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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

09/07/2018 06:50

Beatriz Mondrian é drag que há 2 anos Heron Barbosa interpreta como sua persona

Thaís Pimenta
(foto: Acervo Pessoal)(foto: Acervo Pessoal)

Nem Heron Barbosa e nem Beatriz Mondrian precisam de muito pra ser feliz. Ele, o psicólogo que na noite dá vida à persona drag Beatriz, precisa que sua veia artística pulse e se mantenha como um importante hobby pessoal. Já Beatriz Mondrian precisa de uma make bafônica, unhas postiças, um look glamouroso, um microfone na mão para sair por aí encantando e fazendo rir.

A origem da drag se deu sem que Heron pudesse perceber. Quando começou a frequentar os carnavais de rua de Campo Grande lá pelos seus 14 anos, colocava um vestidinho qualquer de alguma amiga ou parente sua, passava um batom e colocava uma peruca para se fantasiar.

"O que importava não era a roupa, era a caricatura, a maneira de me portar em público, o como eu iria me dizer e ao mesmo tempo divertir os outros", diz ela.

(foto: Acervo Pessoal)(foto: Acervo Pessoal)

Sem contato com o teatro, Beatriz diz que mesmo assim sempre gostou de um palco, mas preferia estar na plateia! Chamar atenção e fazer piada eram o que faziam Heron sair de casa na época de sua adolescência no carnaval. 

 Tanto é que não demorou muito para ele começar a performar mesmo sem saber que o que fazia poderia ter uma leitura artística do que fazia. "A dona e fomentadora do carnaval, a Silvana falava no microfone e eu, que tinha levado um microfone esquecido em casa o levei para a rua,e brincava de a dublar ao ponto de as pessoas achararem que Heron era Silvana.

Hoje em cima do palco a essência se mantem como a do passado. Com o microfone na mão, Beatriz faz rir ao imitar uma jornalista, uma apresentadora ou quem quer que fosse ou viesse à mente.  

Beatriz aparece quando a última unha postiça é colocada e o salto é vestido. "São duas coisas que não abro mão de usar e que quando são colocadas fazem baixar a minha persona".

(foto: Acervo Pessoal)(foto: Acervo Pessoal)

Foi em um concurso de drags aqui em Campo Grande que o hobby tomou forma e foi se tornando uma coisa cada vez mais séria. "Pra mim, drag queen é um trabalho artístico e cultural que hoje já me rentabiliza um pouco de dinheiro. Mas por gostar já fiz muito de graça! Eu e meus amigos nos montávamos e  fazíamos o entretenimento da noite".

Em comemoração aos dois anos de Beatriz Mondrian, um post no Facebook emociona quem acompanhou sua trajetória desde o começo.

"Oficialmente, há dois anos, eu subia pela primeira vez em um palco de uma boate para representar um persona, que ditou muito das minhas alegrias da vida noturna. Nascia ali uma transformista: Beatriz Mondrian. Ela emergiu! E é com muita alegria que posso compartilhar com vocês e a todos que já me viram de perto e longe, que nesse decorrer dos anos, eu pude ir do céu ao inferno, ousar e abusar, ser e não ser. Desconstruir as estruturas e até ser chamada de artista. Foi e é muito incrível. Hoje vejo que tenho um elenco de fãs [isso é mais insano ainda], e sou verdadeiramente grata a eles. E claro, a todos aqueles que por venturam viram e reviram os absurdos de ser uma maluca nas madrugadas. Essa persona na qual eu visto e dou asas, celebra com gratidão a beleza e a arte da vida, que se esconde por traços marcados de maquiagens e delineados de perucas. É um encanto sem programação. Sem ritmos, sem rotina. Sem roteiros e diretores. Apenas as luzes e o silêncio. Você e o nada. Sem letras e sem vazios. Apenas as lucidezes e o transcender das energias dos brilhos que cintilam em um só ritmo: o do movimento", diz ela na postagem.

A "do microfone" espera continuar se expessando com a arte de se montar futuro afora. "E melhorar cada dia mais na montação", finaliza.

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