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Em Pauta

A aliança do 1º grande narcotraficante com o último nazista

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 28/08/2026 08:55
A aliança do 1º grande narcotraficante com o último nazista

Pablo Escobar o chamava de “Don Roberto”. Esse é um dos protagonistas desta história. Quase vinte anos mais velho, e de uma das famílias mais prósperas da Bolívia, Roberto Suárez foi o mestre do narcotraficante colombiano mais famoso. Em troca, Suárez o apelidou de “pelicano”, burlando-se de sua papada. Todas as histórias tem um começo. Está é a primeira de todas as histórias de grandes narcotraficantes que foi contada. A história do maior narco, mas do mais desconhecido. A do homem que liderou o negócio da cocaína na época em que esta conquistava o mundo e Escobar fundava seu cartel. Esta história é a gênese de tudo que chegou depois.


A aliança do 1º grande narcotraficante com o último nazista

Klaus Barbie, o nazista conhecido como carniceiro de Lyon.

Durante anos, depois da Segunda Guerra Mundial, dezenas de altos comandantes do nazismo fugiram da Alemanha para evitar a perseguição judicial pelos crimes atrozes que haviam cometido. Muitos deles vieram para a América do Sul, através da conhecida “rota dos ratos”. Se assentaram especialmente na Argentina e viveram muito bem o resto de suas vidas protegidos pelos regimes militares que prosperaram na região com o beneplácito dos Estados Unidos. Corria os anos do “Plano Condor”, a perseguição sem fronteira dos esquerdistas e Klaus Barbie, o nazista carniceiro de Lyon, na França, foi um dos perseguidores de opositores dos regimes militares. Ele é o outro protagonista desta história.


A aliança do 1º grande narcotraficante com o último nazista

Acabou preso.

Toda história também tem um final. Esta é a história do último nazista em ação. A de Barbie, que operou para semear o terror e conservar sua impunidade até que foi preso em 1.983. Continuou fazendo na América do Sul o mesmo que havia feito quarenta anos antes na França ocupada. Sempre sob a proteção dos militares bolivianos.


A aliança do 1º grande narcotraficante com o último nazista

O narco e o nazi se conhecem.

Toda história tem um nó. Um momento decisivo em seu desenvolvimento. Um ponto de inflexão em que tudo muda. Esta também. Roberto Suárez e Klaus Barbie se conheceram uma noite nos finais dos anos setenta, convidados a um jantar com militares em La Paz, a capital boliviana. Foi o começo de uma aliança inédita: a do primeiro grande narco e do último nazi. Uma aliança que mudaria tudo. Mudaria o tráfico de drogas. Mudaria a Bolívia. Mudaria a América do Sul. Um pacto que teria como resultado o primeiro narco-Estado da história. Uma organização criminosa liderada por Suárez com o nazi Barbie e o emergente Escobar como sócios.


A aliança do 1º grande narcotraficante com o último nazista

Antes de Barbie, dois nazis na Bolívia.

Antes de Klaus Barbie assumir parte do poder boliviano, já haviam participado do comando militar boliviano dois nazistas famosos: Hans Kundt e Ernest Rhöm. Kundt assessorava o exército,  Rhöm tinha enormes poderes. Também era mais importante, tinha sido o fundador das milícias “SA”, a “divisão de assalto” e era amigo próximo de Adolf Hitler. São eles que abrirão o caminho para Barbie.


A aliança do 1º grande narcotraficante com o último nazista

O homem que matou Che Guevara desmantelou o exército de Barbie.

Muitos dos soldados que mataram Che Guevara são, anos mais tarde, os mesmos que protegerão Barbie e Suárez. Conspirarão com eles para chegar ao poder boliviano e à liberdade para traficar a cocaína. Mas havia uma exceção. Gary Prado , o homem que capturou Che, irá desmantelar o batalhão nazista de estrangeiros, chamados “Noivos da Morte” que Barbie comandava e que operava como corpo especial de segurança de Roberto Suárez.


A aliança do 1º grande narcotraficante com o último nazista

História do continente inteiro.

Esta história ocorre nesse cenário magicamente real de grandes histórias e lendas. Mas não é apenas uma história boliviana. Vai muito além da Bolívia. Daí, seu valor e transcendência. É também a história de como a Operação Condor, da perseguição dos esquerdistas pelos regimes militares unificados, se organizou e se financiou. A história da violência que saiu da Europa nazista e veio fincar raízes no narcotráfico latino-americano. É ainda o início da história do papel pra lá de suspeito da CIA nos acontecimentos latinos. E tudo aconteceu em tão somente três anos. Uma condensação temporal que torna tudo ainda mais impactante. É o final de uma época de ingenuidade e o início de outra… ultra violenta.

 

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