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Campo Grande, Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018

04/05/2017 17:03

Ação de lazer e saúde quer tirar Capital do topo do ranking do sobrepeso

Paulo Nonato de Souza
No Belmar Fidalgo, um dos oito parques públicos geridos pela Prefeitura de Campo Grande, estão previstas muitas atividades do programa da Funesp contra obesidade (Foto: Adré Bittar)No Belmar Fidalgo, um dos oito parques públicos geridos pela Prefeitura de Campo Grande, estão previstas muitas atividades do programa da Funesp contra obesidade (Foto: Adré Bittar)

Um mínimo de atividade física por dia, ou mesmo por semana, pode fazer uma grande diferença na luta contra a obesidade. É o que sugere o diretor-presidente da Funesp (Fundação Municipal de Esporte e Lazer), Rodrigo Terra, com o projeto Lazer e Saúde que pretende lançar até o final de maio em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde para incentivar a prática esportiva como prevenção e combate ao excesso de peso.

Formado em educação física com mestrado e doutorado em Ciência do Exercício e do Esporte pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), Rodrigo Terra disse em entrevista ao Campo Grande News que a ideia do programa nasceu da revelação de que 58% dos campo-grandenses estão acima do peso, com prevalência alta de obesidade mesmo entre pessoas mais jovens, de 25 a 44 anos. São dados de um estudo divulgado na segunda quinzena de abril pelo Ministério da Saúde, que colocam Campo Grande como a segunda capital do País com o maior número de pessoas obesas.

“Isso é muito preocupante. Os dados da pesquisa mostram que a nossa população faz parte de um grupo de risco, e se você comparar os índices de Campo Grande com os números da pesquisa da Organização Mundial de Saúde, que diz que 73% das causas de morte hoje no mundo estão ligados às doenças crônicas não-transmissíveis, ou seja, álcool, alimentação inadequada e falta de atividade física, entenderá que estamos falando de uma questão muita séria que deve envolver toda a sociedade campo-grandense, não apenas o poder público”, declarou ele.

Atividade ao ar livre do Programa Movimenta no gramado da Praça de Esportes Belmar Fidalgo, no centro de Campo Grande (Foto: Funesp/Divulgação)Atividade ao ar livre do Programa Movimenta no gramado da Praça de Esportes Belmar Fidalgo, no centro de Campo Grande (Foto: Funesp/Divulgação)

Por isso, ressaltou Rodrigo Terra, a Prefeitura de Campo Grande irá lançar o projeto Lazer e Saúde para ser tocado em conjunto pela Funesp e Sesau, e assim, a área de esporte e lazer entra com os treinadores, professores de educação física, parques e praças de esportes, e a Secretaria Municipal de Saúde com os postos de saúde, médicos e especialistas.

A ideia é de que, além da oportunidade de emagrecer, que pode significar motivação e autoestima como remédio para depressão, e controle dos níveis de diabete e colesterol, os campo-grandenses atendidos pelo projeto encontrem na atividade física mais qualidade de vida, como a melhora do sono e da respiração.

Rodrigo Terra lembrou que a Funesp já desenvolve o Programa Movimenta, uma ação de esporte e lazer com 100 horas semanais de atividade física em todos os parques públicos e para todas as faixas etárias, da criança ao idoso.

“O que o que iremos acrescentar será o acompanhamento mais próximo da questão da obesidade. Vamos linkar o que já acontece nos parques com as ações já desenvolvidas via Sesau nas unidades básicas de saúde, unificando atividade física e saúde preventiva”, ressaltou.

Terra se diz um desportista de natureza, do tipo fanático por prática de esportes, do futebol ao karate, corrida de rua, ciclismo e beach tennis, e até por ter esse perfil, garante que uma de suas preocupações na preparação do projeto contra a obesidade é no sentido de que as atividades físicas sejam prazeirosas.

“Estamos diante de dados alarmantes. Pessoas estão morrendo por causa de consequências da obesidade, mas a atividade física é voluntária, e por isso tem que ser prazeirosa, lúdica. Se não for assim a pessoa vai uma vez e não volta, e não é isso que queremos. A ideia é que as pessoas saiam da aula pensando em voltar”, afirmou Rodrigo Terra.

Segundo ele, os treinadores e professores de educação física da Funesp estão sendo orientados nesse sentido, inclusive com cursos de capacitação. “Também por isso já estamos variando as nossas atividades esportivas para agradar todo mundo, oferecendo até futebol americano”, frisou.

