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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

25/10/2017 07:15

Neusa "parou o trânsito" em Nova Iorque sem nenhuma timidez, agora careca

Thailla Torres
Neusa em um momento sonhado durante anos. (Foto: Arquivo Pessoal)Neusa em um momento sonhado durante anos. (Foto: Arquivo Pessoal)

Enquanto a família de Neusa Schlemper, de 58 anos, teve que buscar forças para não chorar diante da luta dela contra o câncer, ela raspou o cabelo sozinha e ainda mandou selfie na esperança de que todos entendessem o quanto ela continua firme. Mesmo com um disgnóstico doloroso, as reações à quimioterapia e a queda do cabelo, a doença continua como só um detalhe na vida da vendedora. Tanto, que resolveu bater o pé contra os médicos e viajou até Nova Iorque em busca de um sonho, de parar o trânsito, momento que ela compartilha hoje no Voz da Experiência.

Neusa tem várias cores de lenço. (Arquivo Pessoal)Neusa tem várias cores de lenço. (Arquivo Pessoal)

"Quem disse que paciente da quimioterapia não pode? Foi com esse questionamento que escolhi ter fé, caminhar com otimismo e encher o peito de coragem para enfrentar uma doença que só deixo no papel. Admito que nunca aceitei o câncer, isso não pertence a mim e vou sobreviver a ele. Mas a caminhada até esse entendimento não foi fácil. 

Recebi o diagnóstico de Linfoma em abril deste ano, no mês do meu aniversário. Costumava estar sempre feliz nessa época, quando de repente uma realidade que parecia distante assolou a minha família. Eu nunca tive o histórico da doença entre meus familiares e a notícia caiu como uma bomba naquele dia.

Eu sofri, minhas filhas custaram a acreditar e meu coração entrou em desespero, começou a correr contra o tempo e fazer contas do que seria possível fazer em tão pouco tempo de vida. Pela primeira vez pensei na morte.

Mas o desespero só durou uma semana, quando decidi viajar para São Paulo, devido a primeira consulta para saber mais detalhes da doença e como seria o tratamento.

Antes, abracei minha irmã, Marcia Schlemper Werneke, de 54 anos, dizendo que minha única vontade era dar aquele abraço em Miami, sorrindo e brindando a vida como éramos acostumadas a fazer todo ano.

Márcia é minha única irmã, melhor amiga e sempre viajamos juntas. Mas com a notícia do câncer, confesso que cheguei a pensar que o ano anterior teria sido nossa última viagem.

Com lágrimas nos olhos, ela me abraçou, disse que meu sonho seria realizado e que apesar da doença, viajaríamos juntas para ter muita história pela frente.

A doença é o que está no papel, em mim só há felicidade. (Foto: Arquivo pessoal)"A doença é o que está no papel, em mim só há felicidade". (Foto: Arquivo pessoal)

E graças ao apoio da minha família, o sonho foi realizado. No início de outubro, embarquei para Nova York, cheia de lenços coloridos na mala, mais disposta como nunca. Até então, nossa viagem seria mais uma para uma recordação até que tivemos a ideia de tornar aquele momento ainda mais especial.

Enchi meu peito de coragem, novamente, e me livrei de todos os medos. Quando descobri a doença e comecei a quimioterapia, meu maior desespero era perder o cabelo. Foi em julho que passei a mão e senti a primeira queda dele, sabia que no dia seguinte eu estaria com menos cabelo e decidi raspar. Primeiro, vesti um lindo vestido de festa, tirei um foto e em seguida fui ao banheiro passar a gilete. Depois mandei uma selfie para as minhas filhas com a cabeça raspada.

Apesar de sempre ter amado meu cabelo, assim que me olhei no espelho, careca, me senti bonita e mulher. Vi que a falta do cabelo não era motivo para vergonha, muito menos desculpa para deixar de viver.

Percebi que não precisava ficar em casa pensando na doença. Por isso viajei a Nova York e decidi jogar o lenço para o alto. Parada no meio da Quinta Avenida, mostrei a careca, joguei o lenço rosa, e literalmente, parei o trânsito enquanto muita gente sorria e buzinava. Foi um momento muito especial e dediquei a todas as mulheres que lutam contra essa doença e tenho certeza que já são vencedoras.

Hoje continuo com a quimioterapia, mas sou uma pessoa feliz. Passei a curtir os meus lenços, até tenho uma peruca linda, mas me acho bonita com os lenços coloridos. É claro, não vou mentir, ainda tenho saudades do meu cabelo, mas não sinto tristeza quando olho para a minha careca. Vivo o meu momento a cada minuto, porque o final feliz sou eu quem faço e mais uma vez repito, vou vencer o câncer".

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