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Lado Rural

Milho dispara nas exportações de MS com 154,3% de crescimento em 2026

Especialista atribui o incremento à combinação de uma grande safra com um mercado aquecido

Por Anderson Viegas | 10/04/2026 13:36


Milho dispara nas exportações de MS com 154,3% de crescimento em 2026
Em 2026, estado exportou 334,281 mil toneladas de milho com faturamento de US$ 73,723 milhões (Foto: Aprosoja/MS/Arquivo)

RESUMO

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Exportações de milho em grão de Mato Grosso do Sul cresceram 154,3% em receita e 152% em volume no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025, segundo o MDIC. O estado embarcou 334,281 mil toneladas, com faturamento de US$ 73,723 milhões. O avanço fez o cereal subir da décima para a quinta posição no ranking de exportações estaduais. Especialistas atribuem o resultado à grande safra e à alta demanda internacional.

As exportações de milho em grão cresceram 154,3% em receita e 152% em volume em Mato Grosso do Sul no primeiro trimestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025, segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Esse incremento fez com que o cereal saltasse da décima para quinta posição no ranking de principais produtos exportados pelo estado na comparação dos dois anos.

Conforme o MDIC, entre janeiro e março do ano passado, Mato Grosso do Sul embarcou 132,429 mil toneladas do grão para oito países, com receita de US$ 28,980 milhões. No mesmo intervalo de tempo deste ano, o volume passou para 334,281 mil toneladas, também para oito destinos, e com faturamento de US$ 73,723 milhões.

O especialista em comércio exterior Aldo Barrigosse atribuiu o incremento nas vendas internacionais à combinação de uma grande safra com um mercado aquecido.

“O que puxou o aumento esse ano foi uma colheita muito grande e um aumento de produtividade em 2025. O mercado internacional demanda muito o milho brasileiro. Então nós pegamos carona. Os produtores com o preço internacional mais alto, escoaram uma quantidade maior de produtos frente a 2025. Porém, temos históricos de primeiro semestre em que nós vendemos cinco, seis vezes mais do que foi vendido esse ano”, explica.

O especialista diz que o viés se mantém de alta para a sequência do ano. “A expectativa para os próximos meses é que continuemos a escoar uma quantidade boa de milho, porque os preços internos estão baixos e temos a projeção de uma colheita menor em 2026”, aponta.

Barrigosse disse também que o aumento das exportações não deve impactar no mercado interno, apesar da demanda crescente para atender à produção de etanol e ao processamento de ração animal. “Não temos preocupações em relação a faltar aqui no mercado doméstico, porque temos segurança na produção e uma produtividade muito boa.”

No entanto, ele demonstrou preocupação em relação aos insumos para o próximo ciclo, o que pode afetar a produção e os preços. “A questão é se vamos ter insumos suficientes, é um preço suficiente, se tratando de fertilizante, em razão dos impactos negativos da guerra no Irã, porque cerca de 50% dos produtos que vem para o Brasil são da região do conflito. Temos expectativa que com essa trégua de duas semanas, que eles acabaram de acordar se consiga normalizar isso para o próximo semestre”.

Segunda safra - O plantio da segunda safra de milho, também chamada de safrinha ou safra de inverno, está praticamente concluído em Mato Grosso do Sul. Segundo o SIGA (Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio), a estimativa é que estejam sendo cultivados neste ciclo 2,206 milhões de hectares e que a produtividade média atinja 84,2 sacas por hectare, resultando em uma produção de 11,139 milhões de toneladas.

O SIGA aponta um aumento de 3% na área plantada com o cereal, mas há perspectiva de redução de produtividade de 22,4% e de produção de 20,1% em comparação com a temporada anterior. O cereal deve ocupar aproximadamente 46% da área destinada à soja no estado, o que representa uma redução significativa em comparação aos 75% que já chegou anteriormente.

A análise do SIGA pondera que o milho tem sido cada vez mais cultivado na segunda safra no estado em áreas com menor risco climático para escapar de fenômenos como as geadas. Isso leva a que o restante do território agricultável seja ocupado por culturas alternativas, como sorgo, milheto e pastagem.