Espaço público para praticar esportes é o que não falta em Campo Grande. Só a prefeitura tem oito parques abertos diariamente, de domingo a domingo: Parque Sóter, na Mata do Jacinto; Parque Ayrton Senna, no Aero Rancho; Parque Jacques da Luz, nas Moreninhas; Parque Tarsila do Amaral, no Nova Lima; Praça de Esportes Elias Gadia, no Taveirópolis, Praça de Esportes Belmar Fidalgo, no Centro; Ginásio Guanandizão, no bairro Guanandi, e Centro Olímpico Rui Jorge da Cunha, na Vila Nasser.

“Vamos ter atividades variadas para atender os mais variados gostos, e nos horários mais variados para atender todas as faixas etárias. Se você programa atividade só no horário de expediente, por exemplo, não vai ter a participação de adultos, porque esses estarão no horário de trabalho”, destacou Rodrigo Terra.

Exercícios funcionais ministrados por professores da Funesp na Praça de Esportes Elias Gadia (Foto: Funesp/Divulgação)Exercícios funcionais ministrados por professores da Funesp na Praça de Esportes Elias Gadia (Foto: Funesp/Divulgação)

Histórico – Os dados divulgados no dia 17 de abril pelo Ministério da Saúde fazem parte da Pesquisa da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizada com 53.210 pessoas com mais de 18 anos nas capitais brasileiras, entre fevereiro e dezembro de 2016.

O estudo teve como base o IMC (Índice de Massa Corporal) dos entrevistados, calculado por meio de uma conta que divide o peso da pessoa pela altura elevada ao quadrado. Considera-se excesso de peso, quando o índice é igual ou maior que 25 kg/m² e obesidade, quando ultrapassa os 30 kg/m².

Em excesso de peso, Campo Grande fica atrás somente de Rio Branco (AC), que registrou 60,6%. Em seguida vem Natal (RN) e João Pessoa (PB), com 56,6% ambas, Fortaleza (CE) com 56,5%, Cuiabá (MT) registrando 56,4%, e Manaus (AM), com 56,3%. Palmas (TO) é a capital brasileira com a menor prevalência de excesso de peso (47,7%).

Pela pesquisa, em todo o Brasil, o excesso de peso cresceu 26,3% em dez anos, passando de 42,6% em 2006 para 53,8% em 2016. O problema é mais comum entre os homens: passou de 47,5% para 57,7% no período. Já entre as mulheres, o índice passou 38,5% para 50,5%.

Na Capital, a prevalência da obesidade é de 19,9%, e acompanha a média nacional. Em todo o País, 18,9% estão obesos. Houve aumento de 60% em relação a 2006, quando foi registrado 11,8%, atingindo um em cada cinco brasileiros. Nesse período, foi registrado aumento de 61,8% de diabetes e de 14,2% de hipertensão.

Ação de lazer e saúde quer tirar Capital do topo do ranking do sobrepeso

A pesquisa mostrou que a obesidade aumenta com o avanço da idade, mas também afeta os mais jovens: de 25 a 44 anos, faixa etária em que o marcador chegou a 17%. A prevalência de obesidade duplica a partir dos 25 anos e é maior entre os que tem menor escolaridade.

Mudança de hábitos - O estudo também mostra as transformações dos hábitos alimentares da população. Houve redução da ingestão regular de ingredientes considerados básicos e tradicionais na mesa do brasileiro, como o do feijão, que diminuiu 67,5% em 2012 para 61,3% em 2016.

Os números mostram que apenas 1 entre 3 adultos consome frutas e hortaliças em cinco dias da semana. De acordo com o Ministério da Saúde, esse quadro mostra a transição alimentar no Brasil, que antes era a desnutrição e agora está entre os países que apresentam altas prevalências de obesidade. Os dados também indicam que o consumo abusivo de bebida alcoólica está estável: em 2006 era 15,7%, e em 2016, 19,1%.

Apesar do cenário preocupante, a pesquisa aponta que o brasileiro reduziu quase pela metade o consumo de refrigerantes e sucos artificiais, pois em 2007, o indicador era de 30,9% e, em 2016 foi 16,5%. A população com mais de 18 anos está praticando mais atividade física no tempo livre. Em 2009, 30,3% da população fazia exercícios por pelo menos 150 minutos por semana, já em 2016 a prevalência foi de 37,6%.

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