Festival de Cinema de Bonito cresce e espera público recorde em 2026
Diretor fala no lançamento nesta manhã: "Nós precisamos nos ver mais nas telas"

O Bonito Cinesur – Festival de Cinema Sul-Americano chega à quarta edição, entre os dias 24 de julho e 1º de agosto, já como um dos principais eventos dedicados ao cinema latino-americano no Brasil. A organização lançou oficialmente, nesta terça-feira (30), a programação totalmente gratuita no Bioparque Pantanal. O evento terá exibição de filmes, oficinas, debates e atividades culturais, além da presença de artistas e cineastas do Brasil e de outros países da América do Sul.
Durante o lançamento, o diretor do Bonito Cinesur, Nilson Rodrigues, destacou o crescimento do evento desde a primeira edição.
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"Quando a gente começa um projeto é sempre mais difícil. Um projeto novo, as pessoas não têm confiança se aquilo vai dar certo. Então ele vem crescendo e, quando você já chega na quarta edição, como é o nosso caso agora, e o projeto veio crescendo ao longo do tempo, veio adquirindo credibilidade, tanto internamente, no Brasil, como nos outros países da América do Sul, ele se afirma", afirmou.

Para ele, o festival já se tornou uma referência para o cinema sul-americano. "Eu diria hoje que nós somos uma referência do cinema sul-americano e o nosso objetivo desde o início era esse: fazer de Mato Grosso do Sul e de Bonito o ponto de encontro das cinematografias sul-americanas."
Segundo Nilson, o momento também é positivo para o cinema brasileiro, impulsionado pelo reconhecimento internacional recente.
"O cinema brasileiro vem bem há muito tempo. Nós temos uma produção muito pujante, muito criativa. É claro que esses prêmios estimulam, divulgam o nosso cinema e nos dão alegria, mas eles são mais um reconhecimento daquilo que já está sendo feito."
Ele acredita que um dos desafios ainda é ampliar o espaço do cinema latino-americano nas telas. "Nós precisamos nos ver mais nas telas de cinema."
Neste ano, o festival reúne 32 produções de 10 países sul-americanos e espera bater um novo recorde de público. Em 2024, mais de 5 mil pessoas passaram pelo evento. Em 2025, esse número saltou para 9 mil, e a expectativa para esta edição é ainda maior.
Também são esperados mais de 150 convidados nacionais e internacionais, entre atores, diretores, produtores e profissionais do audiovisual.
Cinema e turismo de mãos dadas
Para o prefeito de Bonito, Josmail Rodrigues, o festival se transformou em uma importante ferramenta de divulgação do município. "Tem que acreditar no cinema. É um sofrimento começar e acreditar em um projeto que deu certo", afirmou.
Segundo ele, o objetivo é fazer com que Bonito seja cada vez mais reconhecida internacionalmente. "É uma oportunidade de divulgar a cidade para o mundo. Quero Bonito reconhecida internacionalmente."
Além do impacto cultural, o prefeito destacou os reflexos na economia. "Eu acredito que abrir as portas para o cinema, como os livros e a Flib, é geração de economia e renda."
Gianecchini confirmado
Entre as novidades da edição deste ano está a presença do ator Reynaldo Gianecchini, que será o apresentador da cerimônia de abertura do festival.
A edição também prestará homenagem à atriz, diretora e dramaturga chilena Paulina García, vencedora do Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim pelo filme Gloria. O longa Querido Trópico foi escolhido para abrir a programação.
Outro convidado especial será o ator Bruno Gagliasso. Já o documentarista Vincent Carelli receberá uma homenagem pela contribuição ao cinema ambiental.
Pela primeira vez, a Mostra Competitiva de Filme Sul-Mato-Grossense terá oito produções selecionadas, ampliando o espaço dedicado aos realizadores do Estado.
Os filmes escolhidos são:
- Ao Sul do Sol
- Filhos do Litoral Central
- Fronteiriças
- Higa Ke – Olho por Olho
- Mapago
- Natasha
- Quatro Luas Pantaneiras
- Vípuxovuko – Aldeia
Além das produções de Mato Grosso do Sul, a programação reúne filmes do Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Peru, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Uruguai e Equador.
Na mostra competitiva de longas sul-americanos concorrem seis produções:
- A Vida de Cada Um (Brasil)
- El Hombre de la Luz (Venezuela e Colômbia)
- Hijo Mayor (Argentina e França)
- La Noche Está Marchándose Ya (Argentina)
- Naira (Peru)
- ¿Quién Mató a Narciso? (Paraguai)
Já a competição de curtas reúne:
- A Vida de Jerônimo Dentro e Fora da Casca (Brasil)
- Benteveo (Argentina)
- Escena Final (Argentina)
- Futura Licenciada (Chile)
- Sukua (Colômbia)
- Vermelho de Bolinhas (Brasil)
Além das exibições, o festival contará com cursos, oficinas, palestras e atividades voltadas para estudantes, todos gratuitos.
Para quem participar do Bonito Cinesur, Nilson Rodrigues resume a experiência em poucas palavras: "Filmes incríveis, filmes novos e diversos olhares sobre a América do Sul. Nós precisamos nos conhecer mais e nos ver mais nas telas de cinema."
O festival é uma realização da AACIC (Associação Amigos do Cinema e da Cultura), em parceria com o Ministério da Cultura (Governo Federal), por meio de emenda parlamentar do deputado federal Vander Loubet (PT-MS). Conta com patrocínio da Caixa Econômica Federal, do Sesc e da Fecomércio. Tem o apoio da Secretaria Municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico, da Prefeitura de Bonito, da Fundtur (Fundação de Turismo) e do Governo de Mato Grosso do Sul.

