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Meio Ambiente

Obras depositam resíduos no rio Anhanduí e contribuem para assoreamento

Por Ítalo Milhomen | 27/07/2011 10:17
Resíduos no leito do rio Anhandui, em frente ao shopping Norte e Sul.
Resíduos no leito do rio Anhandui, em frente ao shopping Norte e Sul.
Outro ponto do rio Anhandui sofre com o mesmo problema do assoreamento.
Outro ponto do rio Anhandui sofre com o mesmo problema do assoreamento.

Em frente ao novo shopping Norte Sul, máquinas tiram parte da terra da margem do Anhandui para construir um novo muro de contenção, no entanto, depositam a terra e outros sedimentos no meio do leito do rio. Com a chuva do último domingo (24) parte da terra foi carregada pelas águas formando novos bancos de areia, que assoreiam o rio, contribuindo para futuras enchentes.

Essa é a avaliação do professor Kwok Chiu Cheung, do curso de Biologia da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), que acredita que a destinação de resíduos destas obras pioram a situação do rio que está bastante degrado. Para ele a prefeitura deveria recolher o material em caçambas, como restos dos muros de contenção que caíram, e dar outro destino ao entulho.

O assoreamento ocorre também em outros trechos que estão em obras em Campo Grande.

A reportagem do Campo Grande News percorreu o leito do córrego Segredo na manhã desta terça-feira e mesmo longe do período chuvoso, as encostas destes locais continuam caindo com a erosão.

Na região onde está sendo construído o Parque Linear do Segredo já foram colocadas cercas com telas, mas próximo delas, as crateras também se aproximam do asfalto. Hoje com a estiagem, o leito do rio que tem pouco mais de dez metros, tem apenas um fio de água passando em meio aos bancos de areia.

De acordo professor Cheung, a prefeitura faz muitos gabiões, aquela barreira lateral formada por pedras e arames, porém quando têm chuvas fortes, a água ultrapassa o nível dos gabiões levando vários tipos de sedimentos das encostas para dentro do córrego.

Professor mostra locais de assoreamento em rio.
Professor mostra locais de assoreamento em rio.

Outra irregularidade apontada por Cheung é a falta de fiscalização da legislação ambiental que determina que córregos com até dez metros de margem teriam que ter pelo menos 30 metros de mata ciliar de cada lado. Um dos grandes problemas identificados está nas nascentes dos córregos que não têm mais matas ciliares.

“A urbanização irregular e a especulação imobiliária engoliu as matas ciliares. Com a discussão do novo Código Florestal, eles querem diminuir de 30 metros de mata ciliar para 7,5 metros. Os fazendeiros têm que cumprir a legislação, mas o pessoal da cidade não cumpre”, comenta o biólogo.

Para ele, o problema das enchentes tem que ser resolvido de modo conjunto, não apenas com obras compensatórias pontuais, como estão ocorrendo em frente ao novo Shopping Norte Sul.

Ele dá o exemplo da obra no córrego Segredo em frente ao Museu de Belas Obras, para corrigir parte de um buraco que engoliu o asfalto nas enchentes no início do ano.

“Se começarem a obra naquele buraco agora em agosto, não vão terminar em três meses e vai vir outro período chuvoso e vai cair tudo de novo, tudo isso com o nosso dinheiro. O problema não será solucionado”, pontua Cheung.

A reportagem do Campo Grande News entrou em contato com a assessoria de imprensa da prefeitura da Capital para saber dos secretários de Obras e de Meio Ambiente qual seria a destinação dos resíduos das obras que estão sendo realizadas no rio Anhanduí e sobre a fiscalização do cumprimento das normais ambientais sobre a metragem mínima das matas ciliares, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno.

Pedaços de concreto no leito do Córrego Segredo, o mais assoreado.
Pedaços de concreto no leito do Córrego Segredo, o mais assoreado.