Nelsinho quer discussão técnica sobre escala 6x1 e novas regras trabalhistas
Senador defende mais tempo para descanso dos trabalhadores, mas cobra medidas para proteger empregas

Único médico do trabalho entre os 81 senadores da República, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) afirmou que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 não pode mais ser adiada pelo Congresso Nacional. Favorável a medidas que ampliem o tempo de descanso e autocuidado dos trabalhadores, ele defende que o tema seja tratado de forma técnica, sem polarização política e com mecanismos que minimizem os impactos para micro e pequenos empregadores.
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Em entrevista à Rádio FM Cidade, o parlamentar destacou sua experiência profissional na área de medicina do trabalho para defender a necessidade do debate. Segundo ele, as transformações no mercado de trabalho aumentaram a pressão sobre os trabalhadores, tornando legítima a discussão sobre novas formas de organização da jornada.
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"Sou favorável ao trabalhador. Entre os 81 senadores, sou o único médico do trabalho. Conheço a realidade dos exames admissionais, periódicos e demissionais, além das questões relacionadas à insalubridade. Estudei e trabalhei com isso durante toda a minha vida profissional", afirmou.
Apesar de apoiar mudanças que garantam mais qualidade de vida aos empregados, Nelsinho pondera que a transição deve considerar a realidade econômica das empresas, especialmente dos pequenos negócios. Para ele, o poder público precisa criar instrumentos que ajudem a absorver os custos decorrentes de eventuais alterações na legislação trabalhista.
Entre as alternativas, o senador sugere a redução de parte da carga tributária para empregadores que comprovadamente sejam impactados pela nova regra. "Não podemos resolver um problema criando outro. Se o governo entende que essa é uma política pública importante, também precisa criar mecanismos para apoiar quem gera empregos", argumentou.
O parlamentar ressaltou que a pauta já está em discussão no Congresso e que o Parlamento tem a obrigação de enfrentar o tema, independentemente do calendário eleitoral. "Essa discussão chegou ao Parlamento e precisa ser feita. O papel do Congresso é ouvir opiniões divergentes, promover o debate e construir soluções", afirmou.
Diálogo internacional e novos mercados
Durante a entrevista, Nelsinho também comentou os desafios do Brasil no cenário internacional, especialmente em temas ligados ao comércio exterior, à exploração de terras raras e à regulamentação das plataformas digitais.
Na avaliação do senador, o país deve priorizar o diálogo diplomático e a ampliação de mercados para fortalecer sua posição econômica. "O Brasil precisa conversar com todos os parceiros internacionais. Divergências existem, mas é na mesa de negociação que se constroem soluções", disse.
Nesse contexto, o parlamentar voltou a defender o fortalecimento das relações comerciais com a União Europeia e os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.
A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul vota nesta terça-feira o relatório elaborado por Nelsinho sobre o acordo Mercosul-EFTA. Segundo o senador, a medida poderá abrir novos mercados para produtos brasileiros e ampliar oportunidades para Mato Grosso do Sul, especialmente nas cadeias ligadas à celulose, tecnologia, inovação e saúde.

