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Comportamento

Comércio feito na base da confiança, onde o cliente diz quanto deve

Por Ângela Kempfer | 31/01/2012 11:45
Cliente pega quanto quiser e depois diz quanto deve. (Foto: Marlon Ganacin)
Cliente pega quanto quiser e depois diz quanto deve. (Foto: Marlon Ganacin)

Em tempos de desconfiança em tudo, comerciante que nada contra a corrente se destaca na multidão. Em Campo Grande, a exceção está em uma lanchonete na rua 7 de Setembro. Desde que foi criada, há 34 anos, o sistema é na base da confiança no cliente.

As pessoas pegam o quanto querem no balcão e na hora de pagar o cálculo é feito com base no que o cliente diz ter consumido. Não há comanda, ninguém anota nada. No caixa, só é preciso falar quantos salgados comeu, quantas bebidas consumiu e pronto.

Um dos proprietários do Thomaz Lanches, Ricardo , garante que ninguém fica “espiando” o consumo dentro da lanchonete. “Quem estranha muitas vezes é o cliente. Tem pessoas que chegam aqui pedindo papelzinho com a anotação”, conta.

Ele não lembra como o sistema começou, mas diz ter certeza que 95% das contas são pagas corretamente. “A grande maioria é honesta, paga direitinho. Nunca tivemos prejuízo”.

Quando os espertinhos aparecem, a cobrança também não é explícita, comenta o simpático comerciante. “Tem sempre algum folgado. Quando exageram, damos um toque do tipo: será que foi só isso mesmo”.

Família lancha unida.
Família lancha unida.

O negócio criado por José Thomaz, hoje com 82 anos, cresce visivelmente, desde a fundação em uma esquina da Rui Barbosa com a 7 de Setembro. “Abrimos aqui e já estamos acertando para aumentar o prédio e chegar até a esquina de novo”, prevê Ricardo.

Elton Almeida, de 45 anos, é cliente fiel e agradece a confiança. “A gente não vê isso em lugar nenhum. Todo mundo acha sempre que os outros estão roubando. Aqui é o contrário e me sinto em casa”.

Ao lado da esposa e dos 3 filhos, Hugo Dano, de 38 anos, diz que estranhou no início, mas avalia como ótima fórmula a venda na base da confiança. “As pessoas se sentem bem e voltam sempre”.

O aposentado Luis Leopoldo, de 70 anos, passa, religiosamente, 2 vezes por dia no Thomaz Lanches. Sai do bairro Monte Líbano para tomar o café da manhã e depois, às 16 horas, o lanche da tarde.

“Venho fazer ele (Ricardo) passar raiva”, brinca, sentado em uma mesa com suco de laranja e enroladinho de presunto e queijo. “Há muitos anos faço isso, para mim já é a extensão da minha casa”, justifica.

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