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Campo Grande, Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018

14/06/2018 07:52

Com povo na rua, fotos da Copa de 70 provam que Campo Grande já foi mais animada

Registros captados por Roberto Higa mostram o centro da cidade cheio e, no último ano de Copa, as ruas vazias

Thaís Pimenta
Jose Ivan Aguiar é o homem que está no canto direito da foto. Maioria nas ruas eram homens, hoje essa realidade já mudou, a mulherada comemora também. (foto: Roberto Higa)Jose Ivan Aguiar é o homem que está no canto direito da foto. Maioria nas ruas eram homens, hoje essa realidade já mudou, a mulherada comemora também. (foto: Roberto Higa)

A espera acabou e a Copa do Mundo 2018 finalmente começará hoje. Nesse clima, Lado B foi atrás de registros históricos que resgatassem um pouco de como os campo-grandenses comemoravam os jogos no passado por aqui. Em fotos da Copa de 1970 e de 2014, captadas pelas lentes do mestre Roberto Higa, o contraste de uma mudança de comportamento.

Os registros de 48 anos mostram as ruas do Centro da cidade lotadas de gente, com centenas de pessoas comemorando o tri. Na época, os jogos não eram transmitidos ao vivo. "A gente ouvia a narração dos jogos pelo rádio e só ficávamos imaginando como foram as goleadas. Só mesmo a noite, depois do Jornal Nacional, é que a fita com o jogo era transmitida por aqui", lembra Higa. Então, a comemoração era feita antes mesmo daquela conferidinha nos 4 golaços feitos pela equipe de craques brasileiros na Itália, que perdeu com um golzinho só.

O médico alergista José Ivan Aguiar aparece em um desses registros, comemorando ao lado dos colegas que moravam com ele na república no edifício Kondorfer, que dava vista direta para a 14 de Julho. "Foi o autêntico Carnaval fora de época a comemoração do tri. Estavam todos os amigos reunidos. Descemos do edifício e nos unimos a quem passava por ali", conta.

A final aconteceu em pleno domingo, por isso o grande movimento. "Não precisamos matar aula já que era fim de semana.Lembro que eu fiquei segurando uma bandeira do fluminense, que era emprestada de um amigo meu, o Gabora, que morava em frente à república".

O jornalista Silvio Andrade, que logo depois do tri assumiu a editoria de esportes no antigo jornal Diário da Serra, lembra que na época ainda não trabalhava como jornalista. "Eu tinha 17 anos e me lembro exatamente de sair de bicicleta pela 14 de julho, no meio dos carros. Perdi minha bandeira do brasileiro, peguei um galho da árvore, e saí acenando, o Higa fez a foto em frente a sede do jornal, que está na Afonso Pena, ao lado da Dona Neta ainda em construção", conta.

Silvio saiu com a bike no impulso que só o futebol permite sentir. "Fui sozinho. Na época eu já gostava muito e acompanhava futebol, principalmente de São Paulo, ouvindo jogos e programas esportivos, tanto é que deu no que".

Na foto, o tri confirmado, e a dúvida se em 1974 a taça seria nossa. (foto: Roberto Higa)Na foto, o tri confirmado, e a dúvida se em 1974 a taça seria nossa. (foto: Roberto Higa)
A foto que Silvio de Andrade resgistrou na memória. (foto: Roberto Higa)A foto que Silvio de Andrade resgistrou na memória. (foto: Roberto Higa)

As fotos deixam claro que a maioria dos torcedores nas ruas era de homens, o que hoje em dia mudou bastante de figura, já que famílias inteiras se reúnem para assistir a Copa do Mundo pelos bares da cidade. 

Higa se lembra dos craques do time brasileiro da época: ''O grande Pelé jogava pra nós, Rivellino, Jairzinho, Tostão e Gerson também, e eram todos comandados por Zagallo''.

O médico José Luiz Mikimba não estava presente no dia da comemoração da final, mas conta que, nos dias anteriores, em que o Brasil disputou com outros países, os jovens universitários se reuniam no edifício Kondorfer para assistir e ouvir as partida. "Ali tinham várias repúblicas e nos reuníamos para acompanhar os jogos. Era tradição os acadêmicos jogarem água na torcida ali em baixo na 14 de julho", lembra.

Hoje o pessoal da república mora, a maioria, fora de Mato Grosso do Sul e "outros já se foram deste plano", lembra o médico, o que torna essas imagens ainda mais históricas!

Muitos dos presentes nas comemorações eram estudantes. (foto: Roberto Higa)Muitos dos presentes nas comemorações eram estudantes. (foto: Roberto Higa)
Nessa foto, os  quatro agachados representam os gols feitos pelo Brasil e o homem em pé é o paí. (foto: Roberto Higa)Nessa foto, os quatro agachados representam os gols feitos pelo Brasil e o homem em pé é o paí. (foto: Roberto Higa)

Na última Copa de 2014, o retrato da mesma área da cidade é completamente diferente do que o registrado acima por Higa. E foram precisos só 44 anos para ver tanta mudança no comportamento da população.

"Hoje as pessoas se reúnem nos bares ou até em casa pra festejar esse imenso torneio, o maior do mundo, que é a Copa. Continua tendo interação mas só com quem se quer ter mesmo", completa o fotógrafo.

O vazio diz muito também sobre o resultado que tirou ou tro título do Brasil, o 7X1 para a Alemanha. "Lembro que nesse dia eu saí de onde estava assistindo com a família justamente pra conferir se haveria algum contraste, e teve muito!", finaliza Higa.

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(foto: Roberto Higa)(foto: Roberto Higa)
14 de julho paradíssima na final da copa de 2014. (foto: Roberto Higa)14 de julho paradíssima na final da copa de 2014. (foto: Roberto Higa)


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