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Política

Nelsinho quer discussão técnica sobre escala 6x1 e novas regras trabalhistas

Senador defende mais tempo para descanso dos trabalhadores, mas cobra medidas para proteger empregas

Por José Cândido | 09/06/2026 14:10
Nelsinho quer discussão técnica sobre escala 6x1 e novas regras trabalhistas
Único médico do trabalho no Senado, parlamentar afirma que debate sobre a escala 6x1 não pode ser adiado pelo Congresso.

Único médico do trabalho entre os 81 senadores da República, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) afirmou que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 não pode mais ser adiada pelo Congresso Nacional. Favorável a medidas que ampliem o tempo de descanso e autocuidado dos trabalhadores, ele defende que o tema seja tratado de forma técnica, sem polarização política e com mecanismos que minimizem os impactos para micro e pequenos empregadores.

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O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), único médico do trabalho entre os 81 senadores, defende que o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 não pode ser adiado pelo Congresso. Ele apoia mudanças que garantam qualidade de vida aos trabalhadores, mas pede cautela com os impactos para pequenos empregadores, sugerindo redução tributária como compensação. O parlamentar também defende o fortalecimento das relações comerciais com a União Europeia e o acordo Mercosul-EFTA.

Em entrevista à Rádio FM Cidade, o parlamentar destacou sua experiência profissional na área de medicina do trabalho para defender a necessidade do debate. Segundo ele, as transformações no mercado de trabalho aumentaram a pressão sobre os trabalhadores, tornando legítima a discussão sobre novas formas de organização da jornada.

"Sou favorável ao trabalhador. Entre os 81 senadores, sou o único médico do trabalho. Conheço a realidade dos exames admissionais, periódicos e demissionais, além das questões relacionadas à insalubridade. Estudei e trabalhei com isso durante toda a minha vida profissional", afirmou.

Apesar de apoiar mudanças que garantam mais qualidade de vida aos empregados, Nelsinho pondera que a transição deve considerar a realidade econômica das empresas, especialmente dos pequenos negócios. Para ele, o poder público precisa criar instrumentos que ajudem a absorver os custos decorrentes de eventuais alterações na legislação trabalhista.

Entre as alternativas, o senador sugere a redução de parte da carga tributária para empregadores que comprovadamente sejam impactados pela nova regra. "Não podemos resolver um problema criando outro. Se o governo entende que essa é uma política pública importante, também precisa criar mecanismos para apoiar quem gera empregos", argumentou.

O parlamentar ressaltou que a pauta já está em discussão no Congresso e que o Parlamento tem a obrigação de enfrentar o tema, independentemente do calendário eleitoral. "Essa discussão chegou ao Parlamento e precisa ser feita. O papel do Congresso é ouvir opiniões divergentes, promover o debate e construir soluções", afirmou.

Diálogo internacional e novos mercados

Durante a entrevista, Nelsinho também comentou os desafios do Brasil no cenário internacional, especialmente em temas ligados ao comércio exterior, à exploração de terras raras e à regulamentação das plataformas digitais.

Na avaliação do senador, o país deve priorizar o diálogo diplomático e a ampliação de mercados para fortalecer sua posição econômica. "O Brasil precisa conversar com todos os parceiros internacionais. Divergências existem, mas é na mesa de negociação que se constroem soluções", disse.

Nesse contexto, o parlamentar voltou a defender o fortalecimento das relações comerciais com a União Europeia e os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.

A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul vota nesta terça-feira o relatório elaborado por Nelsinho sobre o acordo Mercosul-EFTA. Segundo o senador, a medida poderá abrir novos mercados para produtos brasileiros e ampliar oportunidades para Mato Grosso do Sul, especialmente nas cadeias ligadas à celulose, tecnologia, inovação e saúde.