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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

15/06/2011 12:38

Votação confirma Marisa, anunciada em abril no Campo Grande News

Fabiano Arruda e Ítalo Milhomem

Concorrente da senadora, Arroyo teve apenas 7 votos favoráveis

Nova conselheira do TCE, Marisa encerra vida política de 40 anos. (Foto: Marcelo Victor)Nova conselheira do TCE, Marisa encerra vida política de 40 anos. (Foto: Marcelo Victor)

Com 20 votos “sim”,apenas um “não” e dois em branco, a votação para conselheiro do TCE/MS (Tribunal de Contas do Estado), encerrada há pouco na Assembleia Legislativa, confirmou notícia publicada pelo Campo Grande News no dia 18 de abril: a senadora Marisa Serrano (PSDB) encerra sua carreira política e troca o Senado pela cadeira na Corte.

O processo de indicação estava aberto desde o dia 28 de fevereiro, quando a ex-deputada Celina Jallad morreu. Desde os primeiros instantes, o deputado Antônio Carlos Arroyo (PR) surgiu como grande interessado, tanto que escancarou a campanha e saiu atrás de votos. Protocolou requerimento em abril na Mesa Diretora da Casa e foi o primeiro candidato oficial.

Como a vaga pertence à Casa de Leis, boa parte dos deputados apontou Arroyo como virtual conselheiro no TCE, o que foi perdendo força ao passar do tempo.

O nome de Marisa Serrano surgiu posteriormente. Ela afirmou, em diversas ocasiões, que não havia iniciado campanha oficial com recolhimento de assinaturas. Além disso, repetiu em várias oportunidades que respeitava a decisão da Casa de Leis, no entanto, nos bastidores, pesava a favor dela um virtual apoio do governador André Puccinelli (PMDB).

A comentada interferência do governador provocou polêmica ao longo das discussões. Ontem, o deputado Paulo Duarte (PT) levantou o caso de forma mais contundente. “O governo colocou dois nomes para votação e escolhe um. Vai ganhar a senadora Marisa”, disparou. O peemedebista Eduardo Rocha, por sua vez, classificou a questão levantada pelo colega como “impertinente”.

A definição concreta da novela começou mesmo neste mês, quando os deputados traçaram as etapas da escolha. A semana passada foi reservada para as inscrições dos interessados, que referendou os nomes de Arroyo e Marisa, além do consenso sobre uma sabatina aos candidatos, ocorrida ontem na CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação).

Ao final da sessão realizada na véspera da votação, presidida pelo deputado Pedro Kemp (PT), e ressaltada como histórica na Assembleia Legislativa, mais uma prova que a indicação da senadora era certa.

As perguntas durante a sabatina tiveram tom mais incisivo contra Arroyo e ameno para Marisa. Nos discursos de ontem, o republicano voltou a afirmar que seguiria até o fim, confiando na vontade da Assembleia, enquanto a tucana preferiu não contar vitória. “Depois de muitas eleições aprendi que eleição só se vence depois de contar os votos”, declarou.

Momentos antes da votação nesta quarta, o deputado ainda subiu à tribuna para falar que seguiria de cabeça erguida. A tucana, como avisara ontem, acompanhou a votação de casa, na Capital.

Arroyo conversa com Jerson momentos antes da votação. Ele discursou na Casa e parecia pressentir a derrota. (Foto: Divulgação/AL)Arroyo conversa com Jerson momentos antes da votação. Ele discursou na Casa e parecia pressentir a derrota. (Foto: Divulgação/AL)

Os votos começaram por volta das 11 horas. Os deputados se dirigiram a uma cabine, parecida com um banheiro químico, disposta no plenário, que esteve lotado.

Como foi o primeiro a oficializar candidatura, Arroyo foi o primeiro a ser votado. Recebeu o voto de sete colegas e dois foram contrários. Quinze votaram em branco, incluindo ele, impedido de votar.

Depois seguiu para apreciação o nome de Marisa. Ela recebeu 20 votos favoráveis, um contrário e dois votos em branco. O placar esmagador finalizou a preferência que a parlamentar detinha nos bastidores.

Ontem mesmo, Arroyo já anunciava que seguiria a carreira em caso de derrota e que não faria oposição ao governador André Puccinelli. A senadora, por sua vez, avisava que se despediria da carreira política e que atuar no TCE seria a coroação após 40 anos de vida pública.

