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Política

Bancada de MS cobra explicação de Bolsonaro sobre acusações de Moro

Ao deixar o cargo de ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro reclamou de tentativa de interferência do Governo Federal na PF

Por Maressa Mendonça e Leonardo Rocha | 24/04/2020 14:49
Senadoreres Nelsinho Trad e Simone Tebet e deputados federais Luiz Ovando e Fábio Trad (Foto: Reprodução)
Senadoreres Nelsinho Trad e Simone Tebet e deputados federais Luiz Ovando e Fábio Trad (Foto: Reprodução)


O pedido de demissão do ministro da Justiça Sérgio Moro, na manhã desta sexta-feira (24), foi visto com preocupação pelos representantes de Mato Grosso do Sul em Brasília (DF). Para eles, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) precisa dar explicações sobre as acusações feitas pelo ex-juiz federal ao justificar os motivos que o fizeram abandonar o cargo.

A principal queixa do ex-ministro foi a tentativa de interferência do Governo Federal na Polícia Federal. Em seu último discurso no cargo, Moro declarou que, "o presidente queria uma pessoa que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações de inteligência”.

Moro disse ainda que não aceitava a demissão “a pedido” de Maurício Valeixo, até então diretor-geral da Polícia Federal. Ele negou ter assinado o documento de exoneração de Valeixo.

Senadora Simone Tebet (Foto: Agência Brasil)
Senadora Simone Tebet (Foto: Agência Brasil)

Por meio das redes sociais, a senadora Simone Tebet (MDB) comentou que as declarações do ex-ministro precisam ser consideradas. “Moro tem história e histórico para levarmos a sério as declarações bombásticas que fez, e que não foram poucas, contra Bolsonaro”, declarou, citando a tentativa de interferência na PF.

“[Moro] afirmou taxativamente que o presidente queria intervir politicamente na PF, ter acesso indevido a inquéritos e produzir relatório de inteligência, sabe-se lá contra quem. Este filme nós já conhecemos. Estas acusações, se comprovadas, são gravíssimas, e podem caracterizar crime de responsabilidade. O Presidente da República deve uma explicação à Nação", declarou.

Senador Nelsinho Trad (Foto: Divulgação)
Senador Nelsinho Trad (Foto: Divulgação)


O senador Nelsinho Trad (PSD) lamentou a saída do ministro nesse período de pandemia  ressaltando que o momento deveria ser de união para vencer o coronavírus.” Vejo com muita preocupação essa instabilidade política que se demonstra evidente no governo do presidente Bolsonaro”, declarou à reportagem do Campo Grande News.

Nelsinho acredita que o presidente “tenha tido os motivos dele para ter afastado o diretor da PF”, mas lamenta a decisão tenha refletido no pedido de demissão de Moro. “Penso que o momento agora é de muita reflexão. De cada um cumprir o seu papel no sentido de passar logo por cima disso, ir para frente e enfrentar os problemas que estão por vir”, pontuou se referindo a crise econômica causada pelo coronavírus.

Deputado federal Fábio Trad (Foto: Divulgação)
Deputado federal Fábio Trad (Foto: Divulgação)


O deputado federal Fábio Trad (PSD) também se manifestou sobre o assunto nas redes sociais. Ele relembrou o papel da PF afirmando que os agentes da instituição não são “empregados de políticos, mas servidores do Estado” e considerou “gravíssimas” as acusações feitas contra o presidente.

“Moro afirmou que Jair Bolsonaro tentou interferir politicamente em investigações da Polícia Federal. Isto pode ser tipificado como crime de responsabilidade. Outra: assinatura é manifestação de vontade. Se não assinou, isto é falsidade ideológica”.

Trad levantou a questão da assinatura porque Moro nega ter assinado a demissão de Valeixo. A exoneração do diretor foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta como “a pedido”.

Deputado federal Luiz Ovando durante live (Foto: Reprodução)
Deputado federal Luiz Ovando durante live (Foto: Reprodução)


O deputado federal Luiz Ovando (PSL) disse que se Moro estava desconfortável no cargo o certo era sair. “Ele foi digno, honesto e correto, mas saiu desobedecendo as normas comportamentais rotineiras de quem sai de um cargo. Ele simplesmente ao invés de ficar quieto ele falou o que o estava incomodando”.

Apoiador de Bolsonaro, o deputado reconhece que a acusações feitas por Moro são graves. “Ele jogou uma nuvem em cima do presidente. Agora o presidente tem de vir a público e dar a versão dele porque até então temos só a versão do Sérgio Moro”.

Ovando não vê a saída do ministro como um problema grave, mas ressalta a necessidade de Bolsonaro se manifestar. “Acho que aparentemente tem uma cortina aí e tem que ser esclarecida, mas eu não vou emitir nenhum juízo de valor, nenhum posicionamento em relação a isso”.  O deputado declarou ainda que, para ele, nem com estas acusações “Bolsonaro perde seu valor por ter quebrado o que vinha acontecendo no país há 20 anos”, finalizou fazendo referência ao período em que o Partido dos Trabalhadores esteve no poder.

A reportagem tambéme do Campo Grande News tentou contato com a senadora Soraya Thronicke, mas ela não atendeu às ligações. Nas redes sociais, a informação é de que o celular dela foi clonado. A assessoria de imprensa da senadora também não respondeu.

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