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Economia

Só 30,8% dos trabalhadores por conta própria têm CNPJ em MS, aponta IBGE

Dos 307 mil trabalhadores por conta própria em MS, 95 mil tinham registro de pessoa jurídica em 2025

Por Jhefferson Gamarra | 23/09/2026 14:52
Só 30,8% dos trabalhadores por conta própria têm CNPJ em MS, aponta IBGE
Trabalhador que utiliza o próprio veículo como meio de trabalho em Campo Grande (Foto: Arquivo/Campo Grande)

O número de pessoas que trabalham por conta própria em Mato Grosso do Sul aumentou em 2025, mas a parcela desses trabalhadores com registro no CNPJ recuou em relação ao ano anterior. Segundo a PNAD Contínua (Características Adicionais do Mercado de Trabalho), divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (23), o Estado tinha 307 mil trabalhadores por conta própria, dos quais 95 mil, ou 30,8%, possuíam CNPJ.

RESUMO

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Em Mato Grosso do Sul, o número de trabalhadores por conta própria cresceu de 295 mil em 2024 para 307 mil em 2025, mas o percentual com CNPJ recuou de 32,1% para 30,8%, segundo a PNAD Contínua do IBGE. Entre empregadores, 81,2% possuíam registro, e o estado lidera o país no percentual de ocupados que trabalham em veículos automotores, com 7,9%, o dobro do registrado em 2012.

Em 2024, eram 295 mil pessoas trabalhando por conta própria e 94 mil com CNPJ, o que correspondia a 32,1% do total. Assim, embora tenha havido aumento no número absoluto de trabalhadores com registro, a participação caiu 1,3 ponto percentual em um ano.

O levantamento mostra que o registro empresarial entre trabalhadores por conta própria avançou bastante desde o início da série histórica, mas ainda alcança menos de um terço desse grupo. Em 2012, Mato Grosso do Sul tinha 224 mil pessoas trabalhando por conta própria, e apenas 32 mil, ou 14,3%, tinham CNPJ.

Ao longo dos anos, o percentual cresceu e chegou a 32,1% em 2024, antes de recuar para os 30,8% registrados em 2025.

Na comparação com os demais estados, Mato Grosso do Sul aparece com o sétimo maior percentual de trabalhadores por conta própria com CNPJ. Santa Catarina lidera, com 41,4%, seguida por São Paulo, com 39,4%.

No outro extremo está o Pará, onde apenas 6,6% dos trabalhadores por conta própria tinham CNPJ em 2025.

Homens e mulheres têm percentuais próximos - A diferença entre homens e mulheres é pequena quando considerado o percentual de registro entre os trabalhadores por conta própria.

Dos 307 mil trabalhadores nessa condição em Mato Grosso do Sul, 193 mil eram homens. Entre eles, 31,2% tinham CNPJ. As mulheres somavam 114 mil, das quais 30% possuíam registro. A diferença entre os dois grupos, portanto, era de 1,2 ponto percentual.

Entre empregadores, CNPJ alcança 81,2% - O percentual de registro é significativamente maior entre quem se enquadra como empregador.

Em 2025, Mato Grosso do Sul tinha cerca de 81 mil empregadores, dos quais 66 mil exerciam a atividade em empreendimento com CNPJ registrado. Com isso, 81,2% estavam vinculados a empreendimentos com registro, enquanto 18,8% não tinham CNPJ.

O resultado representa alta de 2,2 pontos percentuais em relação a 2024, quando o percentual era de 79%.

Apesar do avanço, 2025 teve o segundo maior percentual da série histórica, iniciada em 2012. O recorde ocorreu em 2023, quando 83,4% dos empregadores estavam em empreendimentos registrados no CNPJ.

No início da série, em 2012, o percentual era de 76,3%. O menor índice foi registrado em 2019, com 66,5%.

Mato Grosso do Sul ficou na oitava posição entre as unidades da Federação em 2025. Santa Catarina apresentou o maior percentual, de 94,2%, seguida por São Paulo, com 92,2%. O Pará teve o menor índice, com 49,1%.

Diferença aparece entre homens e mulheres - Entre os empregadores, a distância entre homens e mulheres é maior do que entre os trabalhadores por conta própria.

Dos 81 mil empregadores de Mato Grosso do Sul, 59 mil eram homens e 22 mil mulheres.

Entre os homens, 82,8% estavam em empreendimentos registrados no CNPJ. Entre as mulheres, o percentual era de 76,6%, uma diferença de 6,2 pontos percentuais.

Os dados mostram, portanto, que o registro no CNPJ é muito mais frequente entre empregadores do que entre trabalhadores por conta própria. Em 2025, a diferença entre os dois grupos chegou a 50,4 pontos percentuais.

CNPJ não significa, por si só, pejotização - O IBGE mede, nesse recorte da PNAD Contínua, se empregadores e trabalhadores por conta própria possuem registro no CNPJ. O indicador não identifica diretamente situações de pejotização ou permite concluir, sozinho, que determinada relação de trabalho tenha sido transformada em contratação de pessoa jurídica.

O CNPJ, nesse caso, funciona como um indicador relacionado à existência de registro formal do empreendimento, e não como uma classificação automática da relação entre trabalhador e contratante.

Veículo já é local de trabalho para 90 mil pessoas - A pesquisa também investigou o local em que as pessoas exercem o trabalho principal. Em Mato Grosso do Sul, havia 1,145 milhão de pessoas ocupadas em 2025, considerando a população de 14 anos ou mais.

A maior parte, 627 mil pessoas (54,7%), trabalhava em estabelecimento do próprio empreendimento.

O segundo maior grupo era formado por 181 mil pessoas (15,8%) que trabalhavam em local designado pelo empregador, patrão ou freguês. Outras 144 mil (12,6%) trabalhavam em fazendas, sítios, granjas, chácaras ou locais semelhantes.

O veículo automotor aparecia como local de trabalho para 90 mil pessoas, ou 7,9% dos ocupados.

Só 30,8% dos trabalhadores por conta própria têm CNPJ em MS, aponta IBGE

O percentual de pessoas que trabalhavam em veículo automotor também cresceu de forma expressiva ao longo da série. Em 2012, eram 33 mil trabalhadores, ou 3,7% dos ocupados. Em 2025, chegaram a 90 mil, equivalentes a 7,9%.

Na comparação entre as unidades da Federação, Mato Grosso do Sul apresentou o maior percentual do país de pessoas ocupadas que exerciam o trabalho em veículo automotor. Pernambuco apareceu em seguida, com 7,6%, enquanto Rondônia registrou o menor percentual, de 3%.

A categoria inclui, entre outros trabalhadores, motoristas e entregadores de aplicativos, mas o levantamento identifica o local de exercício do trabalho e não permite afirmar que todos os 90 mil trabalhadores estejam vinculados a essas atividades.