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Política

Proibição de banheiro e briga por terra unem manifestantes contra vereadores

Grupos foram se manifestar contra lei que proíbe trans em banheiros e projeto sobre defesa da propriedade

Por Maristela Brunetto e Mylena Fraiha | 28/04/2026 10:49


RESUMO

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A sessão da Câmara de Vereadores de Campo Grande foi suspensa na manhã desta sexta-feira em meio a protestos de manifestantes que lotaram o auditório com faixas e cartazes contra dois projetos do vereador André Salineiro (PL): uma lei que proíbe mulheres trans em banheiros femininos e outro, em votação, que cria o Abril Verde e Amarelo em oposição ao Abril Vermelho dos sem-terra. Gritando palavras de ordem como banheiro é um direito e reforma agrária já, o público causou tumulto, levando o presidente Epaminondas Netto (Papy, PSDB) a intervir e suspender a sessão por volta das 10h30, após dizer que a democracia perdeu. Ativistas criticam a lei por falta de casos de violência e maior vulnerabilidade das trans, enquanto Salineiro defende o projeto pela valorização da propriedade privada.

A sessão da Câmara de Vereadores de Campo Grande ocorre esta manhã com o auditório lotado de manifestantes. Carregando faixas, bandeiras e cartazes, o público critica dois temas levados ao Legislativo pelo vereador André Salineiro (PL): um, já transformado em lei, proíbe mulheres trans em banheiros femininos e o outro, ainda em votação, cria o “Abril Verde e Amarelo” em oposição ao Abril Vermelho, dos sem-terra.

O começo da sessão foi muito tumultuado, embora sem a necessidade de intervenção da segurança. O público gritava palavras de ordem, como “banheiro é um direito; reforma agrária já.”

O presidente da Casa, Epaminondas Netto (Papy, PSDB-MS), foi até o público e disse que eles não poderiam ocupar a tribuna, mas vereadores com afinidade com os temas falariam por eles. Em meio ao barulho dos manifestantes, foi possível ouvir Papy dizer que “a democracia perdeu.”

A sessão chegou a ser iniciada e, pouco depois das 10h, guardas civis apareceram para acompanhar a movimentação, mas não houve interferência em relação ao grupo. Os vereadores tiveram dificuldade de ocupar o microfone e discursar. Papy a todo momento intervinha tentando conter o barulho, mas acabou decidindo suspender a sessão pouco depois das 10h30.

Entre ativistas, houve quem defendesse que a proibição das mulheres trans em banheiros femininos não tinha fundamento, uma vez que não há notícia de ocorrência de violência, ao mesmo tempo em que alertou que se trata de um grupo vulnerável e que fica mais exposto a risco.

Já o outro projeto, que a Casa precisa colocar em segunda votação, prevê campanhas, debates e movimentação para fortalecer o direito de propriedade, em oposição às ações pela reforma agrária.

“O trabalhador que rala para caramba para conseguir conquistar um pedaço de terra ou comprar a tua tão sonhada casa, como que fica ao ver criminosos invadindo espaços públicos e privados”, sustentou Salineiro, que defende que o projeto valoriza a ordem.

Proibição de banheiro e briga por terra unem manifestantes contra vereadores
Vice-presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil em Mato Grosso do Sul, Jorge Bento Soares

Manifestantes 

O professor e ator Patrick Leme Gonzaga, de 21 anos, e o vice-presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil em Mato Grosso do Sul, Jorge Bento Soares, participaram da mobilização durante sessão na Câmara Municipal de Campo Grande e apontaram críticas a projetos de lei em discussão na Casa.

Segundo Patrick, o grupo se organizou para reagir a propostas que, na visão dele, atingem diretamente a população LGBT, principalmente pessoas trans. “A gente veio contra as pautas transfóbicas que estão sendo discutidas, principalmente sobre banheiro e esporte. E a gente se organizou principalmente através da transocupação que está acontecendo no centro da cidade, pra criar um espaço de auxílio a pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente pessoas LGBTs”, disse.

Ele também criticou a atuação dos vereadores e afirmou que a mobilização partiu dos próprios movimentos. “A gente, enquanto movimento social, tem que se manifestar, porque os políticos que representam a gente aqui na Câmara não tiveram a capacidade de formar essa movimentação”, afirmou. Patrick destacou ainda que diferentes grupos participaram do ato. “Cada movimento social está aqui se unindo, tanto pelo MST, porque gênero e classe estão sempre juntos, quanto contra os projetos que eles estão passando pra encobrir outras questões dentro da Câmara”, disse. Para ele, o ato também é uma forma de apoio entre os participantes. “A gente está aqui como colegas, amigos, em família, pra mostrar que a cidade é nossa”, concluiu.

Já Jorge Bento Soares afirmou que a presença dos movimentos na Câmara foi uma resposta ao que chamou de retrocessos. “Viemos para manifestar contra esses projetos de lei que enviam propostas para criminalizar uma certa comunidade”, disse. Ele citou que, na avaliação dele, a população trans está entre as mais afetadas. “Hoje, quem está sendo prejudicado com esses projetos que tramitam na Câmara, inclusive os que já foram aprovados, é a comunidade trans”, afirmou.

O dirigente também criticou propostas que, segundo ele, atingem movimentos sociais. “Vêm sendo encaminhados projetos que tentam criminalizar e difamar movimentos de luta pela terra, pela agricultura familiar e pela moradia digna”, disse. Ao final, reforçou o objetivo do ato. “Nós nos unimos para dizer: chega de retrocessos na Câmara de Campo Grande e de criminalização dos movimentos sociais”, concluiu.