Roberto largou bar e virou artesão de mão cheia no mundo dos capacetes
Tudo começou com um “não” aos 18 anos; desde então, ele mostra que arte é dom, mas também teimosia
Aos 55 anos, Roberto Souza Maciel mostra que não é só o talento que faz alguém se dar bem na vida. A realização também pode estar na teimosia de aprender, na paciência de repetir e na coragem de transformar improviso em profissão. Diante de um não, ele meteu a cara na customização de capacetes e hoje se considera "fera" nisso. O trabalho artesanal é feito com técnica, cuidado e muitos anos de estrada.
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Roberto Souza Maciel, de 55 anos, transformou uma recusa em carreira ao se tornar personalizador de capacetes em Campo Grande. Após ser dispensado por um profissional da área aos 18 anos, aprendeu a técnica por conta própria e hoje acumula mais de 7 mil serviços, com peças enviadas para fora do Brasil. Designer formado, ele optou pela paixão pelas motos e cobra entre R$ 200 e R$ 500 por personalização. O estúdio fica na Rua Argemiro Fialho, 119, Vila Bandeirante.
No estúdio, Roberto não se limita à pintura. Ele desmonta, restaura, costura forros, personaliza detalhes e também trabalha com personalização de motos. Há 20 anos, chegou a ser dono de um pub em Campo Grande, mas a rotina pesada o fez escolher outro caminho. Entre o balcão e a arte, ficou com aquilo que sabia fazer melhor: dar identidade a capacetes e transformar peças comuns em objetos únicos.
Designer formado e com duas graduações no currículo, Roberto poderia ter seguido por outros caminhos. Mas a paixão por motos falou mais alto. Desde criança, ele convive com integrantes de motoclubes e sempre gostou do universo das duas rodas. Foi nesse ambiente que, entre os 18 e 19 anos, decidiu aprender a pintar capacetes. A tentativa na época foi frustrante.

Ele e um amigo procuraram um personalizador para pedir orientação. A resposta foi seca: seria preciso "ter o dom". O profissional se recusou a ensinar. Mas os dois não desistiram da história. Ao contrário, tudo isso acendeu o pavio e deu ainda mais vontade de aprender. Irritados, os dois resolveram tentar por conta própria.
O primeiro trabalho foi um capacete com desenho do Frajola e do Piu-Piu. Sem compressor, sem internet e sem equipamentos adequados, a pintura saiu no improviso, feita com bombinhas de veneno.
Hoje a cena parece quase absurda, mas foi dali que começou uma trajetória que já soma mais de 7 mil serviços, inclusive com peças enviadas para fora do Brasil. “Eu nunca fiz curso de aerografia. No início, eu mesmo cortava as máscaras de pintura à mão; hoje, uso computador e máquina de corte”.
O trabalho é solo. Ele conta que já tentou ter funcionários, mas o método de criação exige espaço, improviso e controle total sobre o processo. A estrutura também mudou com o tempo. Recentemente, ele montou uma estufa para enfrentar os dias frios porque a peça precisa ser aquecida antes do desenho e novamente antes do verniz. "Não é possível desenhar no frio sem isso".
Confira a galeria de imagens:
O serviço vai além da pintura. Roberto também desmonta, personaliza, remonta e entrega capacetes novos ou usados, incluindo modelos caros. Em alguns casos, restaura a forração interna completa. Para isso, usa uma máquina de costura antiga, que pertenceu à avó de um amigo.
Os valores variam conforme o modelo e a complexidade do desenho. Uma personalização costuma custar entre R$ 200 e R$ 500. O prazo médio de entrega é de até 10 dias. Entre os pedidos mais comuns estão as logomarcas da Harley-Davidson. Apesar de solitário, Roberto não trocaria o trabalho por outra coisa. "Eu me realizo assim."
O estúdio dele fica na Rua Argemiro Fialho, 119, no bairro Vila Bandeirante.
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