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Política

Nelsinho espera “convocação” do partido para ser candidato ao governo em 2022

Em entrevista, senador ainda defendeu adiamento do pleito municipal deste ano e avaliou a aproximação do governo com o Congresso

Por Jones Mário | 01/06/2020 15:20
O senador Nelsinho Trad (PSD) concede entrevista ao Campo Grande News (Foto: Henrique Kawaminami)
O senador Nelsinho Trad (PSD) concede entrevista ao Campo Grande News (Foto: Henrique Kawaminami)

O senador Nelsinho Trad é pré-candidato ao governo do Estado pelo PSD (Partido Social Democrático) nas eleições de 2022. Sua intenção já foi comunicada a direção nacional do partido e ele espera que os filiados em Mato Grosso do Sul o "convoquem" para a missão.

A “convocação”, avalia, é um ato natural por ele ser presidente estadual da legenda, mas prega cautela e quer ver antes como vai ficar o “tabuleiro político de Mato Grosso do Sul” após o pleito deste ano.

De camisa polo branca e calça jeans, Trad recebeu a reportagem do Campo Grande News em seu consultório médico, no centro da Capital, onde, segundo ele, ainda atende alguns pacientes mais fiéis.

Além de prospectar as eleições para daqui dois anos, o senador falou também das programadas para 2020 e defendeu o adiamento.

Sobre novo coronavírus, Trad admitiu sentir falta de uma campanha institucional do governo federal pelo isolamento. O sul-mato-grossense foi um dos primeiros da política a contrair a doença, após viagem com a comitiva presidencial aos Estados Unidos.

O senador ainda analisou a aproximação do presidente Jair Bolsonaro com o “Centrão” - bloco informal na Câmara dos Deputados que reúne parlamentares de legendas de centro e centro-direita - e garantiu que não houve o mesmo alinhamento no Senado.

Invariavelmente, eu devo ser convocado pelo meu partido para essa missão”. 

Segundo Nelsinho Trad, sua candidatura ao governo em 2022 deve ser definida pela direção nacional do PSD “para poder fazer chapa de deputado estadual, federal e senador”.

O Campo Grande News apurou que ele comunicou ao presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, sua intenção de disputar a cadeira mais importante do Estado.

“Mas nada como um dia atrás do outro. Tô muito bem lá no Senado, produzindo bem para o Mato Grosso do Sul e quero continuar fazendo exatamente isso”, contorna.

Nelsinho defende cautela e quer esperar “primeiro passar pela eleição de 2020, ver como é que fica o tabuleiro de Mato Grosso do Sul”.

Nelsinho Trad garante PSD "livre" e "independente" no Senado, ao contrário da Câmara (Foto: Henrique Kawaminami)
Nelsinho Trad garante PSD "livre" e "independente" no Senado, ao contrário da Câmara (Foto: Henrique Kawaminami)

Em um possível cenário de disputa pelo Executivo estadual, o senador aposta no passado como prefeito de Campo Grande por dois mandatos (2005 a 2012) como trunfo para viabilizar a candidatura.

“Indiscutivelmente, nosso passado aqui na cidade nos credencia a isso. Sempre foi muito positiva a nossa votação na Capital, o que acaba irradiando para o interior”, acredita

Trad não enxerga uma provável disputa pelo governo à frente do PSD como cisão nas relações harmoniosas com o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). As legendas se alinharam nas eleições de 2018, que mantiveram o governador tucano Reinaldo Azambuja no Parque dos Poderes - com apoio determinante do prefeito Marquinhos Trad, também do PSD, no segundo turno.

“Você ser aliado não quer dizer que você deixa de ser companheiro. É uma questão de sobrevivência própria do partido que você preside. E o PSDB sabe muito bem disso”, avalia.

Sou favorável, por uma questão epidemiológica, ao adiamento de outubro para frente”.

Em meio à sessões remotas no Senado, das quais participa a partir de Campo Grande, Trad defende empurrar as eleições municipais deste ano para depois de outubro.

“Você precisa organizar as convenções, os candidatos, as chapas de majoritária e proporcional. Isso demanda reuniões e juntar gente. Não tem como fazer isso tudo sem juntar pessoas”, aponta. Para Nelsinho, uma nova data para o pleito deve ser definida ainda neste semestre.

Há uma necessidade maior do povo brasileiro compreender a importância do isolamento e do confinamento social”.

O senador fez pressão pela inclusão do Brasil em grupos que pesquisam vacina contra o novo coronavírus, preocupado, de acordo com ele, de o País “ficar no final da fila [para receber a imunização] ou nem na fila ficar”.

Para ele, a prioridade é discutir ações em Saúde, para depois pensar nos efeitos econômicos da pandemia. Uma campanha de incentivo ao isolamento social (“não tem outro caminho para diminuir a ascensão da doença”) é uma saída defendida pelo sul-mato-grossense.

“Sinto falta disso [de uma campanha], sinceramente que sinto. Até uma crença maior do próprio governo de que esse é o único caminho para achatar a curva. Infelizmente isso não tem. Aquele que defendia isso, acabou saindo do ministério”, provocou, lembrando-se de Luiz Henrique Mandetta, seu primo. Hoje, a pasta federal da Saúde é comandada interinamente pelo general Eduardo Pazuello.

Essa aproximação que o governo está fazendo na Câmara, no Senado ele ainda não fez”.

Trad, eleito em 2018 com 424.085 votos, assegura que o PSD no Senado segue “livre” e “independente”, ao contrário do que foi costurado por Bolsonaro na Câmara dos Deputados, ao se aproximar do Centrão na tentativa de garantir estabilidade para governar. Em troca, o bloco hegemônico na Casa de Leis e seus aliados ganham cargos em ministérios, secretarias, autarquias e fundações.

“O PSD do Senado, que é o que tenho legitimidade para falar, é um partido independente. Nós não fazemos parte de Centrão e tampouco do toma lá, dá cá. É um partido livre", dispara. Com ele, a legenda soma 13 senadores no Congresso.

No julgamento de Nelsinho Trad, o alinhamento de Bolsonaro com o Centrão “é uma demonstração de que ele [presidente] precisa consolidar minimamente a sua base na Câmara dos Deputados”.

A relação com o Congresso será determinante em futuras votações de matérias mais polêmicas, bem como de um possível processo de impeachment contra Jair Bolsonaro. O presidente é alvo de questionamentos sobre sua atuação, ou omissão, no enfrentamento à covid-19, e investigado pela Polícia Federal por suposta interferência na instituição.