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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

02/10/2015 10:26

Pastor e empresário, Gilmar Olarte é o 1º prefeito preso na história da Capital

Aline dos Santos e Edivaldo Bitencourt
Olarte (camisa rosa) teve prisão decretada na quarta-feira e se entregou hoje à Justiça. (Foto: Marcos Ermínio)Olarte (camisa rosa) teve prisão decretada na quarta-feira e se entregou hoje à Justiça. (Foto: Marcos Ermínio)

Pastor, radialista, contador e empresário, Gilmar Antunes Olarte (PP), 45 anos, é o primeiro prefeito de Campo Grande, ainda que na condição de afastado, a parar atrás das grades na história da Capital. A cidade, que desde a década de 1950, quando o então prefeito Ari Coelho foi assassinado, vivia calmaria no Poder Executivo, se depara com turbulência política, que no ano passado resultou na cassação de Alcides Bernal (PP), e, agora, levou ao afastamento e prisão de seu substituto.

Para o cientista político Erom Brum, os campo-grandenses vivenciam o tempo em que um adormecido integrante do sistema político despertou: a população.

“Os políticos podiam tudo. É como se uma montanha, antes incólume, começasse a ruir. Dentro dessa nova fase dos nossos Poderes, vamos sofrer, mas pelo menos nós acordamos. O sistema político tem dois elementos: representantes e representados. Mas sempre estivemos ausentes”, analisa.

Com a maior cobrança dos cidadãos - que se organizam para mover ações populares, movimento Ficha Limpa e redução de salários nas Câmaras Municipais – a classe política começa a perder os ares de casta especial, num sistema político que contabiliza 176 anos, para ser vista somente como representante dos eleitores.

“Prefeito, governador e presidente ficavam acima de qualquer suspeita. Está havendo mudanças e parece que os políticos não perceberam. Quando é que se ouvia falar de grandes empreiteiros presos?”, questiona o especialista.

Os clamores contra a corrupção reverberam na Justiça. Na decisão que deferiu o afastamento de Olarte em agosto e autorizou a primeira etapa da operação Coffee Break, o desembargador Luiz Cláudio Bonassini da Silva destacou que o dicionário do cidadão, mas em especial os agentes políticos, deveria começar com o de ética, palavra mágica de onde decorre “ a observância de todos aqueles princípios consagrados pela Constituição, como o da moralidade e da impessoalidade”.

Olarte e o empresário João Alberto Krampe Amorim dos Santos, dono da Proteco Construções, tiveram as prisões decretadas no dia último dia 30 de setembro por Bonassini.

As prisões são desdobramentos da ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) para investigar compra de votos na Câmara Municipal.

Olarte é investigado por formação de quadrilha e corrupção, pois teria se juntado a vereadores, empresários e terceiros interessados para cassação do prefeito Alcides Bernal (PP) em março de 2014. O acordo incluiria pagamento em dinheiro e distribuição de benesses.

A prisão temporária tem validade de cinco dias. Ele se entregou às 5h15 desta sexta-feira na 3ª delegacia de Campo Grande, no bairro Carandá Bosque. A unidade tem cela especial, separada dos demais presos, e “hospedou” em 2010 o então prefeito de Dourados, Ari Artuzi.

Durante 17 meses, Olarte colecionou ações na Justiça e polêmicas (Foto; Marcos Ermínio/Arquivo)Durante 17 meses, Olarte colecionou ações na Justiça e polêmicas (Foto; Marcos Ermínio/Arquivo)

Histórico -  Natural de Aquidauana, Gilmar Olarte tem uma empresa de contabilidade e fundou a igreja Assembleia de Deus Nova Aliança em Campo Grande. 

Ele já foi vereador por dois mandatos, incluindo-se um período em que assumiu após ser suplente, e eleito vice-prefeito na chapa de Bernal em 2012. No entanto, logo após a posse, ele rompeu com o titular da pasta e, conforme denúncia do Gaeco, passou a articular a cassação de Bernal.

Logo após a posse como prefeito, em 13 de março do ano passado, Olarte foi alvo de uma operação que cumpriu mandado de busca e apreensão em sua casa no dia 11 de abril de 2014. Neste ano, a investigação chegou ao Tribunal de Justiça, que aceitou a denúncia por corrupção e lavagem de dinheiro.

