do Estado, com recursos financiados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). As obras foram iniciadas no dia 25 de fevereiro e têm previsão de conclusão em 900 dias, ou seja, em agosto de 2028.
A agência aponta que, dentro do projeto de pavimentação, serão construídas três pontes de concreto. Atualmente, as obras estão na etapa de serviços de limpeza e demarcação nos primeiros sete quilômetros da estrada. Como obra complementar, a Agesul informa que está em estudo a pavimentação de um contorno viário de 6,6 quilômetros entre a BR-262 e a MS-355. Esse trecho passa por dentro de uma propriedade privada e visa retirar o tráfego pesado do perímetro urbano.

Estudos do órgão apontam que a implantação da pavimentação vai possibilitar a redução de aproximadamente 30 quilômetros no trajeto entre Campo Grande e Dois Irmãos do Buriti, além de transformar a via em um corredor de escoamento da produção e elo de conexão estratégica com a Rota Bioceânica, criando também uma alternativa de acesso a Bonito.
No aspecto social, a obra deve melhorar o atendimento aos assentamentos rurais da região, facilitando o escoamento da produção agropecuária dos pequenos produtores rurais da região, o transporte escolar e o deslocamento de veículos de emergência médica.
O prefeito de Terenos, Arlindo Landolfi Filho (Republicanos), classificou a obra como um marco histórico para a cidade.
“Acho que é um investimento corajoso do Governo do Estado para unir Terenos e Dois Irmãos do Buriti, e não apenas as duas cidades, mas também as pessoas ao futuro. Vejo isso como uma grande possibilidade de desenvolvimento para nossa cidade, com mais empresas vindo para cá interessadas porque vai ser uma rota opcional para o Corredor Bioceânico e para se chegar a Bonito. Já temos algumas indústrias se instalando, como uma de fabricação de blocos de concreto e uma farmacêutica. Elas estão vindo justamente por conta dessa melhoria logística”, pontuou.
Landolfi Filho destacou também o desenvolvimento social do empreendimento, com a melhoria do acesso diretamente a dez assentamentos na região, beneficiando pelo menos 3,5 mil pessoas.
“Por essa estrada passa a produção desses assentamentos, passam ônibus escolares, passam equipes de saúde. Então vai melhorar muito a qualidade de vida dos nossos munícipes. Além disso, muitas pessoas que hoje vão para Campo Grande ou Sidrolândia fazer compras, devido às atuais condições da MS-355, agora vão vir para Terenos. Isso vai movimentar o comércio local.”
Outro aspecto que deve ter incremento, conforme o prefeito, é o turismo local.
“Recebemos atualmente muitas pessoas que vêm para pescar, seja na Ponte do Grego, na Barra ou para tomar banho no Cachoeirão. Queremos potencializar isso, porque vai ser uma rota turística, em que as pessoas vão passar para ir a Bonito e acessar a Rota Bioceânica”, destacou.
O agricultor familiar Moacyr Cecílio da Costa Neto possui uma propriedade de 10 hectares bem no início da rodovia, a cerca de três quilômetros da cidade, e conta que a pavimentação da estrada é um sonho acalentado há décadas pelos moradores da região.

“Moro aqui desde 1989 e, desde essa época, sonhamos com o asfaltamento da rodovia. Hoje a situação é precária, principalmente nesse trecho inicial de 6 km logo após a saída da cidade. Trabalho com piscicultura, tenho 4 açudes, mas meu sonho é fazer um pesque-pague. Só que, na condição atual da rodovia, as pessoas não vêm à minha casa nem para comer churrasco de graça. Quando chove, vira um atoleiro e acontecem acidentes com frequência. Com a pavimentação, vou poder, se Deus quiser, concretizar meu sonho.”

Na área industrial, Rafael Deluqui de Souza e Silva, gerente da Fort BR, destaca que a empresa de fabricação de blocos de concreto estruturais, de vedação e para piso está iniciando operações no município, com expectativa muito positiva em relação à melhoria logística.
“Começamos a montagem no fim do ano passado e estamos indo para o segundo mês de produção. O proprietário escolheu Terenos para montar a unidade, entre outros motivos, porque está em um ponto estratégico para o escoamento da produção. Estamos próximos a Campo Grande e agora, com a nova rodovia e esse corredor que vai conectar à Rota Bioceânica, temos uma nova perspectiva. Nosso foco é atender prioritariamente Mato Grosso do Sul, até diversificando nossa produção, com churrasqueiras e tubos de drenagem, mas temos adiante uma baita oportunidade. Por que não exportar? Mandar um pouquinho da nossa produção para fora do Estado, pensando no mercado sul-americano, no Paraguai e na Argentina?”, explicou.
O empresário Lincoln Marcos Nonato Garcia de Brito e Silva, que possui duas farmácias em Terenos, é outro que aposta em forte desenvolvimento para o município e região com a pavimentação.
“Vejo a MS-355 como uma obra estratégica para transformar a realidade econômica da nossa região. A pavimentação vai melhorar a logística, reduzir custos de transporte, dar mais segurança para quem trafega diariamente e aproximar Terenos, Dois Irmãos do Buriti e toda a região produtiva de Campo Grande e dos grandes corredores de exportação. Além disso, é uma obra que deve atrair novos investimentos, valorizar propriedades e fortalecer o desenvolvimento regional de forma sustentável.”
Entre os segmentos que ele aposta como principais beneficiados estão o agronegócio, a pecuária, os produtores da agricultura familiar, o setor de transporte, o comércio local e os prestadores de serviço.
“A região possui forte produção agropecuária e muitos assentamentos rurais, então uma estrada estruturada melhora o escoamento da produção, reduz perdas e facilita o acesso a mercados consumidores. O turismo também tende a crescer, principalmente pelo fluxo em direção a Bonito e ao eixo da Rota Bioceânica.”
A Rota Bioceânica
O Corredor Bioceânico, também chamado de RILA (Rota de Integração Latino-Americana) ou Corredor Rodoviário de Capricórnio, é uma megaestrutura com mais de 2,4 mil quilômetros que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Veja mais detalhes no mapa abaixo:
Porto Murtinho é o portal da rota no Brasil. A expectativa dos quatro países é que o corredor se consolide como uma via estratégica de escoamento e importação de mercadorias entre a América do Sul e a Ásia, com potencial de reduzir em até 30% os custos logísticos e em até 15 dias o tempo de transporte, em comparação às rotas tradicionais, como o Canal do Panamá.
Bonito é reconhecido mundialmente como um polo de ecoturismo. O município conta com mais de 40 atrativos que possibilitam aos visitantes contemplar as belezas naturais da região, visitando grutas, cachoeiras e rios de águas cristalinas, além de praticar turismo de aventura percorrendo trilhas, fazendo arvorismo, flutuação em botes, boias, pranchas ou caiaques, passeios de quadriciclo, a cavalo ou de bicicleta, além de atividades como rapel e mergulho em rios e lagos.
O turista também pode conhecer a ictiofauna local visitando o aquário ou experimentar a gastronomia regional em bares e restaurantes. Em 2025, Bonito recebeu, conforme o OTEB (Observatório de Turismo e Eventos de Bonito), 293.712 turistas.









