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Campo Grande, Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018

27/04/2018 06:22

Mesmo com tentativa de barrar, documentário "Cortina de Fumaça" debate maconha

Turma conservadora usou redes sociais contra a arte que levanta o debate que, na avaliação deles, foge dos valores cristãos

Thaís Pimenta
Presentes que participaram do debate. (Foto: Thaís Pimenta)Presentes que participaram do debate. (Foto: Thaís Pimenta)

Nos últimos dias, posts surgiram nas redes sociais apontando mais uma manifestação cultural na cidade como afronta aos princípios da família brasileira. Desta vez, o alvo foi filme sobre a legalização da maconha. "lamentável ver o Museu da Imagem e do Som de MS, uma instituição bancada pelo dinheiro público, cedendo seu espaço para esse documentário defendendo o uso de Maconha. Não aceitaremos pacíficos essa atitude maléfica contra as vidas e famílias de Campo Grande, vamos fazer barulho! #somosAresistencia", criticou um pré-candidato as próximas eleições na internet.

O documentário em questão, "Cortina de Fumaça", incomodou porque abre um debate sobre a possível legalização da maconha. Mas quem reclamou, parece, novamente, não ter conhecimento sobre a obra de Rodrigo Mac Niven. O filme não faz apologia ao uso das drogas, pelo contrário: expõe a questão de segurança pública, saúde privada e pública, ódio ao pobre e superlotação das celas brasileiras.

De acordo com um dos responsáveis pelo MIS, Alexander Onça, o evento teve até censura em relação à foto que estampava a matéria sobre a exibição. "Tentaram de toda forma barrar que a exibição acontecesse. Nos obrigaram a retirar a foto que estampava a matéria, de uma ganja (planta da maconha), por uma do Fernando Henrique Cardoso, um dos entrevistados no documentário. Teve até um deputado que pediu para ter uma cópia do filme em mãos".

Quem organizou a exibição foi o cineclube THCine, responsável também pela Marcha da Maconha. O que, segundo a coordenadora do MIS, Marinete Pinheiro, pode ser a justificativa para a corrente contrária à exibição, visto que o mesmo documentário já havia sido exibido anteriormente, por outro cineclube, no Museu. 

A cantora Marina Peralta, também participou da organização e garante que adoraria ver os criticos na plateia na noite de ontem. "A gente até queria a presença deles pra que realmente houvesse um debate entre as posições a favor e contra", explica. Porém, nenhum dos políticos estavam presentes.

Cerca de 30 pessoas estiveram presentes na exibição do documentário nesta quinta-feira . (Foto: Paulo Francis)Cerca de 30 pessoas estiveram presentes na exibição do documentário nesta quinta-feira . (Foto: Paulo Francis)

O público presente estava disposto a entender o posicionamento do diretor do Rodrigo e, durante o debate, relataram um pouco do que aprenderam e do que poderia ser feito para desestigmatizar a imagem e a palavra  "maconheiro". 

"Mexe bastante comigo, quando eu me ponho a ouvir sobre esse tema. A gente está acostumado a segregar essas pessoas e não a entender o porquê desses vícios. É uma questão de moralidade hoje pra mim tentar entender esse outro lado", disse um dos presentes.

O professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Paulo Edyr Bueno, propôs que audiências públicas com o tema da legalização fossem organizadas pelos integrantes da Marcha da Maconha. "Ou então, trazer gente de fora que tem propriedade para falar sobre isso, como Henrique Carneiro". 

"Essa exibição foi o começo do movimento desse ano, que vai realmente se consolidar no dia 12 de maio, dia da Marcha, que acontece na Praça do Rádio", explica Sérgio Onça, um dos responsáveis pelo movimento e integrante do THCine. 

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