Olarte também foi denunciado à Justiça por contratar funcionários fantasmas na prefeitura. Neste caso, a Justiça decretou o bloqueio dos bens do prefeito afastado para garantir o ressarcimento dos salários pagos indevidamente a três pessoas.

Ele foi afastado em 25 de agosto e é suspeito de comandar esquema, junto com Amorim, para cassar o mandato de Bernal.

Além disso, a igreja Assembleia de Deus Nova Aliança, de Cuiabá (MT), conseguiu liminar na Justiça para obrigar Olarte a trocar o nome da sua denominação religiosa. A instituição diz que ele ingressou na denominação religiosa em 2006, mas foi afastado por conduta não apropriada em 2009.

No entanto, a igreja do Mato Grosso só decidiu recorrer à Justiça após o Fantástico, da TV Globo, veicular em rede nacional a denúncia de que Olarter deu o "golpe do cheque em branco" nos fieis.



Me desculpe o cientista mas ele está completamente enganado, a população não fez absolutamente nada para que o Olarte saisse da prefeitura, tudo não passou de um jogo interno entre os politicos, MP, Gaeco e seus egos gigantescos, em momento algum a população pediu a saida do Gilmar, não que ele não tenha sido uma porcaria de prefeito mas ninguem pediu nada, toda a investigação e cumprimento dos atos foi por conta do estado e dos proprios politicos que se matam para ver quem vai roubar mais, o Bernal a população até pediu a saída mas no fundo quem menos manda alguma coisa é o povo, somos os mais renegados, não mandamos nada, a politica hoje no país inteiro não passa de um jogo de interesses daqueles que participam da roubalheira, digo, da politica.
 
Max em 02/10/2015 15:27:09
Crítico falou tudo, é bem essa mesma a sensação que nos passa todos os fatos e acontecimentos dos últimos tempos, nos leva a fazer uma ponte com o que ocorreu com Celso Pitta em São Paulo, o qual ficou caracterizado que foi boi de piranha do Maluf e seu grupo, um script idêntico, só mudou os personagens e o desfecho, um morreu, o outro foi preso mesmo que provisoriamente. Quem sabe, daqui uns 30 anos, quando a maioria dos crimes prescreverem, talvez saberemos o nome da(s) pessoa(s) ou grupo que está por trás disso tudo neh?!!
 
TIJUANO em 02/10/2015 15:00:53
Pra começar nem prefeito esse bandido é pois não foi eleito pelo povo, ele é sujo e baixo, usou a igreja como disfarce para se intitular cristão e assim enganar mais gente.Tem que ser tirado tudo dele tudo que roubou do povo.Nessa lama não tem santo
 
Opinei em 02/10/2015 14:03:30
O Olarte embarcou nessa aventura achando que ia ser prefeito dando o golpe e tudo ia continuar numa boa.
Juntou-se a um bando que opera nessa área há décadas e promoveram uma verdadeira esculhambação na cidade.
O empresário Amorim vai se safar fácil, fácil.
Esse esquema todo tem um grande mentor que o MPE ainda tem que identificar, se bem que eu acho que todo mundo sabe quem é, mas, todos agem com um tremendo cinismo.
Uma coisa é certa. O único que vai se lascar é o Olarte.
Anotem isso.
O mesmo grupo agiu em Dourados detonando com o Ari Artuzzi.
 
Critico em 02/10/2015 11:41:41
Gente se atualiza, o ex-prefeito pode ser empresário porque a esposa dele tem empresa, mas ele já não tem mais contabilidade a muito tempo. Não misturem as coisas...tirem a contabilidade do meio dos rolos...
 
Cuidado em 02/10/2015 11:25:44
O fato de ser pastor não diz nada, mas, o foto de se dizer conhecedor da palavra de Deus,sim é lamentável. O que é vergonhoso é que é de mamando a caducando, de prefeito atual a vice e vereadores não valem um voto que receberam!!
 
carlos em 02/10/2015 11:10:59
Frisen bem. - PASTOR.
 
Parabens em 02/10/2015 10:35:56
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