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Meio Ambiente

Árvores são responsáveis por 80% dos problemas de energia na Capital

E nem precisa chover, segundo direção da Energisa que fala em equívocos de poda e de manejo

Por Mylena Fraiha e Geniffer Valeriano | 15/04/2026 14:36
Árvores são responsáveis por 80% dos problemas de energia na Capital
Representantes do poder público, concessionárias e entidades técnicas compõem painel para discutir a relação entre arborização urbana e rede elétrica, no auditório do Crea-MS, em Campo Grande (Foto: Geniffer Valeriano).

Basta uma chuva mais intensa em Campo Grande para que vários bairros registrem queda de energia. O cenário é confirmado pelo diretor-presidente da concessionária Energisa, Paulo Roberto dos Santos, que afirmou, na manhã desta terça-feira (15), que 80% dos problemas no fornecimento estão relacionados à queda de árvores.

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Representantes do poder público, concessionárias e especialistas se reuniram no Crea-MS para o SBASE 2026, simpósio que debate a relação entre arborização urbana e rede elétrica. O diretor da Energisa revelou que 80% das quedas de energia em Campo Grande ocorrem por causa de árvores. Especialistas defendem planejamento de plantio, manejo contínuo e uso de cabos protegidos como soluções para reduzir os impactos.

A declaração foi feita nesta terça-feira (15), durante a abertura do SBASE (Simpósio Brasileiro de Gestão de Árvores e Sistemas Elétricos) de 2026, realizado no auditório do Crea-MS (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul). O evento segue até quinta-feira (17) e reúne representantes do poder público, concessionárias e entidades técnicas para discutir a relação entre arborização urbana e rede elétrica.

De acordo com Paulo Roberto, eventos climáticos mais severos têm intensificado o problema. “Quando há ventos fortes e chuvas intensas, a interrupção do fornecimento de energia está, em grande parte, relacionada a árvores tocando na rede ou provocando oscilações”, afirmou.

Árvores são responsáveis por 80% dos problemas de energia na Capital
Queda de árvore no Bairro Estrela do Sul, em Campo Grande, no dia 5 deste mês; problema também afetou a rede elétrica (Foto: Direto das Ruas)

Casos recentes, noticiados pelo Campo Grande News, também reforçam o cenário. No temporal do último dia 5 de abril, moradores de bairros como Coronel Antonino, Estrela do Sul, Amambaí e da região central relataram falta de energia após quedas de árvores.

Apesar de a responsabilidade pela poda e manejo da vegetação ser do poder público municipal, o presidente da Energisa defende maior integração entre os órgãos. “A responsabilidade está bem definida, mas sabemos das dificuldades enfrentadas pelas prefeituras. Estamos colocando à disposição nossas equipes e equipamentos para atuar de forma conjunta”, disse.

Ele também sugeriu a criação de convênios técnicos que estabeleçam de forma clara quem executa a poda, quem faz o recolhimento e a destinação dos resíduos.

Árvores são responsáveis por 80% dos problemas de energia na Capital
Titular da Semades, Ademar Silva Junior diz que o aumento no volume de chuvas tem ampliado os problemas relacionados à queda de árvores e às interrupções de energia na Capital (Foto: Geniffer Valeriano).

O secretário municipal de Meio Ambiente, Ademar Silva Júnior, da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável), também abordou o tema. Segundo ele, Campo Grande é reconhecida pela arborização, o que exige planejamento constante. “Campo Grande é considerada, pelo 7º ano, uma cidade-árvore do mundo. Isso traz ônus e bônus,” afirmou.

De acordo com o secretário, o aumento no volume de chuvas tem ampliado os problemas relacionados à queda de árvores e interrupções de energia. Ele explicou que, em áreas públicas, a responsabilidade pela retirada de árvores é da prefeitura, por meio da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos). Já em áreas privadas, a responsabilidade é do proprietário. Em situações de risco, também atuam a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros.

Mais planejamento - Na avaliação da especialista em arborização urbana e secretária regional Centro-Oeste da SBAU (Sociedade Brasileira de Arborização Urbana), Gisseli Giraldelli, o aumento de eventos climáticos extremos tem pressionado as cidades a reverem suas práticas. “A convivência entre arborização urbana e rede elétrica é possível. Existem várias soluções, desde o planejamento do plantio até a adaptação das redes elétricas”, afirmou.

No caso de Campo Grande, considerada uma das cidades mais arborizadas do Brasil, ela aponta que o problema pode se intensificar, mas que, com manejo adequado, os impactos tendem a diminuir. A especialista também reforçou que a discussão não deve levar à retirada indiscriminada de árvores.

“No contexto de Campo Grande, a gente já tem verificado que, naqueles locais onde conseguimos manejo adequado, a incidência de eventos é muito menor”, comenta. “Hoje a gente não pode mais abrir mão das árvores. A arborização é uma infraestrutura que fornece mais de 20 serviços para nós, então buscamos esse objetivo de convivência, sem precisar abrir mão nem da energia elétrica nem da arborização urbana”, explica Gisseli.

Apesar dos problemas recorrentes, ela afirma que há soluções disponíveis e que o desafio não está na falta delas, mas na aplicação. Entre as alternativas estão o planejamento do plantio, a escolha adequada das espécies, o manejo contínuo e a adaptação da própria rede elétrica, com tecnologias como cabos protegidos e redes compactas. “O que falta é cultura de planejamento e investimento contínuo. Muitas vezes, só se age após o problema acontecer”, disse.

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