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Campo Grande, Terça-feira, 19 de Setembro de 2017

18/05/2017 12:11

Colecionador de videogames assina nome em todos os itens da coleção e vira lenda

Vitor Issui
Nada escapava à canetinha de Luiz Suguita.Nada escapava à canetinha de Luiz Suguita.
Nem fita e nem encarte. Nem fita e nem encarte.

Há mais ou menos 3 anos, quando vim a conhecer mais o mundo dos colecionadores de videogame, por me tornar-me amigo de muitos deles, me deparei com um nome: Luiz Suguita. Mas não pense que é alguém que eu conhecia ou um grande colecionador que todos falavam bem, aliás ele era sem dúvida um colecionador, e ao que tudo indica era bastante exigente, pois sempre tinha jogos completos com encarte, caixa, manual e o jogo, e tinha jogos de uma enorme gama de consoles, um vasto e variado acervo, até que um dia ele decide não se sabe porque vender tudo.

Quando um colecionador resolve vender a coleção isso é sinal que fará a felicidade de vários outros colecionadores, que poderão adquirir os desejados itens de sua coleção, certo? Normalmente sim. Mas no caso da coleção de Suguita, um pequeno detalhe atrapalhou um pouco a euforia “da galera”.

É que Luiz Suguita assinava seu nome em todos os itens que possuía: cartuchos, cd’s, caixas de papelão, manuais de instrução... Nada escapava da implacável canetinha do até então anônimo Luiz. Isso naturalmente criou uma verdadeira revolta em todos que compravam. Mesmo quem não comprava achava absurdo ao ver as fotos daqueles itens nos sites de leilão. Mas aos poucos esses itens começaram a virar uma espécie de folclore, uma piada pronta, coisa bem típica do Brasil, a ponto desses itens serem denominados com o sobrenome do autor. Quer um exemplo? Vendo um Sonic (Suguita) de Mega Drive. Alguns até ficavam felizes, pois os itens suguitas são vendidos por menor valor.

Agora o que torna tudo um mistério e acaba dando a Luiz Suguita o caráter de quase lenda, é que ninguém sabe quem ele é. Apesar da quantidade massiva de itens de sua antiga coleção estarem hoje na mão de centenas de colecionadores brasileiros, além de vários leilões e anúncios de venda na internet com itens da sua “grife”, ninguém sabe quem ele é. Ninguém afirma ter comprado algum desses itens do próprio Suguita. Existem até mesmo tópicos de fóruns do portal Sega Brasil, que tentam encontrar o Luiz Suguita, de forma caricata, levantando algumas possibilidades sobre o seu paradeiro:

- Já não se encontra entre nós;
- É uma lenda urbana criada por algum colecionador engraçadinho;
- É um pseudônimo;
- Tem um nome do meio (ou mais), que o faz inencontrável no Google.

Outra informação importante sobre o misterioso Sr. Suguita: os jogos e console de sua coleção iam desde Nintendinho e Master System até PlayStation 2, sendo que a absoluta maioria de seus itens era de origem japonesa, o que leva a crer que talvez tivesse algum parente lá que mandava para ele esses jogos ou ele próprio ia muito ao Japão ou até lá morava.

Mas antes de condena-lo ao mármore do inferno, permita-me dizer algo: eu tenho raízes nipônicas e esse lance de assinar seus itens é bem comum no oriente: bacias, potes e até mesmo alguns utensílios sempre tinham os nomes das minhas tias, da minha mãe... Meu tio adesivava todas as fitas VHS dele com seu nome. Claro que para quem coleciona, não deve ser muito agradável ter um item com o nome de alguém assinado, ainda mais que você nem sabe quem é, né?

Algo me chamou muito a atenção quando fui iniciar as pesquisas sobre o Sr. Suguita. Perguntei aos vários grupos, fóruns e comunidades em que participo se alguém teria imagens de jogos, aparelhos e manuais que tivessem sido assinados por Luiz Suguita. Fiquei espantado com a quantidade de fotos que recebi (você pode conferir essas pérolas no vídeo abaixo) e o mais interessante é que, conversando com essas pessoas, nenhuma tem interesse em se desfazer do item, e como curioso que sou perguntei o motivo. As respostas foram similares: disseram que para o bem ou para o mal, todos esses itens fizeram parte de uma imensa coleção e tem uma história, por mais folclórica que seja.

Visite o Vídeo Game Data Base, o museu virtual brasileiro dos videogames.




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