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Economia

Inadimplência no agronegócio dispara e chega a 20,74% na carteira da Caixa

Percentual de operações do setor em atraso há mais de 90 dias avançou de 7,02% para 20,74% em um ano

Por Jhefferson Gamarra | 28/08/2026 19:05
Inadimplência no agronegócio dispara e chega a 20,74% na carteira da Caixa
Colheita de grãos em Maracaju, uma das cidades mais ricas do agronegócio nacional (Foto: Divulgação)

A inadimplência na carteira de crédito voltada ao agronegócio da Caixa Econômica Federal disparou no intervalo de um ano e chegou a 20,74% em junho de 2026, segundo a apresentação de resultados do segundo trimestre divulgada pelo banco. O índice, que considera operações com atraso superior a 90 dias, era de 7,02% em junho de 2025 e já havia alcançado 18,29% em março deste ano.

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A inadimplência na carteira de crédito para o agronegócio da Caixa Econômica Federal saltou de 7,02% em junho de 2025 para 20,74% em junho de 2026, segundo resultados do segundo trimestre do banco. O ativo problemático do setor mais que dobrou, passando de R$ 6 bilhões para R$ 17 bilhões no período, enquanto a carteira total ficou estável em R$ 62 bilhões. O índice geral de inadimplência da Caixa foi de 3,64% no mesmo mês.

O avanço ocorre enquanto a Caixa mantém uma carteira de R$ 62,3 bilhões em crédito para o agronegócio, equivalente a uma alta de 3% em relação a junho de 2025. No primeiro semestre deste ano, o banco contratou R$ 6 bilhões em operações para o setor, crescimento de 4,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O aumento da inadimplência aparece também na classificação de risco da carteira. De acordo com os dados apresentados pela instituição, o chamado ativo problemático do agronegócio (que reúne operações classificadas em situação de maior risco) passou de R$ 6 bilhões em junho de 2025 para R$ 17 bilhões em junho de 2026. Em março, esse volume já estava em R$ 13 bilhões.

Na prática, o valor mais que dobrou em um ano, enquanto a carteira total do segmento ficou relativamente estável, passando de R$ 61 bilhões para R$ 62 bilhões no período. A parcela classificada nos estágios 1 e 2, que somava R$ 55 bilhões em junho de 2025, caiu para R$ 46 bilhões um ano depois.

Pressão sobre a carteira - Os números mostram que a deterioração da qualidade do crédito no agronegócio foi mais intensa do que nos demais segmentos destacados pela Caixa. Em junho, a inadimplência da carteira comercial estava em 9,32%, enquanto a imobiliária ficou em 1,45% e a de infraestrutura em apenas 0,03%. O índice geral da Caixa terminou o mês em 3,64%.

O agronegócio também apresentou o maior avanço no chamado ativo problemático entre os segmentos apresentados. No período de junho de 2025 a junho de 2026, o valor passou de R$ 6 bilhões para R$ 17 bilhões. Na carteira comercial, por exemplo, o ativo problemático subiu de R$ 26 bilhões para R$ 34 bilhões, enquanto na infraestrutura recuou de R$ 6 bilhões para R$ 5 bilhões.

Outro indicador que evidencia a deterioração está na classificação por estágios de risco. Em junho de 2026, dos R$ 62 bilhões da carteira de agronegócio, R$ 43 bilhões estavam no estágio 1, R$ 2 bilhões no estágio 2 e R$ 17 bilhões no estágio 3. Neste último grupo, a Caixa mantinha 56,4% do saldo provisionado.

Pela metodologia apresentada no balanço, o estágio 3 concentra operações com maior deterioração de risco. No agronegócio, portanto, os R$ 17 bilhões classificados nessa categoria correspondem a uma parcela significativa da carteira, reforçando o peso das operações problemáticas sobre o resultado do segmento.

Provisões aumentam - A escalada do risco também aparece nas provisões constituídas pelo banco. No agronegócio, o índice de provisão sobre o ativo problemático subiu de 6,8% em junho de 2025 para 16,5% em junho de 2026, passando por 13,2% em março.

No detalhamento por estágio, a Caixa informa que 56,4% do saldo de R$ 17 bilhões classificado como estágio 3 estava provisionado, o equivalente a aproximadamente R$ 9 bilhões. A apresentação registra ainda que os valores têm como data-base junho de 2026 e são expressos em bilhões de reais.

Apesar da piora na qualidade da carteira agro, o banco ampliou o crédito destinado ao setor no semestre. A contratação de R$ 6 bilhões representou alta de 4,6% sobre o primeiro semestre de 2025, dentro de uma expansão geral das contratações da Caixa, que chegaram a R$ 365,6 bilhões no período, aumento de 16,3%.

Inadimplência geral também cresceu - A deterioração do agronegócio ocorre em um cenário de aumento da inadimplência geral da Caixa. O índice do banco passou de 2,66% em junho de 2025 para 3,64% em junho de 2026. O pico no período analisado foi registrado em março, quando chegou a 3,71%.

Ainda assim, o desempenho do agronegócio chama atenção pela distância em relação ao indicador consolidado. Em junho, enquanto a inadimplência total da Caixa estava em 3,64%, o percentual do agronegócio alcançava 20,74% — uma diferença de mais de 17 pontos percentuais.

Mesmo com a pressão sobre a qualidade do crédito, a Caixa fechou o segundo trimestre com R$ 1,448 trilhão em carteira de crédito, crescimento de 11,9% em 12 meses. O lucro líquido recorrente no trimestre foi de R$ 3,9 bilhões, alta de 5,9% sobre o mesmo período de 2025.

A apresentação do banco, porém, não detalha as causas específicas para o aumento da inadimplência no agronegócio. Assim, os dados permitem dimensionar a deterioração da carteira, mas não atribuir o movimento a fatores específicos ou a determinadas cadeias produtivas sem informações adicionais.