Após perder amigo, Ronaldo viu nos cactos uma nova razão para sorrir
Seis anos após comprar a primeira planta, ele já cultiva mais de 1 mil exemplares em casa
Após perder Antônio, um golden retriever que fazia parte da família e que ele tinha como grande amigo, Ronaldo dos Santos, de 37 anos, encontrou nos cactos uma nova companhia. O que começou com a compra de uma pequena planta se transformou em uma coleção com mais de 1 mil exemplares.
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Ronaldo dos Santos, de 37 anos, transformou a dor da perda de seu cachorro em uma paixão por cactos. O que começou com a compra de uma única planta durante a pandemia se tornou uma coleção com mais de mil exemplares. Entre eles, um Echinopsis grusonii, presente de sua ex-sogra falecida, ocupa lugar especial. Para Ronaldo, os cactos deixaram de ser hobby e se tornaram terapia, resgatando sua vontade de viver.
Foi durante a pandemia, em meio a um período conturbado da vida, que o atendente de telemarketing decidiu descer do ônibus antes do ponto onde deveria parar. O destino era uma loja no Bairro Leblon, onde comprou o primeiro cacto.
Seis anos depois, a primeira planta, que deu o pontapé inicial na coleção, continua firme ao lado dele. “Meu primeiro cacto foi do gênero Echinopsis, era um cacto pequeno em pote 7. Hoje em dia está com uma colônia imensa que me presenteia sempre com muitas flores”.
Atualmente, a coleção de Ronaldo é tão grande que quem passa em frente à casa se surpreende com a quantidade de cactos espalhados pelo jardim. Foi justamente enquanto percorria as ruas do Bairro Parati que o Lado B encontrou o colecionador. “Não consigo mais nem contar. A última vez que eu tentei, passou de mil exemplares”.
Entre tantas plantas, uma ocupa um espaço especial no coração de Ronaldo. O cacto mais antigo do jardim é um Echinopsis grusonii, popularmente conhecido como poltrona-de-sogra. Curiosamente, a planta foi um presente de sua ex-sogra, que anos depois morreu vítima de dengue hemorrágica.
“Comigo ele já está em média 10 anos e ele já chegou grande até mim. E, como é um cacto que leva anos para florescer, mais precisamente falando são 20 anos, ter ele na coleção é motivo de cuidado comigo mesmo, pra poder viver até a idade adulta dele e ver as suas flores pessoalmente. [...] O cacto fica como memória dela, que sempre foi uma mãe pra mim, e a certeza de que um dia irei vê-lo florescer pessoalmente”, compartilha.

Apesar da quantidade de plantas, Ronaldo garante que cultivar cactos não exige tanto trabalho quanto pode parecer. A rotina envolve observação diária e regas a cada 10 ou 15 dias, conforme a estação e a necessidade de cada planta.
“A dedicação com eles realmente, como dito acima, é diária. Adubações sempre que necessário, a cada três meses; regas sempre que necessário, quando o substrato estiver bem seco. Não dedico um tempo certo do dia para ficar com eles, porém todo tempo livre que tenho fico olhando um por um e cuidando deles com muito amor sempre”, conta.
Mesmo com os cuidados constantes, as perdas fazem parte da rotina, principalmente durante os períodos mais chuvosos. “É claro, tendo uma coleção sempre maior, sempre irão aparecer problemas, e quando isso acontece entendo que o ciclo da planta já encerrou e ela dará lugar para uma nova planta”.
Mesmo “vivendo com os dedos cheios de espinhos”, Ronaldo conta que os cactos deixaram de ser apenas uma coleção e se transformaram em uma espécie de terapia. “Elas [as plantas] me tiraram de um lugar que eu não via mais vontade de sorrir e nem tinha ânimo pra nada. Hoje meus cactos são a parte mais importante de mim, passo mais tempo com eles do que com qualquer outra coisa. Eles ensinam demais a gente perceber a vida nas coisas mais simples e mais bonitas”.
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