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Lado Rural

Dejeto de suínos se transforma em fertilizante e ganha espaço nas lavouras

Tecnologia desenvolvida pela Embrapa alia sustentabilidade e eficiência no uso de nutrientes

Por José Cândido | 05/05/2026 14:30
Dejeto de suínos se transforma em fertilizante e ganha espaço nas lavouras
Lavoura de soja adubada com estruvita, fertilizante obtido a partir de resíduos, mostra alternativa sustentável para manter produtividade e reduzir a dependência de insumos importados no campo brasileiro. (Foto: Caio Inácio)

Uma solução que nasce do problema e volta ao campo como produtividade começa a ganhar espaço na agricultura brasileira. Pesquisadores da Embrapa estão avançando no uso da estruvita como alternativa nacional aos fertilizantes fosfatados, hoje amplamente importados pelo país. A proposta une sustentabilidade e eficiência ao transformar resíduos da suinocultura em um insumo agrícola de alto valor.

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Pesquisadores da Embrapa avançam no uso da estruvita, composto obtido de dejetos de suínos, como alternativa aos fertilizantes fosfatados importados. O produto libera nutrientes de forma gradual, favorecendo a absorção pelas plantas. Experimentos com soja mostram resultados promissores, com produtividade semelhante aos fertilizantes convencionais. A tecnologia reduz a dependência de importações e os riscos de contaminação ambiental, representando uma solução de economia circular para a agricultura brasileira.

A estruvita é um composto formado por fosfato, magnésio e amônio, obtido a partir do reaproveitamento de dejetos animais. O que antes representava um passivo ambiental, com potencial de poluir solos e cursos d’água, passa a ser convertido em fertilizante, dentro de uma lógica de economia circular. Na prática, o resíduo deixa de ser problema e se transforma em solução para o próprio sistema produtivo.

Um dos diferenciais da estruvita está na forma como libera nutrientes no solo. Ao contrário dos fertilizantes convencionais, que disponibilizam o fósforo de forma imediata e muitas vezes com baixa eficiência, a estruvita faz essa liberação de maneira gradual. Isso permite que a planta absorva melhor o nutriente ao longo do seu desenvolvimento, reduzindo perdas — um fator importante especialmente nos solos brasileiros, onde o fósforo tende a ficar retido e indisponível.

Os primeiros resultados de campo indicam que a tecnologia é promissora. Em experimentos com culturas como a soja, a estruvita conseguiu suprir parte significativa da demanda de fósforo sem comprometer a produtividade, mostrando desempenho semelhante ao dos fertilizantes tradicionais em determinadas condições. Mais do que manter a produção, a alternativa abre caminho para reduzir custos e aumentar a eficiência no uso de insumos.

O impacto potencial vai além da lavoura. Atualmente, o Brasil depende fortemente da importação de fertilizantes, o que expõe o setor agrícola às oscilações do mercado internacional. Ao apostar em uma solução produzida internamente, a pesquisa contribui para aumentar a autonomia do país e diminuir essa vulnerabilidade.

Ao mesmo tempo, há ganhos ambientais importantes. A reutilização dos resíduos reduz o risco de contaminação e melhora a gestão de nutrientes, alinhando a produção agrícola a práticas mais sustentáveis. Ainda em fase de estudos mais aprofundados, especialmente sobre o comportamento da estruvita em diferentes tipos de solo, a tecnologia já desponta como uma alternativa concreta.

Mais do que um novo fertilizante, a estruvita representa uma mudança de lógica: produzir a partir do que antes era descartado e transformar um desafio ambiental em oportunidade econômica.