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Comportamento

Casos de assédio abrem debate sobre segurança em estúdios de tatuagem

Discussão sobre importunação e o silêncio dos homens ganhou e rendeu opiniões

Por Clayton Neves | 08/04/2026 06:50

Na onda de manifestações nacionais, após episódios de importunação em estúdios de tatuagem no Rio de Janeiro, tatuadores de Campo Grande também somaram aos protestos que tomaram conta das redes sociais no último mês e reacenderam um debate urgente dentro da própria categoria.

Relatos recentes, publicados em março, apontam casos de assédio em estúdios da capital do Rio. As denúncias, compartilhadas principalmente no Instagram, ganharam repercussão nacional com depoimentos de mulheres que relatam abusos durante sessões de tatuagem. Como reação, profissionais passaram a cobrar mudanças e reforçar que o estúdio precisa ser um espaço de respeito e segurança.

Em Campo Grande, o debate ganhou força com o posicionamento do tatuador Daniel Santos, de 30 anos, que há 12 anos atua na área em Campo Grande. Nas redes sociais, ele decidiu falar publicamente sobre o tema.

Segundo ele, o problema não é recente e casos são vistos em diferentes regiões. “Desde que eu comecei a tatuar, já era conhecido isso que fulano assediou cliente, passou a mão ou fez proposta indevida. E é algo que persiste”, comenta.

Daniel relata que já ouviu histórias de clientes e acompanhantes que passaram por situações desconfortáveis, principalmente envolvendo falta de cuidado em tatuagens em áreas íntimas. Para ele, além de denunciar, é preciso mudar a postura no dia a dia. “Tem muitas possibilidades do que dá para fazer para deixar a pessoa confortável. É uma questão de postura”, destaca.

Casos de assédio abrem debate sobre segurança em estúdios de tatuagem
Cobrança é por garantia plena de segurança nos estudios de tatuagem. (Foto: Freepik)

Ele também defende que mais homens se posicionem. “A gente tem que ser aliado das mulheres. Não dá para ser conivente com esse tipo de comportamento”, pontua.

O vídeo de Daniel serviu de incentivo para que a tatuadora Cristina Ink também abordasse o tema publicamente. Segundo ela, o assunto já era uma inquietação antiga, mas ainda cercada de receio por se tratar de um mercado majoritariamente masculino.

“Já faz tempo que eu queria abordar o assunto. Mas dá um pouco de medo ainda. O mercado da tatuagem ainda é muito dominado por homens”, relata.

Cristina explica que o posicionamento de um homem dentro da categoria ajudou a impulsionar o debate e deu mais força para que outras mulheres falassem. Ela destaca que, embora a união feminina seja essencial, o envolvimento masculino é decisivo para romper o silêncio em ambientes onde muitos ainda se protegem.

“É difícil lutar só entre mulheres, apesar dessa união ser indiscutivelmente importante. Nós precisamos muito que os homens que estão do nosso lado, entendam seu lugar nessa luta, e se posicionem também, trazendo força pro movimento”, explica.

No dia a dia do estúdio, a tatuadora conta que os relatos são frequentes e, muitas vezes, chegam em momentos de confiança durante o atendimento. “As histórias também chegam de clientes. Eu já atendi muita cliente que disse que nunca mais entra em um estúdio de tatuador homem”, conta.

Muito além de episódios isolados, Cristina aponta um padrão que envolve silêncio e conivência. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela critica a postura de profissionais que, mesmo cientes de comportamentos abusivos, continuam dividindo espaço com quem comete assédio.

Casos de assédio abrem debate sobre segurança em estúdios de tatuagem
Campanha contra o assédio ganhou proporções e está no centro de debates nacionais.

Ela também reforça que a violência não se limita a um único papel dentro do estúdio. Segundo a tatuadora, há casos envolvendo tanto clientes quanto profissionais, e a recorrência mostra que o problema é estrutural.

Diante disso, Cristina defende que os estúdios se tornem espaços de acolhimento, onde vítimas se sintam seguras para falar. Ao mesmo tempo, cobra atitudes mais firmes da categoria, como a exclusão de profissionais denunciados e a redução da visibilidade de quem comete abusos.

 “Eu já passei por isso em posição de cliente. Eu também já passei por isso em posição de tatuadora. E infelizmente isso é recorrente. Se cada grupo começar a falar do seu nicho, tirar essas caras de cena, aos poucos essa realidade pode ser que vai mudando”, finaliza;

Denúncias nas redes - No mês passado, uma série de relatos de assédio em estúdios de tatuagem no Rio de Janeiro ganhou grande repercussão nas redes sociais e mobilizou a comunidade artística em todo o País. As denúncias partiram, principalmente, de mulheres que compartilharam experiências de abuso durante sessões de tatuagem, incluindo comportamentos invasivos, comentários inadequados e situações de constrangimento.

Os relatos se espalharam, criando uma onda de exposição de casos e incentivando outras vítimas a também se manifestarem. Com a repercussão, tatuadores e artistas passaram a se posicionar publicamente, repudiando as condutas e cobrando mudanças dentro do próprio meio.

Além das denúncias, surgiram iniciativas como cartilhas de orientação para mulheres se protegerem e discussões sobre a responsabilidade dos estúdios em garantir ambientes seguros.

 O episódio também levantou críticas à falta de denúncias formais e à cultura de silêncio entre profissionais, já que muitos casos eram conhecidos, mas pouco levados adiante.

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