Cliques nos treinos viraram febre e parque ganhou 'exército' de fotógrafos
Cerca de 30 profissionais se revezam e cada foto é vendida por até R$ 12 em plataformas digitais
Quem frequenta o Parque dos Poderes certamente já se deparou com algum deles posicionado em um canto estratégico, só esperando o melhor momento para um clique. Desde o fim da pandemia e com fechamento de uma das pistas aos fins de semana, a presença de fotógrafos agora faz parte da rotina do parque.
RESUMO
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O Parque dos Poderes, em Campo Grande, tornou-se ponto de trabalho para cerca de 30 fotógrafos que registram treinos e vendem imagens em plataformas digitais por cerca de R$ 12 cada. O mercado cresceu após a pandemia e pode render até R$ 3 mil mensais por profissional. As fotos são acessadas por reconhecimento facial e atraem frequentadores que aprovam a iniciativa pelo preço acessível e qualidade das imagens.
Além da beleza e da proximidade com a natureza, que fizeram do Parque dos Poderes ponto turístico de Campo Grande, o espaço também se tornou fonte de renda e oportunidade para os profissionais.
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O que começou de forma tímida virou febre. As fotos profissionais de treinos ganharam as redes sociais e, hoje, movimentam um novo mercado que tem ganhos variados, mas podem passar dos R$ 3 mil dependendo da quantidade de dias e horas trabalhadas. Em alguns períodos, dezenas de fotógrafos se espalham ao longo do trajeto e a estimativa é de que cerca de 30 profissionais se revezem no parque.
As imagens são vendidas em plataformas online como a Foco Radical por valores que giram em torno de R$ 12, preço acessível para quem compra e que, no volume, se transforma em uma renda complementar para quem trabalha atrás das câmeras.
Para ter acesso à imagem o interessado faz um cadastro e utiliza uma ferramenta de reconhecimento facial. Basta enviar uma selfie que o sistema localiza todas as fotos em que ele aparece, mesmo entre milhares de imagens. Depois do pagamento, é possível acessar e baixar a foto em alta qualidade.
Foi assim que o fotógrafo Roberto Oshiro Júnior, de 52 anos, começou a atuar. Ele conta que entrou no parque logo após a retomada das atividades presenciais, em janeiro de 2023. “Eu já trabalhava com provas de corrida e ciclismo. Quando não tinha evento, o parque virou uma alternativa”, explica.
Segundo ele, a rotina é puxada e começa cedo. “No sábado, estou aqui a partir das 5h da manhã. Dependendo do movimento, fico até 10h30, 11h. No domingo é parecido, mas às vezes tem prova e preciso dividir”, relata.
Com três anos de atuação, ele viu o movimento crescer, tanto de atletas quanto de fotógrafos. “Antes éramos poucos. Hoje tem dia que você anda 100 metros e encontra outro fotógrafo. É uma onda”, detalha.
Apesar da aparente facilidade, ele reforça que o trabalho não é simples e exige preparo. “Não é só comprar uma câmera e sair fotografando. Tem técnica, edição, investimento em equipamento e em computador. Muita gente entra achando que é simples e depois desiste”, pontua.
E a variedade de equipamentos chama atenção. Tem desde quem comece com câmeras mais simples, na faixa de R$ 1 mil, até profissionais com equipamentos que ultrapassam facilmente os R$ 10 mil, com lentes específicas para captar movimento em alta velocidade.
Independentemente do valor, todos afirmam ter o cuidado de não atrapalhar o treino de quem está no parque.
Mais jovem, o fotógrafo Lucas Barbosa, de 20 anos, representa a nova geração que chegou recentemente. Ele começou em novembro do ano passado, sem pretensão financeira. “É mais um hobby. Eu gosto de fotografar e aqui é um ambiente muito legal. Você conversa com as pessoas, cria uma relação, vai aprendendo na prática”, conta.
Durante a semana, ele trabalha com tecnologia da informação e, nos fins de semana, passa cerca de duas horas no Parque dos Poderes.
Já o fotógrafo Paulo Melo, de 25 anos, encontrou na fotografia uma forma de se reconectar com o esporte. Ex-atleta, ele hoje divide o tempo entre a empresa de marketing que comanda, serviços de TI e os cliques nos treinos e provas. “Eu gosto muito dessa área esportiva. Fotografando, você sente a energia do atleta, principalmente na chegada de prova. É algo que não tem preço”, avalia.
Ele também chama atenção para o custo do investimento. “Uma câmera boa para esporte pode custar R$ 5 mil ou R$ 6 mil, fora lente, cartão, tudo. E o retorno não é imediato. Por isso, para muitos, ainda é complemento”, relata.
Entre os iniciantes, há histórias curiosas, como a do fotógrafo Paulo Estabele Fonseca, de 62 anos. Convidado pelo filho, que é fotógrafo profissional, ele está começando agora e encara o desafio com entusiasmo. “Estou aprendendo ainda, apanhando da máquina, mas gostando muito. O pessoal é receptivo, dá bom dia, aceita bem”, conta.
Inclusive, essa relação com o público é um dos pontos que mais surpreendem. Apesar da fama de reservado do campo-grandense, quem frequenta o parque costuma ser receptivo. “A maioria é tranquila, cumprimenta, conversa. A gente acaba criando amizade”, diz Roberto.
Claro que há exceções. Alguns preferem não ser fotografados, e isso é respeitado. “Se a pessoa sinaliza que não quer, a gente abaixa a câmera na hora e até apaga a foto”, explica o fotógrafo. Com o tempo, os profissionais dizem que já reconhecem quem prefere manter a privacidade.
Para quem corre ou caminha, a presença dos fotógrafos já virou parte da experiência. A personal trainer Sandra Gonçalves, de 44 anos, frequenta o parque desde 2022 e aprova a iniciativa. “Eu acho bacana. Sempre tem uma foto boa no meio das várias opções. E o preço é justo”, comenta. Ela conta que já comprou cerca de 10 imagens nas plataformas de vendas.
Segundo Sandra, os cliques também mudaram o comportamento dos frequentadores. “Quando vê o fotógrafo, a gente já dá uma ajeitada, corre mais bonito, faz pose”, brinca. Para ela, a influência vai além do momento e as imagens que alimentam as redes sociais incentivam outras pessoas a frequentarem o parque.
A percepção é compartilhada pela jovem Fernanda Santos, de 24 anos. “Virou rotina. Quem vem aqui já sabe que eles estão. É uma relação tranquila, ninguém é fotografado sem querer”, afirma. Para ela, o sucesso das fotos está ligado ao cenário. “O parque é bonito, é um ambiente gostoso, perfeito para registrar”, completa.
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Confira a galeria de imagens:
Para o fotógrafo Felipe Alexandre, de 31 anos, o parque ajudou a consolidar o mercado na Capital. “Hoje já está tudo difundido. As pessoas sabem que vão encontrar fotógrafos aqui. E isso abre portas, não só para vender fotos, mas para conquistar clientes e crescer na área”, avalia.
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