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Comportamento

Em tom crítico, turma aposta nas reportagens em quadrinhos

Revista Badaró nasceu com quatro amigos e, mesmo no início, já é uma das experiências jornalísticas mais inovadoras no país

Por Lucas Mamédio | 10/08/2020 06:20
Capa de reportagem em formato de quadrinhos da Badaró (Foto: Acervo Badaró)
Capa de reportagem em formato de quadrinhos da Badaró (Foto: Acervo Badaró)

“Jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”. É com a frase provocativa do célebre jornalista Millôr Fernandes, que a Revista Badaró se apresenta aos leitores por meio de seu manifesto, publicado no site oficial do veículo.

Criada em 2019 por quatro jovens jornalistas e ilustradores de Mato Grosso do Sul, a Revista Badaró é uma experiência jornalística de vanguarda, que une inovação na forma e conteúdo. O principal exemplo disso é a utilização de reportagens em forma de quadrinhos, um recurso narrativo pouco visto no meio midiático, principalmente na grande imprensa.

O formato é inteiramete de quadrinho, com caixas de diálogos dos personagens (Foto: Acervo Badaró)
O formato é inteiramete de quadrinho, com caixas de diálogos dos personagens (Foto: Acervo Badaró)

Tudo começou no bar. Por aí já viram né, nada que começa num bar pode dar errado. Fábio Faria, Leopoldo Neto, Mylena Fraiha e Norberto Liberator, quatro egressos da UFMS conversavam sobre a necessidade e vontade de um veículo de comunicação que explorasse outras linguagens e outras pautas também, diferentes da mídia local tradicional.

“Tem também a que a questão da faculdade, que muitas vezes não nos dá tanta oportunidade de experimentação assim. E a partir desse diálogo e dessa vontade de criar uma experiência jornalística alternativa à produção dominante. O formato revista surge porque acreditamos que iria contemplar melhor o trabalho que a gente buscava fazer, com utilização de quadrinhos, com análises um pouco mais complexas”, explica Leopoldo Neto, fundador e um dos editores-chefes.

Por enquanto a Badaró está disponível apenas em formato digital. A revista oferece reportagens em algumas editorias, como política, esporte, cultura, ciência e meio-ambiente. São geralmente grandes reportagens, com temas que fogem do dia a dia da imprensa ou são vistos com outro olhar, e com tom sempre analítico e crítico.

“A gente parte de algumas concepções de jornalismo mais modernas, por exemplo, a gente não enxerga o jornalismo como imparcial, a gente acredita que dá pra fazer analítico, crítico, mas partindo de certos pressupostos, de certas opiniões políticas. A Badaró é um veículo que se assume de esquerda, com ideias democráticas, engajadas, bem alternativo, não alinhado às produções dominantes”, reforça Leopoldo.

Os temas das reporatgens também são escolhidos a dedo e abordados de forma analítica (Foto: Acervo Badaró)
Os temas das reporatgens também são escolhidos a dedo e abordados de forma analítica (Foto: Acervo Badaró)

O projeto gráfico da Revista Badaró é um dos pontos fortes dessa busca pela originalidade, sendo responsável não só pela identidade visual do veículo, mas pelo tom da revista mesmo; é forma dialogando diretamente com conteúdo.

“Não usamos muitas fotos justamente pra prestigiar as ilustrações, artes e colagens, justamente pra enfatizar a proposta de uma revista ilustrada, nos moldes do Pasquin, da Charlie Hebdo e tantos outros veículos que nos influenciaram”, afirma Fábio Faria, também fundador e um dos ilustradores.

Inicialmente com 4 membros, agora a equipe conta com 8 profissioanis no total (Foto: Acervo Badaró)
Inicialmente com 4 membros, agora a equipe conta com 8 profissioanis no total (Foto: Acervo Badaró)

Um dos principais exemplos disso são as reportagens em quadrinho. A adaptação é muito safa, colocando, geralmente, um personagem da matéria em forma de ilustração e as aspas sendo ditas em primeira pessoa no tradicional balão de diálogo dos quadrinhos. As informações adicionais, que contextualizam a reportagem, são escritas entre as cenas.

Tudo isso dá um trabalhão danado, por isso a Badaró teve de buscar mais profissionais dispostos a ajudar. Além dos quatro fundadores já citados, nesse momento a revista conta com os trabalhos de Adrian Albuquerque, Alison Silva, Guilherme Correia e Marina Duarte.

Por enquanto tudo é feito de forma voluntária, mas já há uma campanha publicitária em torno de um financiamento que pode ser feito pelo PicPay. “A gente iniciou uma campanha de financiamento pelo PicPay, pra gente melhorar nossa produção. O objetivo a curto prazo é que comecemos a pagar nossas despesas mais básicas. Mas a longo prazo a ideia é sustentar com a Badaró”, diz Leopoldo.

Há pouco tempo a revista entrou para o mundo dos podcasts, com o Garrafada, um podcast mensal de entrevistas. O formato podcast, aliás, faz parte dos planos da equipe para futuro. “Embora nosso grande foco seja o jornalismo em quadrinhos, a Badaró também gosta de explorar outros formatos. Mais pro fim do ano estou querendo lançar um podcast que vai falar sobre política, e também sobre a questão da mídia” antecipa Leopoldo.

Para conhecer mais do trabalho da Revista Badaró, basta acessar o site oficial. Para doação no PicPay, pode acessar esse link.

Capa de matéria sobre paternidade (Foto: Acervo Badaró)
Capa de matéria sobre paternidade (Foto: Acervo Badaró)

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