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Diversão

De banho de mijo à mesa no córrego, Jubinha mantém Pior Bar do Mundo

No bar de Jubinha, cliente se serve, abre e fecha o lugar e ainda acerta a própria conta

Por Amanda Ferreira | 28/08/2026 08:17


De banho de mijo à mesa no córrego, Jubinha mantém Pior Bar do Mundo
O bar antes contava com uma placa pichada com o nome do estabelecimento, mas ela foi substituída por uma nova, dada de presente. (Foto: Amanda Ferreira)

RESUMO

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O "Pior Bar do Mundo", localizado no bairro São Conrado, é comandado há quase 20 anos por Juber Batista Lima, o "Jubinha", de 60 anos Southern. O nome surgiu de uma brincadeira dos frequentadores, que batizaram o local por Jubinha não atender ninguém. Apesar da fama, o bar nunca registrou brigas ou roubos e recebe clientes de diversos bairros, funcionando na base da confiança.

Quem mora no São Conrado conhece o endereço que fica no fim do bairro e carrega um apelido curioso: o “pior bar do mundo”. Há quase 20 anos, o estabelecimento é comandado por Juber Batista Lima, o “Jubinha” de 60 anos, aposentado e dono de uma fama que não combina com a realidade. Conhecido por muitos como mal-humorado, ele recebeu a equipe do Lado B com simpatia, bom humor e muitas histórias para contar.

Em sua cadeira de rodas, cercado pelos objetos que fazem parte da rotina do bar, Juber relembra a mudança que transformou sua vida. Um problema na medula interrompeu os sinais enviados do cérebro para o corpo, afetando os movimentos e exigindo uma nova forma de encarar o dia a dia.

De banho de mijo à mesa no córrego, Jubinha mantém Pior Bar do Mundo
O Pior Bar do Mundo conta com uma churrasqueira onde os clientes podem assar carne e comer pucheiro (Foto: Amanda Ferreira)

O nome surgiu de uma brincadeira dos próprios frequentadores. Segundo Jubinha, os clientes passaram a chamar o local de “Pior Bar do Mundo” porque ele não tinha o costume de atender ninguém da forma tradicional. Um colega de Jubinha, Cezinha, subiu em um caminhão e pichou o nome em uma placa e batizou oficialmente o estabelecimento.

“Esse nome não fui eu que inventei, não. Foi tudo eles. Eles falavam que era o pior bar do mundo porque eu não atendia ninguém. Quem chegava já sabia como funcionava: pegava a cerveja, se servia, abria e eles quem fechava o bar, abria e depois acertava a conta, pagavam a própria conta. Era tudo na confiança, e acabou virando a identidade do lugar”.

O estabelecimento funciona de forma simples, sem mesas e, muitas vezes, sem cadeiras suficientes para todos os clientes, que acabam se acomodando onde encontram espaço, até mesmo no chão.

O cardápio é enxuto, com opções como Heineken, Original e Brahma, e a cerveja nem sempre está na temperatura ideal. Ainda assim, a informalidade e o clima de amizade fazem do local um ponto de encontro tradicional para os moradores da região.

Além da fama construída ao longo dos anos, o bar também acumula histórias e brincadeiras protagonizadas pelos próprios frequentadores.

De banho de mijo à mesa no córrego, Jubinha mantém Pior Bar do Mundo
dentro do bar, a cozinha é simples, mas tem tudo que um estabelicimento precisa e o freezer foi um presente dos clientes (Foto: Amanda Ferreira)

Jubinha conta que os clientes sempre tiveram liberdade para transformar o local em um espaço de convivência descontraído, onde as pegadinhas e as situações inusitadas acabaram se tornando parte da identidade do estabelecimento.

“Eles são terríveis. Já jogaram minhas roupas em cima do telhado, esconderam meus tênis. Uma vez coloquei água para esquentar porque não tomo banho frio. Aí um deles mijou dentro do balde sem eu saber, e eu tomei banho naquela água de mijo. Também já pegaram uma mesa e jogaram lá dentro do córrego.

De banho de mijo à mesa no córrego, Jubinha mantém Pior Bar do Mundo
Jubinha continua cercado pela companhia dos clientes, que chegam, se servem e mantêm o bar sempre movimentado. (Foto: Amanda Ferreira)

Tem um freguês chamado Mãozinha que é um dos mais danados. Hoje eles estão mais calmos pela minha situação de saúde, mas antes não tinham sossego”.

Apesar do nome, a fama do bar é bem diferente. O local recebe clientes de bairros como Alphaville e Chácara Cachoeira, além de fazendeiros de outras regiões, amigos e antigos colegas de Jubinha. A clientela fiel acompanha o proprietário há anos e faz do estabelecimento um ponto de encontro diário.

Aberto todos os dias, o bar nunca registrou casos de brigas ou roubos. A confiança entre os frequentadores e a vizinhança é tanta que quatro pessoas possuem a chave da porta do estabelecimento.

“O pessoal fala que é o pior bar do mundo, mas aqui nunca teve uma discussão nem uma briga. É um lugar onde as famílias podem vir tranquilamente. Tem criança, tem amigos, tem gente de todo tipo. Aqui não tem confusão".

 Você pode deixar o celular ou a carteira em cima da mesa que ninguém mexe. Se alguém esquece alguma coisa, a gente guarda e depois devolve. É um ambiente saudável. Apesar da fama, nunca saiu uma briga daqui”.

O “Pior Bar do Mundo” está localizado na Rua Jaguaruna, 32, no bairro São Conrado. Aberto todos os dias, o bar recebe os clientes no ritmo de cada um: é só chegar que Jubinha estará por lá, pronto para receber a freguesia e deixar cada um se servir.

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