Defesa de ex-prefeito pede liberdade após ação da Gutenberg ser suspensa
Advogado diz que Junior Vasconcelos está preso há 2 meses e que ação está sem Vara Criminal definida

A defesa do ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Júnior Vasconcelos, entrou com pedido de liberdade no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) após a suspensão da ação penal relacionada à Operação Gutenberg. O recurso foi protocolado ontem (22) pelo advogado João Paulo Calves, após a decisão que determinou a paralisação do processo por causa de um conflito de competência. O caso está concluso para decisão no Tribunal.
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A defesa do ex-prefeito de Fátima do Sul, Júnior Vasconcelos, preso na Operação Gutenberg, pediu liberdade ao TJMS após a suspensão da ação penal por conflito de competência entre a 2ª e 3ª Varas Criminais de Campo Grande. A defesa alega que a prisão preventiva, que já dura dois meses, perdeu finalidade sem andamento regular do processo. O esquema investigado teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos públicos.
A discussão sobre qual Vara Criminal deve conduzir o processo começou após a defesa de Giovanni Paroschi Jaffar apresentar uma exceção de incompetência. Conforme argumenta a defesa de Júnior Vasconcelos no pedido de liberdade, a denúncia havia sido recebida pela 2ª Vara Criminal de Campo Grande, mas, após o questionamento de competência, o processo foi encaminhado para a 3ª Vara Criminal, que também entendeu não ser o juízo responsável pelo caso, sendo suscitado conflito negativo de competência ao TJMS.
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Na decisão de ontem, a Justiça determinou que o processo permaneça suspenso até que o Tribunal defina qual órgão deverá conduzir o julgamento da ação e dos processos relacionados.
No pedido apresentado ao TJMS, o advogado João Paulo Calves sustenta que a indefinição sobre o juízo responsável pelo processo criou uma situação em que não há uma vara definida para conduzir a ação penal.
A defesa afirma que a declaração de incompetência pode atingir atos decisórios praticados anteriormente, incluindo o recebimento da denúncia, e argumenta que a prisão preventiva perdeu a finalidade enquanto o processo aguarda uma definição. O pedido também afirma que Júnior Vasconcelos está preso há mais de dois meses e que a manutenção da prisão, sem andamento regular da ação, representaria antecipação de pena.
Júnior Vasconcelos foi preso na Operação Gutenberg, investigação conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o suposto esquema teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos públicos envolvendo a compra de materiais didáticos e serviços relacionados à regulação de vagas de saúde.
O Gaeco aponta o ex-prefeito como integrante do núcleo investigado relacionado aos contratos de materiais didáticos. Segundo os investigadores, Júnior Vasconcelos teria recebido R$ 22,5 mil da Editora Avante, empresa apontada pelo Ministério Público como uma das estruturas utilizadas no suposto esquema.
De acordo com a investigação, o valor transferido ao ex-prefeito faz parte de um conjunto de movimentações financeiras analisadas pelo Gaeco. No dia 9 de julho, ele foi afastado da função de escrivão da Polícia Civil.
O Gaeco também investiga contratos firmados por municípios para aquisição de materiais didáticos e aponta suspeita de direcionamento das contratações. A denúncia apresentada pelo Ministério Público atribui aos investigados crimes como organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.
Após a operação, a defesa de Júnior Vasconcelos negou envolvimento em irregularidades e afirmou que o ex-prefeito demonstrará sua inocência durante o processo.
Além de Junior Vasconcelos, entre os 17 denunciados na ação penal, permanecem presos preventivamente, conforme informações divulgadas até o momento, Giovanni Paroschi Jaffar, Felipe Paroschi Jafar, Rossana Paroschi Jafar, Francisco Anízio dos Santos, Ed Carlo Britto Burgatt, Rhayane Souza Fanaia, Paulo Rogério de Melo, Douglas Henrique de Melo, Matheus Oliveira Peixoto e Gabriel Taquino de Paula.
Outros investigados tiveram a prisão revogada ou substituída por medidas cautelares ao longo do processo.
A reportagem entrou em contato com as defesas dos réus que ainda permanecem presos para saber se há manifestação sobre a suspensão da ação penal e os pedidos de liberdade, mas não recebeu resposta até a publicação. De todos, não foi possível contato com advogados que representam Rhayane Souza e Heyder Bartz, o último, considerado foragido.
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