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Campo Grande, Quinta-feira, 27 de Junho de 2019

24/05/2019 10:18

Candidatura suspeita de fraude foi 100% financiada por recursos públicos

Com nome na urna de Gilsy Arce, a candidata informou gastos de R$ 759 mil e obteve 491 votos

Aline dos Santos
Material de campanha da candidata Gilsy Arce, que tem prestação de conta investigada.Material de campanha da candidata Gilsy Arce, que tem prestação de conta investigada.

Investigada pelo Ministério Público Eleitoral e alvo de mandados de busca e apreensão pela PF (Polícia Federal), a candidatura de Gilsienny Arce Munhoz a deputada estadual, pelo então PRB, agora Republicanos, foi financiada em 100% por dois fundos abastecidos por recursos do Orçamento da União, ou seja, dinheiro público. O total arrecadado foi de R$ 761.589,50.

Conforme o Divulgacand, sistema que divulga dados dos candidatos, receitas e despesas, 93,42% do total de recursos recebidos é do FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha) e 6,56% do Fundo Partidário.

O Fundo Especial foi criado para compensar o fim das doações por empresas, que, por muitas vezes, era disfarce para propina, enquanto o Fundo Partidário recebe recursos mensalmente para manutenção das siglas.

A situação se assemelha à de candidatas do PSL, investigado no Brasil por candidaturas de fachada, esquema que foi apelidado de “laranjal do PSL”.

Devolução - Com nome na urna de Gilsy Arce, a candidata informou gastos de R$ 759.996,60 e obteve 491 votos. A suspeita de falsidade ideológica na prestação de contas é investigada em procedimento investigatório criminal. Foram ouvidos fornecedores que confirmaram ter emitido nota fiscal com valor a maior e devolvido parte do dinheiro.

A PF foi às residências e Gilsienny e de Edson Bobadilha, que coordenou a campanha da candidata, com pagamento de R$ 53,9 mil, terceira maior despesa durante a corrida eleitoral. Os mandados de busca e apreensão expedidos pelo juiz da 53ª Zona Eleitoral de Campo Grande.

De acordo com o advogado Ronaldo Franco, que atua na defesa de Gilsy Arce e Edson Bobadilha, a ex-candidata não estava em casa e nada foi levado do imóvel. O ex-coordenador teve o celular apreendido.

A defesa nega irregularidades na prestação de contas e aponta que os dois ainda não prestaram depoimento ao Ministério Público Eleitoral. “Se olhar no Facebook, você vê que ela fez campanha e refutamos a tese de tantos mil reais e tantos votos. Dinheiro não é para comprar votos”, afirma Ronaldo Franco.

Os maiores gastos da campanha foram com pessoal, que correspondeu a 47,58% (R$ 361 mil). Além de Edson, outras seis pessoas com sobrenome Bobadilha aparecem na lista de despesas da candidata. Todas atuaram como cabo eleitoral.

Gilsienny é servidora do Estado e ocupa a função de gestora de ações sociais, pela Sedhast (Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho).

Divulgacand mostra origem da receita para candidatura. Verde corresponde ao Fundo Especial e azul, ao fundo partidário. Divulgacand mostra origem da receita para candidatura. Verde corresponde ao Fundo Especial e azul, ao fundo partidário.


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