Histórico - Natural de Bela Vista (na fronteira com o Paraguai), Marisa Serrano é professora, tem 63 anos e foi a primeira mulher eleita para representar Mato Grosso do Sul no Senado. Agora, será substituída no Congresso pelo seu suplente, o pecuarista Antonio Russo, que atrai polêmica e resistência em Mato Grosso do Sul.

Formada em Letras e Pedagogia, ela ocupou os cargos de professora, supervisora, diretora de escola, Coordenadora da Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande e Secretária Estadual de Educação.

Ela ainda dirigiu a Delegacia do MEC (Ministério da Educação) no Estado, ajudando a reconhecer 54 cursos superiores e liberando recursos para a instalação de 16 escolas agrícolas.

A carreira política de Marisa Serrano começou em 1977, quando foi a vereadora mais votada em Campo Grande.

Em 1994, foi eleita deputada federal, sendo reeleita em 1998. Naquele período, ela participou da redação final da Lei de Diretrizes e Bases da Educação e da elaboração do PNE (Plano Nacional de Educação).

Marisa ainda foi membro da Executiva Nacional do PSDB, de 1999 a 2001, e foi presidente do Diretório estadual tucano, de 2000 a 2004.

Hoje, Marisa é vice-presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, suplente da Subcomissão Permanente de Acompanhamento da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, vice-presidente do diretório Nacional do PSDB e membro do Parlamento do Mercosul.

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"Indicar" um cidadão ligado a partido político para cargo VITALICIO, cuja função é aprovar as contas do Estado é mais um entre tantos outros absurdos que permeiam o cenário político do MS e do Brasil. Falando às claras, funciona mais ou menos assim: " Eu te indico e você aprova o que eu declarar para a União". Não precisa ser muito inteligente para imaginar de que forma isso deve ocorrer. Diferente dos cargos do executivo a que são eleitos, o cargo de "Conselheiro" do TCE deveria ser preenchido por profissionais técnicos, preferencialmente com experiência na área contábil e empossados mediante concurso público de forma a manter a isonomia e a imparcialidade em uma função que envolve auditoria e aprovaçaõ de gastos públicos. No lugar do Sr. Arroyo eu choraria também, por perder uma "mamata" de tal esfera. Como contrapartida à indicação da Tucana, teremos um novo Senador, desconhecido do público e com fortes indícios de ilícitos em processo de investigação. É o preço por que pagamos por votarmos tão MAL.
 
Glauber S R Martelli em 16/06/2011 08:48:09
Parabéns, Marisa! Sucesso e bons novos desafios!
 
Leonardo Rodrigues Congro em 16/06/2011 07:27:18
Agora entendo porque os tribunais de contas não fiscalizam nada e sempre as contas dos políticos que estão no poder, têm suas contas aprovados. Pois são eles que indicam quem vai fiscalizar a suas contas, com a indicação política, fica difícil o indicado votar contra a pessoa que o apoiou. Não estou dizendo que o outro candidato seria melhor, pois também tinha indicação política. Os Tribunais de Contas deveria ser cargos técnicos, pessoas especializadas, representandes de toda a sociedade, dos Conselhos Regional de Administração, de Contabilidade, de Economia e da OAB, só assim talvez tenha um pouco de fiscalização e o dinheiro público tem um destino melhor.
 
Paul Martin em 15/06/2011 04:54:37
Todo esse jogo político e esse teatro, somente geram decepções para aqueles que sonham em ter uma sociedade livre de corrupção, negociatas e trabalhos em causas pessoais e pontuais.
 
Edson Freitas em 15/06/2011 04:11:18
Apesar de ter certeza que o resultado não seria diferente desejo tôda sorte à Marisa que faça um trabalho de qualidade, pois competència e experiência ela tem de sobra e ao nobre deputado Arroyo, meus parabéns por ter ido até o fim pela disputa da vaga, é de dessa maneira que exercemos a democracia, lutando, boa sorte.
 
edson chaia em 15/06/2011 01:40:54
Fácil deduzir o porquê dela ter trocado o senado pelo TCE. O senado, talvez, fosse o último cargo político dela, visto que política não é seguro, pois poderia ela não ser mais eleita para cargo político algum. Diferentemente, no TCE, o conselheiro é de cara vitaliciado, ou seja, ela teria este cargo e este alto salário para a vida toda, sem precisar fazer política. Tem um salário altíssimo, equiparado aos desembargadores etc...Político na decadência tem que pegar logo algo seguro.
 
Cidade Morena em 15/06/2011 01:03:29
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